9 exposições para ver em Nova Iorque durante a Frieze

O AQA preparou uma seleção crítica do que há de melhor na cidade durante a feira

No centro do furacão de uma das semanas mais densas do calendário internacional da arte, Nova Iorque anda acompanhada de muita coisa em cartaz. Com a 15ª edição da Frieze New York abrindo nesta quarta-feira no The Shed, em Hudson Yards, e dividindo a agenda com as feiras paralelas NADA e Independent, vem também o tipo de compressão típica da temporada. Mas, neste ano, isso tudo chega num momento particular: o mercado americano voltou a crescer depois de dois anos de queda.

A semana de feiras é pretexto, mas o que realmente sustenta a cidade como destino são as exposições que existem fora delas. Museus e galerias programaram para coincidir com a Frieze um conjunto de mostras que oferece, em poucos quarteirões de Chelsea, Madison Avenue e Hudson Yards, uma leitura ampla daquilo que o circuito americano está disposto a discutir agora.

O AQA selecionou um recorte crítico de nove exposições para ver em Nova Iorque durante a Frieze. A lista mistura grandes instituições — Met, Whitney — com galerias de peso histórico — Gagosian, David Zwirner, Hauser & Wirth — e espaços independentes como a Turquoise, no Lower East Side.

 

Whitney Biennial 2026, no Whitney Museum of American Art — até 23 de agosto de 2026

A 82ª edição da Bienal Whitney reúne cinquenta e seis artistas, duplas e coletivos. A curadoria é de Marcela Guerrero e Drew Sawyer, com assistência de Beatriz Cifuentes e Carina Martinez.

O recorte geográfico ultrapassa as fronteiras americanas de forma deliberada. Ao lado de artistas de todo o país, a exposição inclui obras de criadores oriundos de lugares marcados pelo alcance histórico do poder estadunidense — do Afeganistão ao Vietnã. A pergunta que atravessa a mostra vai na linha do que significa, afinal, chamar qualquer coisa de “americana”.

A exposição ocupa os andares 1, 5, 6 e 8 do museu e inclui um painel publicitário em frente à entrada, na rua Gansevoort.

 

Whitney Biennial 2026 | Whitney Museum of American Art

 

Helen Frankenthaler & Anthony Caro: Similitudes, na Yares Art — até 11 de julho de 2026

A Yares Art apresenta em Nova York uma exposição que parte do encontro entre a pintora americana Helen Frankenthaler e o escultor britânico Anthony Caro em Nova York em 1959 para investigar cinco décadas de amizade como uma espécie de espaço ativo para a troca criativa.

Os dois artistas trabalharam junto de Clement Greenberg em direção a uma abstração espacial e cromática. O que a exposição propõe é mapear a permeabilidade entre suas práticas: como as visitas de ateliê, as cartas trocadas ao longo de décadas e a influência mútua se traduziram em escolhas formais. Frankenthaler trabalhava com cor derramada sobre tela não esticada, construindo campos cromáticos que desafiam a distinção entre figura e fundo; Caro esculpia no espaço com aço pintado, recusando o pedestal e levando a escultura ao nível do chão e do corpo.

A mostra reúne mais de trinta obras entre pinturas, esculturas e materiais de arquivo, incluindo uma seleção de cartas trocadas entre os dois artistas ao longo de mais de cinquenta anos.

 

 

Philip Guston: Life with P., na Hauser & Wirth — até 10 de julho de 2026

Em vez de se concentrar na virada controversa do final dos anos 1960, quando o artista abandonou a abstração pelo estilo cartoon, a mostra abre um ângulo menos explorado da sua prática: a relação de quatro décadas com a poeta Musa McKim, sua companheira.

Entre as obras em exibição estão três pinturas inéditas de McKim, nunca antes exibidas publicamente, e os chamados poem-pictures — trabalhos que combinam poemas dela com desenhos dele, numa colaboração que atravessa boa parte do período entre 1964 e 1978 coberto pela mostra. Essa vertente colaborativa sempre existiu no interior do trabalho de Guston, mas raramente recebeu a atenção que merece. A exposição corrige essa lacuna com o peso que o tema exige.

A galeria fica na 443 West 18th Street, em Chelsea, e a mostra segue em cartaz até 10 de julho.

 

 

Gerhard Richter: Landschaften, na David Zwierner — até 10 de julho de 2026

A David Zwirner apresenta na West 20th Street uma exposição de pinturas de paisagem fotorrealistas de Gerhard Richter produzidas entre os anos 1960 e 2000, exibidas ao lado de uma seleção de suas Abstrakte Bilder (Pinturas Abstratas, 1976–2017).

O ponto de partida histórico da série de paisagens é uma visita de Richter à ilha francesa da Córsega no final dos anos 1960. A partir de fotografias tiradas durante a viagem, o artista desenvolveu um conjunto de paisagens e marinhas atmosféricas que evocam precedentes da história da arte sem recorrer às noções tradicionais do sublime estético.

