
Ibrahim Mahama, artista nascido em Tamale, no norte de Gana, liderou em 2025 o Power 100 da ArtReview, tornando-se o primeiro africano a ocupar o topo do ranking anual das figuras mais influentes no mundo da arte contemporânea. Mahama subiu da 14ª posição para o primeiro lugar, numa lista que reflete uma reconfiguração profunda dos centros de influência no circuito internacional.
Ao longo da última década, Mahama consolidou uma prática baseada em instalações monumentais feitas de sacos de juta reutilizados e materiais industriais que abordam trabalho, exploração colonial e desigualdade global. Em obras como “Non-Orientable Nkansa II” (2017), ele empilhou centenas de caixas de engraxates recolhidas em Kumasi e Acra em paredes monumentais. Em “Parliament of Ghosts” (2019), reuniu objetos descartados da Ghana Railway Company para reconstituir uma sala parlamentar fantasma. Na 35ª Bienal de São Paulo, criou um espaço de produção coletiva que reproduz as arquibancadas de tijolos vermelhos de seu estúdio Red Clay, em Tamale, integrado a vasos ganeses e trilhos de ferrovia.

Ibrahim Mahama reinvestiu o reconhecimento conquistado no exterior em infraestrutura cultural no norte de Gana. Está entre os nomes centrais do Savannah Centre for Contemporary Art, espaço colaborativo de residência e exposição para artistas da região que se tornou um polo criativo no continente. Fundou o Red Clay Studio, centro de produção e pesquisa em Tamale cujo salão de tijolos vermelhos aparece como referência direta em sua obra para a Bienal de São Paulo, e o Nkrumah Volini, iniciativa que propõe uma reflexão sobre a transformação da arte em mercadoria e questiona os próprios fundamentos do circuito comercial que o lançou ao mundo.
Entre os destaques da lista também estão o egípcio Wael Shawky (4º), a americana Amy Sherald (6º) e o alemão Wolfgang Tillmans, que estreia em 10º. O Oriente Médio mantém presença forte, com Sheikha Al Mayassa, do Qatar Museums, em 2º lugar. Entre os galeristas, a tendência foi de queda: Gagosian, Zwirner e Marc Glimcher, da Pace, perderam posições. Em contrapartida, Miuccia Prada subiu da 79ª para a 32ª posição e Bernard Arnault, da LVMH, entrou na lista pela primeira vez em 56º lugar.