Arquivo digital reúne manuscritos de Leonardo da Vinci separados há mais de 400 anos

O projeto Leonardotheka conecta pela primeira vez o Codex Atlanticus, em Milão, com cerca de 550 folhas da Royal Collection de Windsor, reconstituindo páginas cortadas no século 17

Milhares de páginas de Leonardo da Vinci separadas há mais de quatro séculos foram reunidas pela primeira vez num arquivo digital. O projeto Leonardotheka, desenvolvido ao longo de dez anos sob coordenação do Museo Galileo, em Florença, conecta o Codex Atlanticus, o maior acervo de escritos de Leonardo guardado na Veneranda Biblioteca Ambrosiana, em Milão, com cerca de 550 folhas da Royal Collection, em Windsor, no Reino Unido.

A separação dos manuscritos remonta ao século 17. Após a morte de Leonardo em 1519, sua coleção passou por diferentes mãos até chegar ao escultor Pompeo Leoni, que desmontou e cortou os fólios, dividindo o material em dois álbuns. O Codex Atlanticus foi doado à Biblioteca Ambrosiana em 1637; o álbum com obras figurativas entrou na Royal Collection por volta de 1670, provavelmente como presente ao rei Carlos II.

O Leonardotheka inclui 50 reconstituições confirmadas de páginas, nas quais fragmentos de Windsor foram reposicionados digitalmente nas folhas correspondentes do Codex Atlanticus. Uma delas reúne um desenho de cavalo com um texto sobre o monumento equestre Regisole, em Pavia, separados por séculos.

Para Roberto Ferrari, diretor executivo do Museo Galileo, o projeto estabelece um “precedente convincente de como instituições culturais podem e devem manter a propriedade intelectual de seus projetos digitais, resistindo à tentação de delegar essa responsabilidade a plataformas comerciais.” Metade do financiamento veio dos ministérios italianos da Cultura e das Universidades; o restante foi provido pelo próprio Museo Galileo, principalmente com receita de bilheteria.