Retrato de Lucian Freud contestado por décadas é exibido pela primeira vez em Londres

"Man with a Black Scarf" (1939), pintado quando o artista tinha 17 anos, foi autenticado em 2018 após disputa que incluiu o próprio Freud negando a autoria

Foto: Cortesia do Garden Museum

Um retrato de Lucian Freud que ficou décadas sob disputa de autenticidade vai a público pela primeira vez em Londres. “Man with a Black Scarf” (1939) integra a exposição “Benton End: A Paradise of Pollen and Paint”, no Garden Museum, dedicada à East Anglian School of Painting and Drawing, escola boêmia fundada pelo artista e botânico Cedric Morris em 1937 no interior da Inglaterra.

Freud ingressou na escola em 1939, aos 17 anos. A obra em questão foi herdada pelo diretor criativo Jon Lys Turner de dois colegas de turma do pintor, Denis Wirth-Miller e Richard Chopping, que detestavam Freud. O sentimento era recíproco. Ao entregar o quadro a Turner em 1997, Wirth-Miller teria declarado: “Quero que seja vendido o mais barulhentamente possível para irritar o Lucian.”

A trajetória da autenticação é tortuosa. Quando a Christie’s aceitou a obra para um leilão em 1985, Freud insistiu que não havia pintado o quadro. Freud era notoriamente protetor de sua produção, chegando a destruir peças que considerava inferiores. Em 2016, o programa britânico Fake or Fortune atestou a autenticidade da obra, mas a prova definitiva só surgiu em 2018, quando o registro de presença da escola, guardado no arquivo Cedric Morris na Tate, indicou que John Jameson, da família do uísque homônimo, havia posado para uma aula de retrato frequentada por Freud em outubro de 1939.

A exposição reconstrói a escola com o mobiliário original e reúne obras de Morris, Freud e outros artistas formados no espaço. Fica em cartaz até 20 de setembro no Garden Museum, em Londres.

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