
O Whitney Museum of American Art abre em outubro de 2026 a mostra “Roy Lichtenstein: Like New”, a maior revisão em anos da obra de um dos nomes que mais moldaram a Pop Art americana. A exposição reúne cerca de cento e trinta trabalhos produzidos entre o início dos anos 1940 e os anos 1990, atravessando pintura, desenho, colagem, gravura, escultura e filme, num arco que começa décadas antes de Lichtenstein se tornar sinônimo de balões de fala e tramas de ponto ampliadas.
A tese curatorial da mostra é justamente essa: tirar Lichtenstein do lugar-comum da superfície pop e reposicioná-lo como um artista obcecado, desde muito cedo, pela mecânica da percepção, a forma como uma imagem é construída, copiada, ampliada, replicada e transformada ao circular pelo mundo. Segundo a curadoria, suas telas pareciam frias e feitas à máquina, mas eram, na verdade, meticulosamente pintadas à mão, um contraste que estrutura toda a leitura proposta pela exposição. A ideia de que Lichtenstein tratava imagens como formas instáveis, passíveis de empréstimo, tradução e reenquadramento, ganha um argumento adicional de atualidade: numa era de imagens recortadas, filtradas e recirculadas sem parar nas redes, o problema que ele investigava desde os anos 1960 deixou de ser uma questão só da história da arte.
Entre as obras reunidas estão títulos centrais de sua trajetória, como “Look Mickey” (1961), “Girl with Ball” (1961), “Masterpiece” (1962), “Drowning Girl” (1963), “Happy Tears” (1964), “Little Big Painting” (1965), a série “Rouen Cathedral” (1968-69) e “Artist’s Studio ‘The Dance'” (1974). A mostra também recria três dos murais do artista, incluindo uma versão de quase 30 metros do “Greene Street Mural” (1983), originalmente pintado para o próprio estúdio de Lichtenstein em Nova York.
O ponto mais raro do projeto, porém, é outro: pela primeira vez desde 1962, a mostra reúne integralmente as obras que compuseram a estreia de Lichtenstein em estilo pop, na lendária galeria Leo Castelli. Foi aquela exposição que consagrou o artista da noite para o dia e definiu, segundo o Whitney, toda uma era, com ecos que ultrapassam o próprio movimento pop e alcançam gerações posteriores de artistas voltados à cópia, à apropriação e à vida das imagens depois de reproduzidas. Para tornar esse argumento explícito, a curadoria decidiu incluir, ao lado de Lichtenstein, obras de três artistas que dialogam diretamente com essa questão: Louise Lawler, Richard Pettibone e Sturtevant, todos conhecidos por fazerem da citação e da réplica o centro de seus próprios projetos.
A curadoria de “Like New” é assinada por Meg Onli, curadora-chefe de arte americana do Whitney, ao lado do artista Alex Da Corte como curador convidado, com Nakai Falcón e David Crane na equipe de pesquisa curatorial. A exposição recebe apoio de instituições como a Jerome L. Greene Foundation e a Roy Lichtenstein Foundation, responsável também pelo catálogo que acompanha a mostra.