A nova individual de Rodrigo Andrade na Almeida & Dale apresenta um conjunto de pinturas que funcionam como espelhos. Mas o fato é que não vemos refletidas em suas superfícies a nossa imagem, mesmo quando nos deparamos com os fulgores luminosos da tinta a óleo. Encaramos, sim, o rosto da própria pintura, craquelado como a tinta em algumas das telas de Andrade, devido sua longa permanência no tempo. E além de certa face da pintura, adensada por sua história, verificamos, se não o rosto do autor, o da sua prática – cujo resultado são telas que nos encaram sob a própria existência reflexiva.
A pintura e o espelho, como tecnologias ópticas, frequentemente se esbarram. Não por acaso que um dos mitos fundadores da pintura seja a imagem de Narciso sobre as águas – a ponto de Leon Battista Alberti, em seu tratado sobre a pintura, fazer da imagem do herói antigo sobre as águas o grande emblema da pintura. Assim, a narrativa conduziu grande parte de certa relação com a pintura enquanto espelhamento do mundo, seja exterior, ou interior ao sujeito que a produz...