Festival de Artes de Reykjavik mistura perfume, Björk e arte ucraniana

Da instalação perfumada do líder do Sigur Rós aos concertos de Hildur Guðnadóttir, o festival islandês confirmou sua identidade única no circuito cultural europeu

Foto: Cortesia Reykjavik Arts Festival

Numa estufa no centro de Reykjavík, o ar cheirava a grama recém-cortada e festas ao longe. A instalação olfativa da família Fischersund, liderada por Jónsi, vocalista do Sigur Rós, foi um dos destaques de uma edição do Festival de Artes de Reykjavík que apostou em experiências difíceis de categorizar. O festival durou oficialmente até 14 de junho, mas suas exposições se estendem pela ilha até o outono.

Na Galeria Nacional da Islândia, Björk construiu ambientes para habitar três canções. A sala de “Sorrowful Soil” tem 30 alto-falantes em círculo e uma projeção da artista cantando diante de um fluxo de lava. “Ancestress” ocupa um cubo vermelho-sangue. A novidade é “Nerve Bloom (Remix)”, com animações do pintor polonês Natalia Kleszczewska que transformam cavalos e figuras humanoides em criaturas fundidas. Na mesma galeria, o colaborador James Merry expõe as máscaras que criou para Björk ao longo dos anos, com referências à iconografia celta e às plantas islandesas.

Foto: Cortesia Reykjavik Arts Festival

No Museu de Arte de Reykjavík, a alemã Karin Sander convidou visitantes a serem escaneados e transformados em miniaturas de gesso, construindo um retrato coletivo da cidade em 2026. No Living Art Museum, o coletivo ucraniano Open Group apresentou ucranianos imitando sons de guerra numa espécie de karaokê apocalíptico que ganha novos contornos num país que debate entrar na União Europeia.
A música foi presença forte. Hildur Guðnadóttir, conhecida pelas trilhas de Tár, Joker e Chernobyl, realizou três concertos, dois no Harpa, cujo exterior foi projetado por Olafur Eliasson, e um na monumental Hallgrímskirkja. Mais estranho foi Love Love, de Arnbjörg Maria Danielsen, uma performance sobre tênis que culminou numa máquina disparando bolas rosas sobre pratos de bateria espalhados pelo palco.

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