
Holanda e Alemanha anunciaram a devolução de mais de 2 mil objetos culturais pertencentes a Gana, retirados do país durante o período colonial. O compromisso foi apresentado durante a conferência Next Steps, realizada em Acra entre 17 e 19 de junho, e organizada em resposta à resolução aprovada pela ONU em março, que classificou o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o “crime mais grave contra a humanidade”.
Num gesto simbólico, o embaixador holandês entregou ao presidente de Gana, John Dramani Mahama, um catálogo com as 2 mil peças que seu país pretende devolver. A Alemanha identificou objetos ligados à área tradicional de Kpando para repatriação. Os detalhes sobre os itens específicos, prazos e planos para recepção e exibição em Gana ainda serão anunciados.
“Consideramos esses pedidos parte de um processo muito necessário de reparação de injustiças históricas”, disse o embaixador holandês Jeroen Verheul. “Devolver objetos frequentemente impulsiona a cooperação cultural e museológica, permitindo que contemos essas histórias importantes juntos.”
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca também aproveitou a conferência para pedir desculpas pelo papel do país no tráfico de escravizados e se comprometeu a ajudar a preservar os castelos construídos pelos dinamarqueses em território ganês. A conferência contou com a presença da primeira-ministra de Barbados, do presidente do Senegal e de uma mensagem gravada do presidente francês Emmanuel Macron.
A devolução faz parte de um movimento mais amplo de repatriação. Em 2025, a Holanda já havia concordado em devolver 113 bronzes do Benin à Nigéria e um busto faraônico de 3.500 anos ao Egito.