Como ficou o pavilhão brasileiro nesta Bienal de Veneza?

O AQA traz algumas imagens recentemente divulgadas do pavilhão, que conta com obras de Adriana Varejão e Rosana Paulino

As primeiras imagens do Pavilhão Brasileiro na 61ª Bienal de Veneza chegam antes da abertura oficial e já mostram um pouco do que Rosana Paulino e Adriana Varejão construíram em “Comigo Ninguém Pode”, com curadoria de Diane Lima.

Formada por uma fachada escura que acompanha recortes brancos em forma de flores e um portal de entrada revestido por azulejos em espiral azul e branca, Adriana Varejão traz um conjunto de obras que utilizam do azulejo — material trazido ao Brasil pela colonização portuguesa — como superfície de conflito. As placas de Varejão que revestem o teto dos corredores de entrada alternam entre azuis serenos e vermelhos violentos, com figuras barrocas retorcidas que parecem prestes a romper o suporte. O azulejo como pele, e a pele como arquivo do que foi imposto.

No interior, a instalação de Rosana Paulino ocupa o espaço lidando com o peso de cada material escolhido. Vergalhões enferrujados formam cercados sobre areia e cascalho; retratos de mulheres negras — suspensas em tule, penduradas nos ganchos metálicos — habitam o espaço como presença ou memória. E, na parede ao fundo, pequenas figuras em cerâmica e porcelana, fragmentos de corpos que emergem ou afundam, convivem com ninhos e formas orgânicas que crescem do chão. No exterior, uma escultura em cerâmica preta com figura em terra-cota e um torso que irrompe de uma forma oval dourada recebem o visitante.

O título da exposição — nome popular da Dieffenbachia, planta cuja seiva paralisa as cordas vocais — está inscrito no vidro da porta. Uma advertência e de uma declaração ao mesmo tempo.