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SUMMARY:"Bicho solto" de Luciana Maas na Sardenberg
DESCRIPTION:Obra de Luciana Maas. Crédito: Raphaela Campano\nA artista Luciana Maas apresenta sua nova individual a partir de 16 de agosto na galeria Sardenberg\, na Travessa Dona Paula\, em São Paulo. Intitulada Bicho solto\, a exposição reúne pinturas inéditas que aprofundam sua pesquisa em torno da construção e dissolução da imagem. Resultado de quase dois anos de trabalho\, a mostra propõe um embate direto com a pintura como linguagem e como matéria em telas que exibem um processo contínuo de apagar\, raspar\, refazer\, deixar aparecer. A curadoria é de Ricardo Sardenberg. \nEm sua trajetória\, Maas investiga a tensão entre gesto\, corpo e superfície. Se antes\, essa tensão era experimentada a partir de tênis e balanços\, em Bicho solto ela ganha novos desdobramentos: bichos\, vultos\, cabos de guarda-chuva e silhuetas de figuras humanas\, que emergem como sobreviventes de uma batalha pictórica. A imagem nunca se afirma completamente\, mas resiste —como rastro ou fantasmagoria. Meio como encontrar figuras em nuvens\, como diz a artista. \n“Os bichos apareciam e eu apagava. Agora\, deixei eles ficarem.” Esses seres imprecisos\, —dragões\, peixes-boi\, beija-flores\, burricos— não foram planejados\, mas surgiram do processo de pintura. Elementos recorrentes do trabalho de Maas —como fios\, guarda-chuvas\, mãos\, balanços — também se metamorfoseiam: “o guarda-chuva virou asa de dragão\, virou mão\, virou casco”. Nas mãos de Maas\, as imagens se desfazem enquanto se formam. \nPara além da figuração\, o que pulsa ali é a experiência do próprio ato de pintar; um processo errático\, lento\, tátil. Suas obras nascem da convivência prolongada com a tela\, da construção paciente de camadas\, de interrupções e hesitações. “Se depender de mim\, a pintura nunca está pronta”\, diz. \nA paleta\, agora mais sóbria\, marca mais um deslocamento em relação aos trabalhos anteriores. Saem sprays e tons fluorescentes\, entram os azuis e rosas construídos manualmente\, as transparências\, as raspagens. A tinta serve tanto como cobertura quanto como revelação\, em uma espécia de arqueologia do gesto. \n“Na contramão da nitidez e da eficiência que regem o regime visual contemporâneo\, a pintura de Luciana Maas insiste no opaco\, no precário\, no irresoluto”\, escreve o curador Ricardo Sardenberg. A imagem\, aqui\, não ilustra: age. “Cada superfície é campo de tensão\, onde a imagem não se afirma —sobrevive. Em vez de representar o mundo\, a pintura de Maas o enfrenta: como quem tenta formar algo no escuro\, entre camadas de tempo\, corpo e matéria.”
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