
Uma mobilização em defesa do Museu de Arte de Belém reuniu artistas, professores, servidores públicos e integrantes da sociedade civil na manhã do último domingo em frente ao Palácio Antônio Lemos, sede do museu na Cidade Velha. O ato, chamado “O MABE pede socorro”, ocorreu durante a programação da 61ª edição do Circular Campina Cidade Velha e incluiu o lançamento de um abaixo-assinado com meta de 10 mil assinaturas.
O MABE abriga mais de 2 mil obras, entre pinturas, esculturas, porcelanas e mobiliário ligados à história artística do Pará, da Amazônia e do Brasil. Entre as peças do acervo estão trabalhos de Theodoro Braga e registros considerados fundamentais para a memória de Belém.
A situação crítica do museu tem origem numa reforma administrativa da Prefeitura de Belém realizada em fevereiro de 2025, que extinguiu a Fundação Cultural do Município (Fumbel), da qual o MABE era departamento. A nova Secretaria Municipal de Cultura não absorveu o museu como unidade museológica, o que resultou na extinção de cargos de direção e das divisões técnicas de conservação, restauração, curadoria, pesquisa e educação. Posteriormente, a secretaria foi desmembrada em duas pastas, e o MABE seguiu sem integrar formalmente nenhuma delas.
“Hoje o museu está sem a estrutura funcional necessária para desenvolver plenamente suas atividades”, disse a artista e servidora municipal Nina Matos, que já exerceu funções de direção no espaço. Entre os problemas apontados está o fato de os desumidificadores estarem inoperantes num dos climas mais úmidos do país. “É um museu operando sem desumidificadores em uma cidade de alta umidade, o que pode provocar danos ao acervo”, alertou. O museu também deixou de abrir aos fins de semana desde o ano passado, permanecendo fechado inclusive durante programações especiais no centro histórico.
O abaixo-assinado será encaminhado a órgãos de proteção do patrimônio e instituições competentes. A Prefeitura de Belém foi contactada e não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.