
Depois de meses de incerteza, o mercado de arte e antiguidades dos Estados Unidos teve um respiro. O escritório do Representante Comercial americano confirmou, em declaração de 23 de julho, que obras de arte, antiguidades e itens de colecionador ficam isentos do novo pacote de tarifas de 10% a 12,5% imposto contra cerca de oitenta parceiros comerciais dos Estados Unidos. A Cinoa, confederação internacional que reúne negociantes de arte e antiguidades, comemorou a decisão em nota, atribuindo o resultado, em parte, às contribuições enviadas durante o período de consulta pública por entidades do setor, entre elas a própria Cinoa, a associação britânica de antiquários e a associação internacional de numismatas profissionais. Para Peter Tompa, advogado em Washington e diretor executivo dessa última entidade, a decisão prova que, às vezes, o governo escuta.
O novo pacote tarifário nasce de uma base legal diferente da que sustentou a rodada anterior de tarifas de Trump, derrubada em fevereiro pela Suprema Corte americana, por seis votos a três, sob o argumento de que apenas o Congresso, não o presidente, tem poder para criar e alterar tarifas unilateralmente. Dessa vez, o governo recorreu à Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas contra países que praticam comércio considerado injustificável, desleal ou discriminatório, incluindo o uso de trabalho forçado. O escritório do Representante Comercial abriu investigação contra dezesseis países, incluindo China, Índia, México, Coreia do Sul e a própria União Europeia, responsáveis por 70% das importações americanas, para apurar se praticam esse tipo de conduta. Segundo o representante comercial Jamieson Greer, a medida ataca a escravidão moderna na origem, ao exigir que parceiros comerciais proíbam e fiscalizem produtos feitos sob condições análogas à exploração.
A exceção mais relevante dentro desse quadro de alívio é o Canadá. Em 20 de julho, Trump anunciou tarifas de 50% sobre importações canadenses, em resposta ao que classificou como tratamento discriminatório contra produtos americanos. E essas tarifas, diferentemente das demais, seguem valendo integralmente para arte contemporânea e histórica, antiguidades, selos, moedas e praticamente todo tipo de colecionável. É a continuidade de um problema que já vinha incomodando o setor desde o ano passado, quando tarifas de 25% sobre Canadá e México levaram negociantes canadenses a repensar sua presença em feiras americanas.