Irã nega retirada da Bienal de Veneza e confirma participação na edição de 2026

Diretor do ministério da cultura iraniano contradiz comunicado oficial da mostra e diz que o país segue em negociações para montar seu pavilhão nos Giardini

Foto: Divulgação

Na semana passada, a Bienal de Veneza anunciou que o Irã havia desistido de participar da edição de 2026. Agora, o próprio governo iraniano contesta a informação.

Em entrevista à agência de notícias ISNA, Aydin Mahdizadeh Tehrani, diretor-geral de artes visuais do ministério da cultura e orientação islâmica do Irã, afirmou que o país nunca se retirou oficialmente da mostra. “O Irã jamais se retirou da participação na Bienal de Veneza”, disse Tehrani. “Tínhamos um acordo inicial para participar e ainda estamos em consultas. Submetemos um plano de participação e provavelmente receberemos uma resposta nos próximos dias.”

Segundo o diretor, o ministério enviou uma carta à organização da Bienal em 10 de maio reafirmando que “insiste” na abertura do pavilhão iraniano, mesmo que a disputa pelo Leão de Ouro já não seja mais possível. O país planeja apresentar “um projeto completamente novo e diferente, baseado em novas tecnologias e abordagens”.

Tehrani disse estar confuso com o comunicado dos organizadores, já que o Irã nunca entregou uma carta de retirada formal. As negociações em curso envolvem questões práticas como sanções internacionais, o alto custo de aluguel do espaço, a ausência de infraestrutura cultural iraniana permanente na Itália e o contexto da guerra com Israel e os Estados Unidos.

À margem dessa disputa, um grupo que diz representar artistas e curadores iranianos em risco anunciou o Hyperstitional Pavilion of Iran, com a exposição Hulul: On Incarnation and Incantation, facilitada pela organização finlandesa Perpetuum Mobile e localizada nos Giardini. O pavilhão, no entanto, não consta no site oficial da Bienal, e sua relação com o Estado iraniano permanece indefinida.