
Um casarão construído em 1930 para ser a residência do imigrante italiano Alfredo Battibugli, no centro de Campinas, está sendo recuperado para se tornar a nova sede do centro cultural Fêmea Fábrica. O projeto, batizado de “Arqueologias de um Casarão”, parte de uma analogia direta com a disciplina que lhe dá nome: assim como arqueólogos escavam camadas de terra em busca de vestígios do passado, o coletivo responsável pelo espaço vem escavando as memórias acumuladas no imóvel — nos pisos de ladrilho hidráulico, nos granilites desgastados pelo tempo e nas três camadas de telhas de épocas distintas encontradas durante os reparos no telhado.
O processo de restauro foi viabilizado por editais públicos, a começar por uma verba inicial de R$ 50 mil do Programa de Ação Cultural (Proac), que permitiu os primeiros reparos e a reabertura do espaço após quase dois anos de suspensão das atividades. O tombamento do imóvel — ocorrido em 2015 — é o que permite a captação desses recursos, e tem uma história própria: foi o pintor campineiro Armando Vieira Alves, que viveu e produziu mais de 150 pinturas no casarão, quem iniciou o processo junto ao patrimônio histórico. Alves está presente na exposição coletiva em cartaz até 30 de maio, que reúne trabalhos de dez artistas residentes que investigam as camadas de memória e os vestígios materiais do edifício. Seu amigo próximo, o artista Egas Francisco, também integra a mostra.
O arquiteto e artista visual Alexandre Silveira, um dos responsáveis pelo projeto, é direto sobre a vocação do espaço: “Sempre vai ser 100% gratuito. Não faz sentido cobrar entrada para eventos de artes visuais, ainda mais na região central, onde a gente consegue uma diversidade que muitos espaços não conseguem.” Além da exposição, o Fêmea Fábrica mantém programação regular com sessões de desenho, música ao vivo e oficinas. A próxima etapa do restauro — que inclui a recuperação dos pisos históricos — ainda depende de novos editais. O coletivo já está em busca deles.