
Com mais de 60 galerias em estandes que não passam, na grande maioria dos casos, de três artistas, a ArPa é uma feira em que dá para entrar com calma, percorrer com método e, no caso de quem dispõe de tempo, sair com a sensação de ter visto tudo num único dia.
Ocupando por cinco dias a Mercado Livre Arena Pacaembu, a feira distribui essas galerias entre cinco setores — Principal, UNI, Base, Editorial e Institucional. O Principal concentra o maior volume comercial. O UNI, sob curadoria da colombiana Ana Sokoloff, organiza catorze mostras individuais. O Base aposta em duplas de artistas com relação pedagógica. E o Editorial reúne, ao lado do circuito de obras, editoras independentes que tratam o livro como peça do ecossistema da arte contemporânea.
Diante desse desenho amplo, mas legível, o AQA selecionou cinco estandes que merecem atenção especial na visita. São apresentações com peso curatorial distinto e, em alguns casos, um tanto ambiciosos. Cinco apostas — algumas em chave mórbida, outras em chave de delírio e até de revisão histórica — que, juntas, dão uma noção do vem pela frente na 5ª edição da ArPa.
Casa Triângulo – B1
Ainda que esteja entre os poucos estandes da ArPa que levaram mais de três artistas, a Casa Triângulo reúne uma marcha fúnebre na sua seleção para a feira. Com trabalhos de Assume Vivid Astro Focus (AVAF), Eduardo Berliner, Lucas Simões e Max Gómez Canle, o conjunto é quase uma ode aos cadáveres e um confronto com o peso de pensar na morte. Dá para chamar praticamente de uma exposição dentro de um estande.
Marco Zero – B4
A Marco Zero acerta novamente, dessa vez com o estande “Mundo cão”, uma coletiva curada por Daniel Donato dos artistas Artur Bombonato e Gustavo Diogenes, representados pela galeria, junto a Nicholas Steinmetz. Divertida e, ao mesmo tempo, um tanto assustadora, a reunião traz pinturas e relevos de chão – evocando um misto entre cachorros, dragões e alguma outra coisa.
Calvaresi & Isla Flotante – C3
Em parceria, as duas galerias argentinas trazem um estande com trabalhos da brasileira Ana Prata junto às argentinas Dignora Pastorello e Mariela Scafati. O conjunto esclarece tanto relações entre a pintura dos dois países quanto dá forma a certo ar de suspensão no percurso da feira quando nos deparamos com cores e paisagens tão sutis.
Pinakotheke – D3
Com um solo de Farnese de Andrade, a galeria carioca – que recentemente abriu sede em São Paulo – apresenta um conjunto fora da curva de trabalhos do já falecido artista mineiro. É costume da Pinakotheke levar obras de peso para feiras. E, quando trabalhos de um mesmo artista são colocados lado a lado, as obras parecem adquirir ainda mais força.
Central – U2
O estande da central consiste em um solo de Raphael Tepedino. O estande pesa a barra do setor Uni, e certamente é o que mais me chamou atenção em todo o setor. Isso não só pela consistência do diálogo entre os trabalhos, mas também pela qualidade de cada uma das obras selecionadas. Um ponto alto da feira, sem dúvida.




