
Quase sete anos após o incêndio que destruiu o prédio e cerca de 20 milhões de peças, o Museu Nacional começa a revelar o que será a sua nova face. O projeto arquitetônico de reconstrução do Paço de São Cristóvão, desenvolvido pelo consórcio H+F Arquitetos + Atelier de Arquitetura e Desenho Urbano, aponta para uma transformação profunda: se antes apenas um terço do edifício era destinado a exposições, na reabertura, prevista para 2029, praticamente todo o palácio histórico será ocupado por galerias, espaços educativos e áreas de visitação.
Uma das apostas mais significativas do projeto é tratar o próprio edifício como parte do acervo. As obras de restauração revelaram elementos que permaneciam ocultos há décadas ou séculos: pisos originais de pedra, vestígios da antiga capela, pinturas decorativas em stencil e detalhes em Stucco Marmo azul e vermelho encontrados sob camadas de tinta. Uma cisterna histórica descoberta inteira durante as escavações também será integrada ao percurso. O local onde o incêndio teve início, onde três pavimentos colapsaram e as vigas ficaram retorcidas, será preservado como espaço de memória.
O acervo do museu reconstruído terá três origens principais: as 1.815 peças recuperadas dos escombros, incluindo fragmentos do crânio de Luzia e o Meteorito de Bendegó, que resistiu praticamente intacto; as mais de 14 mil peças recebidas por doação, entre elas o Manto Tupinambá do século 16 devolvido pelo Museu Nacional da Dinamarca; e as coleções científicas preservadas em prédios anexos que não foram atingidos pelo fogo. Uma atração inédita será o esqueleto de uma baleia cachalote de 15,7 metros, que ficará suspenso sob a claraboia restaurada da escadaria monumental.
A reconstrução, estimada em 520 milhões de reais, ainda depende de 170 milhões a captar. O prazo já foi adiado duas vezes e o incêndio completa oito anos em setembro. “A minha esperança é que as pessoas percebam que vão encontrar um outro Museu Nacional, que não é uma versão ferida daquele antes do incêndio. É uma outra versão, com algumas perdas e alguns ganhos”, disse o arquiteto Pablo Hereñú.