Confira os destaques da Art Basel Paris 2025

A edição da feira na capital francesa chega ao Grand Palais com 206 galerias e nomes que vão de Rubens a Arjan Martins

O Grande Palais, na capital francesa, recebe galerias para o Art Basel Paris 2025 (foto: divulgação)

Entre os dias 24 e 26 de outubro, a Art Basel Paris ocupa mais uma vez o Grand Palais, na capital francesa. Sob a icônica abóbada de vidro, 206 galerias de 41 países e territórios, incluindo 29 participantes estreantes, exibem obras de peso num momento de retração global do mercado de arte. 

A edição deste ano foi organizada em três setores principais: Galleries, com estandes de diversos representantes do mundo todo, Emergences, dedicado a talentos emergentes e artistas jovens em exposições individuais, e Premise, com propostas curatoriais chamadas de altamente singulares. Entre as galerias brasileiras estão A Gentil Carioca, Galleria Continua, Fortes D’Aloia & Gabriel, Mendes Wood DM e Luisa Strina.

A feira, celebrada em um edifício monumento e numa cidade historicamente crucial para a arte moderna e contemporânea, marca terreno como plataforma para refletir o rumo do mercado e seus novos tempos. Em meio ao cenário de incertezas e expectativas, a aposta é alta, tendo em vista a seleção dos nomes presentes na feira e toda a programação que movimenta Paris. Ainda assim, de acordo com o relatório The Art Market, embora as vendas na França tenham caído 10%, chegando a US$ 4,2 bilhões, o país segue como o maior da União Europeia e o quarto maior mercado do mundo.

O ARTEQUEACONTECE separou alguns destaques da feira para você:

“The Virgin and Christ Child”, 1611-14, Peter Paul Rubens | Gagosian Gallery

“The Virgin and Christ Child”, 1611-14, Peter Paul Rubens, Gagosian Gallery (foto: divulgação)

A Gagosian recebeu permissão especial da Art Basel Paris para exibir uma obra anterior aos anos 1900, o que foge à condição de período imposta pela feira. Tal concessão foi permitida em reconhecimento ao valor histórico da pintura e pela forma como ressoa em trabalhos modernos e contemporâneos, como do artista John Currin, que a galeria também leva para a feira. Leiloado no valor de 7,1 milhões de euros em 2020, o trabalho não teve seu valor revelado pela Art Basel.

“The Human Shields”, 2024, Pélagie Gbaguidia | Fortes D’Aloia & Gabriel 

“The Human Shields”, 2024, Pélagie Gbaguidia, Fortes D’Aloia & Gabriel (foto: divulgação)

Nascida no Benin e um dos destaques da 36ª Bienal de São Paulo, Pélagie Gbaguidi produz, em seu trabalho, uma disputa de espaço entre o abstrato e o figurativo com pigmentos em sacos de pão para confrontar os traumas do colonialismo ainda vigentes na sociedade atual.

“Sem Título”, 2025, Arjan Martins | A Gentil Carioca

“Sem Título”, 2025, Arjan Martins, A Gentil Carioca (foto: divulgação)

Outro nome relevante da 36ª Bienal de São Paulo, Arjan Martins retrata corpos negros em posições e lugares variados para questionar a visão eurocêntrica que pressupõe territórios. Com esse deslocamento, o artista de 61 anos reinventa a história.

“Sem Título”, 1962, Mimi Parent | Galerie 1900-2000

“Sem Título”, 1962, Mimi Parent, Galerie 1900-2000 (foto: divulgação)

A Galerie 1900-2000 apresenta trabalhos raros dos movimentos dadaístas e surrealistas, além de estudos de desenhos de Marcel Duchamp feitos em Paris. E destaca composições bordadas e têxteis do início dos anos 1960 da artista canadense Mimi Parent, num diálogo direto entre as vanguardas modernistas e o que viria com a arte contemporânea.

“Sem Título”, 1983, Jean-Michel Basquiat | Van de Weghe 

“Sem Título”, 1983, Jean-Michel Basquiat, Van de Weghe Gallery (foto: divulgação)

A obra manifesta a energia crua e a linguagem visual distinta de Basquiat, numa serigrafia sobre tela que mistura imagens com significados complexos e marca um período importante de sua trajetória.

“Advance on the Retreat”, 2025, Kara Walker |  Sikkema Malloy Jenkins

“Advance on the Retreat”, 2025, Kara Walker, Sikkema Malloy Jenkins (foto: divulgação)

A obra de Kara Walker é uma colagem em papel em escala monumental. As características silhuetas opacas de seu trabalho, em contraste com flores e frutas tropicais coloridas, tratam de um passado escravocrata dos Estados Unidos numa reflexão sobre as sombras que persistem.

“Nero Sangue”, 2025, Binta Diaw | Galerie Cécile Fakhoury

Nero Sangue, 2025, Binta Diaw, Galerie Cécile Fakhoury (foto: divulgação)

Binta Diaw é uma artista emergente senegalesa-italiana que evoca temas como memória e deslocamento para refletir como a diáspora africana molda a contemporaneidade. O trabalho “Nero Sangue”, que ocupa o centro do estande da Galeria Cécile Fakhoury na feira, traz o sangue como elemento complementar e contraditório, representando aqueles que morreram e quem permanece ligado por laços sanguíneos.

“Conversation between Circles IV”, 1973, Lee ShinJa | Tina Kim Gallery 

“Conversation between Circles IV”, 1973, Lee ShinJa, Tina Kim Gallery (foto: divulgação)

A Tina Kim Gallery dedica seu estande à artista sul-coreana Lee Shinja e seus experimentos escultóricos realizados entre a década de 1950 e os dias atuais. Nascida em 1930 e mentora de diversos artistas, ela reinventou a arte têxtil ao longo de cinco décadas e apenas há alguns anos foi reconhecida pela sua importância na formação da linguagem da abstração contemporânea.

Serviço

Art Basel Paris 2025

Local: Grand Palais

Endereço: Avenue Winston Churchill 75008, Paris

Data: de 24 de outubro a 26 de outubro de 2025.

Funcionamento: das 11h às 19h. 

Ingresso: a partir de €30