Wellcome Collection transfere 2 mil manuscritos jainistas para comunidade religiosa, mas peças ficam no Reino Unido

Considerado o maior acervo de manuscritos jainistas fora da Ásia do Sul, o conjunto será transferido para a Universidade de Birmingham após anos de diálogo com o Instituto de Jainologia

Foto: Cortesia Wellcome Collection

A Wellcome Collection, em Londres, anunciou nesta sexta-feira a transferência de 2 mil manuscritos jainistas para a comunidade religiosa. A decisão, porém, tem uma particularidade: as peças não irão para o Paquistão, de onde muitos dos documentos foram adquiridos há um século, nem para a Índia, onde vive a maior parte dos jainistas no mundo. O destino será a Dharmanath Network in Jain Studies, da Universidade de Birmingham, instituição fundada em 2023 e financiada por comunidades jainistas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Índia.

O acervo reúne manuscritos produzidos entre os séculos 15 e 19, escritos em diversas línguas e sistemas gráficos, como prácrito, sânscrito, gujarati e hindi antigo. Os textos abordam religião, medicina, literatura e cultura jainista. Entre os destaques está uma cópia do século 16 do Kalpasutra, um dos textos mais importantes do jainismo, e um documento do movimento de independência indiano que critica as bases éticas do colonialismo britânico.

Cerca de 1.200 dos 2 mil manuscritos foram adquiridos em 1919 por Henry Wellcome, fundador da instituição, de um único templo cuja identidade nunca foi registrada, localizado numa região do Punjab hoje próxima à fronteira com o Paquistão. Os outros 800 vieram de múltiplas fontes no atual território paquistanês. Estima-se que Wellcome tenha pago cerca de 5 rúpias por manuscrito, o equivalente a aproximadamente 18 mil libras em valores atuais.

Para Mehool Sanghrajka, administrador do Instituto de Jainologia, a decisão é “corajosa” e serve de modelo para outras comunidades religiosas, especialmente considerando que muitos desses documentos provavelmente não teriam sobrevivido à turbulência da Partição, quando a maioria dos jainistas foi expulsa do Paquistão.

“Acreditamos que, em vez de julgar eventos históricos com olhos modernos, devemos encontrar formas de colaboração para transformar a pesquisa jainista e devolver à comunidade o acesso ao seu patrimônio cultural”, disse Sanghrajka.

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