Estudo comprova que engajamento com arte e cultura desacelera o envelhecimento biológico

Pesquisa britânica publicada no periódico Innovation in Aging aponta que participar de atividades artísticas e culturais ao menos uma vez por semana reduz o ritmo do envelhecimento em 4%

Foto: Burcu Elmas / Pexels

Ir a museus, cantar, dançar, fotografar ou simplesmente visitar um patrimônio histórico pode fazer mais pelo seu corpo do que parece. Um novo estudo publicado no periódico Innovation in Aging, conduzido no Reino Unido, sugere que o engajamento com arte e cultura é capaz de desacelerar o relógio biológico e melhorar a saúde de forma mensurável.

“Os resultados demonstram o impacto das artes na saúde em nível biológico”, afirmou Daisy Fancourt, autora principal do estudo e chefe do grupo de pesquisa social e comportamental da University College London. “Eles fornecem evidências para que o engajamento artístico e cultural seja reconhecido como um comportamento promotor de saúde, de forma similar ao exercício físico.”

A pesquisa avaliou quatro tipos de atividade: artes participativas (como cantar, dançar, pintar, fotografar e artesanato), artes receptivas (como visitar exposições e eventos), visitas a patrimônios históricos (parques, edifícios e monumentos) e outras atividades culturais (museus, bibliotecas e arquivos). Os resultados indicam que pessoas que praticam alguma dessas atividades ao menos uma vez por semana apresentam uma desaceleração de 4% no envelhecimento biológico. Quem o faz uma vez por mês registra redução de 3%.

Vale destacar que envelhecer mais devagar não equivale necessariamente a viver mais. Os chamados “relógios epigenéticos” usados no estudo são preditivos de morbidade e mortalidade futuras, mas os autores reconhecem que seriam necessárias mais pesquisas para estabelecer uma relação causal com a longevidade.

O estudo também aponta mecanismos pelos quais a cultura age no organismo: ouvir música, por exemplo, ativa genes relacionados à secreção de dopamina, à função sináptica e à neurogênese. Além disso, atividades culturais promovem identificação social e senso de pertencimento a uma coletividade, fatores cruciais para o enfrentamento do estresse e o fortalecimento da resiliência psicológica.

Os autores concluem que as evidências justificam a integração das atividades artísticas e culturais nas políticas públicas de saúde, “apresentando um caminho acessível e enriquecedor para um envelhecimento saudável.”

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