
Um pai e sua filha se declararam culpados nos Estados Unidos por comandar um esquema de falsificação e venda de obras atribuídas a artistas como Andy Warhol, Banksy, Pablo Picasso, Richard Mayhew e outros nomes do mercado de arte. A operação fraudulenta movimentou ao menos US$ 2 milhões e está entre os casos mais expressivos de falsificação recentes no setor.
Erwin Bankowski e Karoline Bankowska admitiram, em tribunal federal no Brooklyn, participação em uma conspiração de fraude eletrônica e em crimes relacionados à falsa representação de obras de artistas indígenas. Entre 2020 e 2025, a dupla colocou no mercado mais de 200 trabalhos falsificados, muitos deles produzidos por um artista baseado na Polônia.
Para dar aparência de legitimidade às peças, os dois fabricavam históricos de procedência, alegando que as obras provinham de coleções particulares, galerias extintas ou acervos corporativos. Em alguns casos, chegaram a criar carimbos falsos de galerias e certificados de autenticidade em papel envelhecido, dificultando a verificação por compradores, galeristas e leiloeiros.
Entre as obras identificadas pelas autoridades estão uma peça supostamente de Banksy vendida por US$ 2 mil, um trabalho atribuído a Andy Warhol comercializado por US$ 5,5 mil, uma pintura falsamente associada a Raimonds Staprans vendida por US$ 60 mil e uma obra atribuída a Richard Mayhew que alcançou US$ 160 mil.
Além da fraude financeira, o caso envolve violações da legislação norte-americana que protege a produção artística indígena. Parte das obras falsificadas foi vendida como se tivesse sido produzida por artistas nativo-americanos, prática proibida pelo Indian Arts and Crafts Act de 1990.
A sentença será anunciada em agosto. Cidadãos poloneses, Erwin e Karoline Bankowski também poderão ser deportados após o cumprimento da pena. O caso evidencia, mais uma vez, como a opacidade e a confiança documental ainda tornam o mercado de arte vulnerável a fraudes sofisticadas.