A galeria funciona de terça a sábado, das 10h às 18h, na 537 West 20th Street.

 

 

Jasper Johns: Copy/Trace, na David Zwirner — até 26 de junho de 2026

A David Zwirner apresenta na sede da West 20th Street uma exposição de desenhos e gravuras de Jasper Johns (n. 1930) que percorre seis décadas de trabalho — dos anos 1960 até os 2010 — a partir de processos de cópia e decalque como métodos de representação.

Johns copiou uma de suas próprias pintura, deixou impressões diretas do corpo sobre o suporte — o rastro, o traço físico — e produziu imagens existentes através de superfícies translúcidas. São três gestos distintos que, tomados juntos, revelam uma linha de força contínua na prática do artista: a pergunta sobre o que significa fazer uma imagem quando o ponto de partida já é uma imagem.

A galeria funciona de terça a sábado, das 10h às 18h, na 537 West 20th Street.

 

 

Raphael: Sublime Poetry, no The Metropolitan Museum of Art — até 28 de junho de 2026

O Met apresenta a primeira exposição abrangente sobre Rafael nos Estados Unidos, reunindo mais de 170 obras — desenhos, pinturas e tapeçarias de coleções públicas e privadas da Europa e América do Norte, muitas delas nunca exibidas juntas.

Entre os eixos curatoriais, dois se destacam. O primeiro é a relação de Rafael com a figura feminina — desde o uso inédito de modelos femininos nus na arte ocidental até suas representações da Madonna e do Filho. O segundo é o recurso a descobertas científicas recentes, feitas com tecnologia de ponta, que revelam detalhes do processo criativo do artista invisíveis a olho nu.

A mostra ocupa a Galeria 899 do Met Fifth Avenue e está incluída na entrada geral do museu.

 

A dimly lit museum room displaying a religious painting on a blue wall. Framed artworks line the dark walls.

 

Matisse: The Pursuit of Harmony, na Acquavella Galleries — até 22 de maio de 2026

A Acquavella Galleries apresenta cinquenta pinturas, obras em papel e esculturas de Henri Matisse reunidas de museus, fundações e coleções particulares — a primeira exposição da galeria dedicada ao artista desde 1973, embora trabalhe com sua obra há mais de sessenta anos.

Em vez da cor — por o que Matisse é mais conhecido —, a exposição propõe acompanhar a investigação do artista sobre a forma, em duas e três dimensões, do início do século XX até as cinco décadas seguintes de carreira. A premissa parte de uma tensão produtiva: Matisse recorria à escultura para resolver problemas que encontrava na pintura, e vice-versa. As mesmas poses aparecem nos dois meios, cada um impulsionando desenvolvimentos formais no outro.

A galeria fica na 18 East 79th Street, em Manhattan.

 

HENRI MATISSE Odalisque en manteau rouge [Odalisca de casaco vermelho], 1937

 

Marcel Duchamp, na Gagosian — até 27 de junho de 2026

A Gagosian inaugura o novo espaço no térreo do edifício histórico da 980 Madison Avenue com uma apresentação de obras centrais de Marcel Duchamp — incluindo todos os seus readymades mais icônicos. A escolha do local não é casual: foi nesse mesmo endereço que essas edições fizeram sua estreia americana, numa exposição de 1965 na Cordier & Ekstrom Gallery. A mostra coincide ainda com a primeira retrospectiva de Duchamp nos Estados Unidos desde 1973, em cartaz no MoMA até 22 de agosto.

A galeria funciona de terça a sábado, das 10h às 18h, na 974 Madison Avenue (esquina com a 76th Street).

 

 

Literature, na Turquoise — de 15 de maio a 14 de junho de 2026

A Turquoise, espaço independente localizado em 81 Elizabeth Street (Suite 302), em Manhattan, apresenta Literature, exposição de desenhos organizada pela artista Keren Cytter. Com trabalhos em papel de Bernadette Van-Huy, John Miller, Nora Schultz, Josef Strau, Laris Maas, Justin Nalley e Finnja Giesberts, a mostra reúne abordagens distintas do medium — do desenho como registro documental, caso do Untitled (1981) de Miller, ao trabalho sobre papel em suas bordas mais expandidas, como Light lines (2023) de Josef Strau, em que folhas desdobradas fixadas com pedras e outros materiais questionam os próprios limites da linguagem. É a terceira exposição da galeria no espaço da Elizabeth Street, depois de duas estreias de base conceitual, incluindo a coletiva Who’s Afraid of ___?, centrada em readymades.

A galeria funciona às sextas, sábados e domingos, das 12h às 18h, e por agendamento.

 

Josef Strau, Light lines, 2023
Josef Strau. Light lines, 2023.

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