Quase que invariavelmente, a primeira pergunta que escutamos depois da longa caminhada por qualquer feira de arte é “qual estande você mais gostou?”. Só que, no caso da SP-Arte, a pergunta fica um pouco mais complicada. Isso porque a feira reúne cerca de 180 estandes e, dentre eles, galerias internacionais – que, em boa parte das vezes, sequer temos ideia da existência.
Ao longo dos próximos cinco dias, a SP-Arte ocupa novamente o Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, reunindo dezenas de expositores entre galerias de arte e estúdios de design, instituições, editoras e espaços independentes. Mas, diante desse labirinto, quais estandes ajudam a desenhar um recorte possível dos pontos altos da feira neste ano?
Estande A1/F7 – Almeida & Dale (São Paulo, BR)
Não é novidade que os estandes da Almeida & Dale têm o hábito de esbanjar o acervo de primeira linha da galeria. Com trabalhos de artistas que vão de Ai WeiWei, Philip Guston e Anish Kapoor até um Volpi que já participou da Bienal de São Paulo, a galeria apresenta diversos trabalhos de artistas importantes que dificilmente teremos novamente a oportunidade de ver no Brasil – o que, só por isso, já faz valer a visita.

Estande B2 – Marco Zero (Recife, BR)
A Galeria Marco Zero, por sua vez, apresenta um belíssimo estande com cara mais de exposição do que de feira. E, de certo modo – ao menos nessa e na última edição da SP-Arte –, a galeria trouxe estandes com um perfil mais institucional que garantiram a ela um ponto alto do percurso por dois anos consecutivos. Neste ano, a deformação parece o fio condutor dos trabalhos expostos.
Estande F12 – Kubik Gallery (Porto, Lisboa, PT)
No estande da portuguesa Kubik, três jovens artistas apresentam trabalhos que respondem à condição da pintura contemporânea na via da pintura expandida. Manuella Silveira, Maria Durão e Zoé Passos carregam obras ao mesmo tempo divertidas e torneadas por um aspecto sujo, como se brincassem justamente com a condição da pintura em um momento quando ela não consegue mais ser inteiramente pura, ou limpa.
Estande F21 – Galeria Foco (Lisboa, PT)
A galeria portuguesa, que participa pela primeira vez da feira, reúne têxteis da artista Maria Appleton. Tenho o hábito de pensar que estandes que privilegiam a produção de um artista mais do que a apresentação geral da galeria são profundamente cativantes. E, no caso de um trabalho delicado como o de Appleton – posicionado suspenso naquele pequeno espaço –, acaba que a mostra funciona como um respiro dentro da feira. Algo da chance de dar alguma vida às lacunas em um espaço onde parece haver sempre a necessidade de existir tanta coisa.
Estande F23/F24 – Cave (Fortaleza, BR)
A Cave, também na sua primeira participação na SP-Arte, leva dois estandes à feira: um solo – em parceria com a Galeria Estação (São Paulo) –, da artista Navegante Tremembé, e um coletivo, com diversos artistas do time da galeria. Ambos os estandes se voltam a um tipo de trabalho com o desejo e o inconsciente. É a chance de conhecer mais artistas cearenses com trabalhos de qualidade.



