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“Bicho solto” de Luciana Maas na Sardenberg

16 agosto - 10:00 até 20 setembro - 19:00
Obra de Luciana Maas. Crédito: Raphaela Campano

A artista Luciana Maas apresenta sua nova individual a partir de 16 de agosto na galeria Sardenberg, na Travessa Dona Paula, em São Paulo. Intitulada Bicho solto, a exposição reúne pinturas inéditas que aprofundam sua pesquisa em torno da construção e dissolução da imagem. Resultado de quase dois anos de trabalho, a mostra propõe um embate direto com a pintura como linguagem e como matéria em telas que exibem um processo contínuo de apagar, raspar, refazer, deixar aparecer. A curadoria é de Ricardo Sardenberg.

Em sua trajetória, Maas investiga a tensão entre gesto, corpo e superfície. Se antes, essa tensão era experimentada a partir de tênis e balanços, em Bicho solto ela ganha novos desdobramentos: bichos, vultos, cabos de guarda-chuva e silhuetas de figuras humanas, que emergem como sobreviventes de uma batalha pictórica. A imagem nunca se afirma completamente, mas resiste —como rastro ou fantasmagoria. Meio como encontrar figuras em nuvens, como diz a artista.

“Os bichos apareciam e eu apagava. Agora, deixei eles ficarem.” Esses seres imprecisos, —dragões, peixes-boi, beija-flores, burricos— não foram planejados, mas surgiram do processo de pintura. Elementos recorrentes do trabalho de Maas —como fios, guarda-chuvas, mãos, balanços — também se metamorfoseiam: “o guarda-chuva virou asa de dragão, virou mão, virou casco”. Nas mãos de Maas, as imagens se desfazem enquanto se formam.

Para além da figuração, o que pulsa ali é a experiência do próprio ato de pintar; um processo errático, lento, tátil. Suas obras nascem da convivência prolongada com a tela, da construção paciente de camadas, de interrupções e hesitações. “Se depender de mim, a pintura nunca está pronta”, diz.

A paleta, agora mais sóbria, marca mais um deslocamento em relação aos trabalhos anteriores. Saem sprays e tons fluorescentes, entram os azuis e rosas construídos manualmente, as transparências, as raspagens. A tinta serve tanto como cobertura quanto como revelação, em uma espécia de arqueologia do gesto.

“Na contramão da nitidez e da eficiência que regem o regime visual contemporâneo, a pintura de Luciana Maas insiste no opaco, no precário, no irresoluto”, escreve o curador Ricardo Sardenberg. A imagem, aqui, não ilustra: age. “Cada superfície é campo de tensão, onde a imagem não se afirma —sobrevive. Em vez de representar o mundo, a pintura de Maas o enfrenta: como quem tenta formar algo no escuro, entre camadas de tempo, corpo e matéria.”

Detalhes

Local

  • Sardenberg
  • Tv. Dona Paula, 134 – Higienópolis
    São Paulo São Paulo