Da cena paulistana às galerias de Nova York e Berlim, entre pintura, escultura e investigações conceituais, a programação articula corpo, percepção, paisagem e ficção em propostas que oscilam entre o gesto íntimo e a construção de mundos simbólicos. Nossa curadoria reúne exposições mundo afora que confirmam a vitalidade do circuito contemporâneo, dentro e fora do Brasil.
São Paulo

Na Fortes D’Aloia & Gabriel, a exposição “Amor e Outros Estranhos”, de Jesse Wine, apresenta esculturas que tensionam familiaridade e deslocamento. O artista britânico trabalha com cerâmica e pintura para construir figuras que parecem emergir de um território entre o doméstico e o insólito. As formas, ora orgânicas, ora quase caricaturais, instauram um jogo entre humor, estranhamento e presença física.
Nova York

Na Marian Goodman Gallery, “Azalea Spring” marca a individual de Jongsuk Yoon na cidade. A artista constrói paisagens que se situam entre memória e imaginação, explorando campos de cor vibrantes que evocam montanhas, florações e atmosferas sazonais. Suas pinturas operam em uma zona híbrida entre abstração e figuração, conduzindo o olhar por topografias emocionais.

A Louis K. Meisel Gallery, apresenta uma seleção de pinturas de Jack Mendenhall que reafirmam sua trajetória no fotorrealismo americano. Resorts, piscinas e paisagens ensolaradas surgem como construções meticulosas que transformam cenas de lazer em imagens suspensas entre documento e idealização.
Londres

“Still Moving”, de Ella Wright, propõe uma investigação sobre deslocamento e permanência. A artista articula imagem e gesto em trabalhos que sugerem estados transitórios — movimentos interrompidos, memórias em formação, corpos que habitam o espaço como
Berlim

Na Galerie Thomas Schulte, “Above and Below the Three Worlds”, de Matt Mullican, aprofunda o sistema simbólico desenvolvido pelo artista ao longo de décadas. A exposição apresenta seu vocabulário visual característico — diagramas, cores codificadas e estruturas cosmológicas — organizando uma espécie de cartografia metafísica que investiga percepção, identidade e construção de realidade.
Milão

Na Limbo Contemporary, “nessun boato” reúne trabalhos do artista Francesco Pacelli que operam na esfera do silêncio e da suspensão. A exposição constrói um ambiente onde a ausência de ruído se converte em potência narrativa, privilegiando gestos contidos e atmosferas de expectativa.
Entre investigações sensoriais, sistemas conceituais e revisões de linguagem pictórica, a agenda da semana propõe atravessamentos distintos – do íntimo ao monumental, do simbólico ao cotidiano. Um convite para acompanhar o circuito internacional com atenção às nuances que cada contexto oferece.