Itaú Cultural apresenta ‘diversos Brasis’ na nova mostra “Brasil das Múltiplas Faces”

Com início dia 22, exposição ocupa novo piso do Itaú Cultural com obras da considerada maior coleção corporativa de arte da América Latina

por Bruna Amorim
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Emiliano di Cavalcanti, “Vendedoras de Peixe” 1952. Divulgação.

A exposição “Brasil das Múltiplas Faces” marca a inauguração de um novo ambiente para visitação no prédio do Itaú Cultural, em São Paulo. A partir do dia 22 de outubro, o Espaço Milú Villela – Brasiliana: Arte Moderna e Contemporânea oferece ao público mostras de longa duração focadas nas artes moderna e contemporânea produzida no país e que compõem o Acervo Itaú Unibanco.

O novo espaço está localizado no 7º piso do prédio da Avenida Paulista e conta com 280 metros quadrados. Ao lado do Espaço Olavo Setubal, que abriga a Brasiliana, e do Espaço Herculano Pires, com a Numismática, a instituição agora oferece quatro pisos permanentes para mostras desta que é considerada a maior coleção corporativa de arte da América Latina, e segue em busca de ampliar o seu acesso ao público.

A curadoria da exposição é assinada por Agnaldo Farias, com concepção e realização da equipe Itaú Cultural e arquitetura de Daniel Winnik. O nome dado ao espaço homenageia Milú Villela, que presidiu e expandiu o Itaú Cultural durante 18 anos, de 2001 a 2019, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), entre 1995 e 2019. Psicóloga, gestora cultural e filantropa, Milú​ dedicou sua vida à democratização do acesso à arte e à cultura.

‍ Por sua vez, o nome “Brasil das Múltiplas Faces”, que batiza a exposição inaugural deste espaço, dá pistas do que o público está para mergulhar em uma espécie de contação das várias histórias e visões do país. Através de uma narrativa que trabalha com o conceito de arte múltipla, a mostra busca mostrar a complexidade do Brasil com um olhar que desafia a visão tradicional.

Assim, não se deve esperar um desencadeamento linear, cronológico ou eurocêntrico no percurso desta mostra. A linha curatorial se desvela entre um olhar para o passado, mas com a devida atenção para o contemporâneo e para artistas pertencentes a grupos antes marginalizados, como as produções afrodiaspóricas, de povos originários ou de artistas que não passaram pela chamada educação formal, mas de reconhecida importância na construção do patrimônio artístico brasileiro. Essa abordagem interdisciplinar visa descolonizar o olhar e revelar as riquezas dessas produções em suas complexidade e pluralidade.

“Quando o curador nos perguntou o que tinha no acervo de obras indígenas, ligamos um ponto de atenção. Falamos com a direção, que olhou para esse tema. Foi feita uma pesquisa de mais ou menos um ano e na última SP-Arte foram compradas três obras especialmente para este espaço”, afirmou Edson Cruz, coordenador do Núcleo de Artes Visuais e Acervos do Itaú Cultural. Dentre as obras adquiridas está “O canto do Sabiá”, (2024), de Denilson Baniwa.

Denilson Baniwa, “Canto do Sabiá” 2024. Divulgação.

Os trabalhos estão dispostos em 10 ​núcleos, alguns compostos por traineis, como se usa nas reservas técnicas para a manutenção e conservação das obras de arte em museus, galerias e coleções e que permitem olhar inclusive o verso. São eles: Retratos, Dessemelhança!, Paisagem, Modernos, As Abstrações (geométrica e informal), Sonhos e distorções, Nova Figuração, Década de 1970, A Geração 80 e Produção recente.

No total, abrigam 150 obras bidimensionais (entre pinturas, desenhos, gravuras e fotografias), 33 tridimensionais (esculturas e objetos) e dois vídeos – “Mil Olhos” (2018), de “Lia Chaia, Ordinário” (2023), de Berna Reale. O arco temporal vai de 1889 até o presente, em um conjunto de obras capaz de traçar um panorama da produção artística brasileira. Há, por exemplo, produções dos primórdios da Brasiliana, como as pinturas “Violeiro na Janela” (1899), de Almeida Júnior, e “Itapema – Santos” (1889), de Benedito Calixto.

Almeida Junior, “O Violeiro na Janela” 1899. Divulgação.

“O acervo é vivo. Tem uma vida própria. As obras vão ficar aqui ao longo de dois anos de exposição. Mas nada impede que as obras sejam emprestadas, que outras obras venham para o lugar da que saiu.”, contou Cruz.

Por ser a primeira voltada para essa fração do Acervo Itaú Unibanco, esta exposição – na medida em que se junta à Coleção Brasiliana, apresentada no andar debaixo deste, e a expande – mereceu um tratamento especial, um embrião de recortes futuros. Daí a opção por uma expografia repleta de obras próximas umas das outras, sugerindo novos arranjos. Um mosaico que o visitante pode montar como quiser.

A exibição tem início no dia 22 de outubro e segue por tempo indeterminado no Itaú Cultural.

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