
Na tarde de 2 de junho, o segundo andar da sede da Sotheby’s no Breuer Building, em Manhattan, foi interditado até para funcionários seniores da casa. O motivo, revelado posteriormente por fontes familiarizadas com o assunto: uma tentativa discreta de leiloar “Number 19, 1951”, um Pollock monumental pertencente a Arne Glimcher, fundador da Pace Gallery, por 50 milhões de dólares.
A operação foi conduzida com incomum sigilo. Oliver Barker, presidente da Sotheby’s para a Europa e o mais célebre leiloeiro da casa, foi trazido de Londres especialmente para o evento, mesmo com a temporada de leilões britânica se aproximando. Barker também gravou um vídeo enviado a potenciais compradores descrevendo a relutância de Glimcher em se separar da obra, considerada uma das peças centrais de uma coleção que inclui, segundo rumores, Cy Twomblys e Agnes Martins de qualidade museológica.
A estratégia não funcionou. Segundo fontes, a Sotheby’s não conseguiu atrair compradores suficientes para dar início ao leilão, que acabou cancelado. O destino da pintura permanece incerto.
O timing era aparentemente favorável: apenas três semanas antes, outro Pollock de 1948 havia sido arrematado na Christie’s por 181,2 milhões de dólares, recorde para o artista. Mas ao menos uma fonte considera que os 50 milhões pedidos por Glimcher eram otimistas demais. A tentativa frustrada ocorreu dois dias antes de Marc Glimcher, filho de Arne e CEO da Pace, anunciar publicamente o corte de 20% do quadro de funcionários e de quase um terço do elenco de artistas da galeria.
Sotheby’s e Pace não comentaram o caso.