
O protesto do Pussy Riot diante do pavilhão russo na Bienal de Veneza virou música, literalmente. “DISOBEY”, single que tocou num boombox durante a manifestação de maio, agora chega com um clipe de 90 segundos feito inteiramente com imagens da ação. A faixa é o carro-chefe de CYKA, palavra russa para “cadela” e título do primeiro álbum completo da banda, previsto para as plataformas de streaming em 12 de junho.
A demora para chegar ao LP tem história. “Nosso primeiro álbum, KILL THE SEXIST (2011–12), nunca foi terminado porque algumas de nós, eu incluída, acabamos na prisão por dois anos”, disse Nadya Tolokonnikova por mensagem de texto. Depois disso, a vontade passou. Em 2016, ela quase lançou um disco, mas recuou com medo de parecer mainstream demais.
O impulso para retomar veio de um lugar inesperado. “O momento eureka foi perceber que se uma inteligência artificial consegue produzir uma música, eu também consigo”, disse ela. Tolokonnikova começou a trabalhar em CYKA no dia seguinte ao fim de sua performance duracional no MOCA de Los Angeles, em 2025, gravando em um pequeno estúdio caseiro ao lado do quarto de sua filha. O duo Gold Glove ajudou a finalizar as faixas.
O álbum reúne reflexões sobre cultura de medicamentos prescritos, rebeldia e esperança radical, com participações de B Real, Avenged Sevenfold e da estrela do TikTok Salem Ilese. Na faixa-título, um trecho de Putin falando mal do Pussy Riot é sampleado. Tolokonnikova também desafiou o presidente russo para uma luta no UFC Freedom 250 na Casa Branca neste verão: se ele perder, a Rússia deve deixar a Ucrânia.
A banda se apresenta ao vivo em 20 de junho num festival em Paris organizado pelo Beyond the Streets.