Pace Gallery demite 50 funcionários e retira cerca de 50 artistas do cast numa “correção de modelo”

CEO Marc Glimcher anuncia reestruturação que reduz o elenco de 135 para 85 artistas e corta 20% do quadro de funcionários, citando um sistema de arte "grande demais, comercial demais"

Foto: Thomas Loof

A Pace Gallery, uma das maiores galerias do mundo com sete espaços em diferentes países, anunciou nesta quinta-feira uma reestruturação significativa: cerca de 50 funcionários serão demitidos e aproximadamente 50 artistas deixarão o elenco da galeria. O cast, que havia crescido para 135 nomes, será reduzido a cerca de 85.

“As galerias precisam de uma correção de modelo”, disse o CEO Marc Glimcher em comunicado à ARTnews. “Para a Pace, isso significa voltar às origens, reconectar artistas mais jovens a seus pais e mães espirituais, focando num grupo de cerca de 80 artistas que representa uma mistura intergeracional de novos talentos, nomes estabelecidos e espólios.”

Em entrevista, Glimcher foi mais direto sobre os problemas estruturais do setor. “O sistema de arte se tornou grande demais, comercial demais, impessoal demais e corporativo demais”, disse ele, descrevendo um ciclo vicioso em que altos custos operacionais forçam galerias a aumentar preços, o que por sua vez pressiona ainda mais as finanças. A Pace, segundo ele, evitou os aumentos de preços mais agressivos vistos em outros lugares, mas não escapou da pressão.

Entre os artistas que deixaram o site da galeria estão JR, teamLab, Glenn Kaino, Hermann Nitsch e Josef Koudelka. Kaino disse ao New York Times não ter se surpreendido: “Ficou claro para mim há algum tempo que o modelo deles estava otimizado para uma visão do mundo da arte que nunca se materializou.”

A reestruturação não implica abandono da presença global. Glimcher afirmou que a galeria manterá seus espaços, incluindo a sede reformada em Chelsea, e que cada localidade deve desenvolver uma identidade regional mais forte. A parceria Pace Di Donna Schrader Galleries, lançada no ano passado, também continuará e estreia na Art Basel este mês.

O movimento ocorre num momento de contração generalizada do mercado, com o fechamento de diversas galerias importantes em 2025. “Definitivamente menos exposições, em todo lugar”, disse Glimcher. “Só se pode fazer bem aquilo que se faz com atenção.”

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