
A Neue Galerie, a instituição que o filantropo Ronald S. Lauder abriu em 2001 num casarão Beaux-Arts da Quinta Avenida e que abriga a coleção mais importante de modernismo austríaco e alemão fora da Europa, será incorporada ao Metropolitan Museum of Art em 2028. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14), duas semanas antes do fechamento temporário da galeria para reformas, previsto para 27 de maio. A reabertura está marcada para o outono, a tempo de celebrar os 25 anos da instituição em novembro.
Como parte do acordo, Lauder e sua filha Aerin Lauder Zinterhofer doarão treze obras de modernismo alemão e austríaco de suas coleções pessoais à instituição combinada. Entre as peças estão trabalhos de Otto Dix, George Grosz, Christian Schad e Gustav Klimt — incluindo Der Schwarze Federhut (1910). O edifício de seis andares na esquina da Quinta Avenida com a 86th Street, conhecido como William Starr Miller House, passará a se chamar Met Ronald S. Lauder Neue Galerie e continuará abrigando a coleção, a programação e o restaurante Café Sabarsky, batizado em homenagem a Serge Sabarsky, o marchand que concebeu a galeria junto com Lauder e morreu cinco anos antes de sua abertura.
A fusão amplia de forma significativa o acervo do Met no segmento de arte austríaca e alemã do início do século XX. Entra no acervo permanente o conjunto excepcional de obras que inclui o icônico Retrato de Adele Bloch-Bauer I (1907), de Klimt — uma das pinturas mais reconhecidas do modernismo europeu —, além de trabalhos de Egon Schiele, Gabriele Münter, Oskar Kokoschka, Ernst Ludwig Kirchner, Max Beckmann e Josef Hoffmann.
A relação de Lauder com o Met é antiga. Em 2020, o filantropo fez uma doação prometida de 91 peças de armaduras e armas europeias, em reconhecimento à qual as áreas de exibição dessas coleções no museu foram batizadas com seu nome. Mais de duas dezenas de membros do conselho do Met contribuíram financeiramente para viabilizar a operação, lideradas pela conselheira histórica Marina Kellen French. Lauder e Lauder Zinterhofer também sustentarão um fundo patrimonial destinado à preservação de longo prazo da Neue Galerie e prometeram recursos adicionais para custear a integração entre as duas instituições. Um conselho consultivo conjunto será formado para conduzir a fusão, presidido inicialmente pelo próprio Lauder.
“A fusão com o Met em 2028 preservará e fortalecerá o legado da Neue Galerie em perpetuidade”, escreveu Lauder em carta divulgada com o anúncio. “Sob a direção de Max Hollein, o Met continua sendo não apenas um dos grandes museus do mundo, mas um guardião firme da cultura, da memória e da identidade.” Hollein, diretor e CEO do Met, retribuiu o gesto em comunicado: “Ronald Lauder é um colecionador como nenhum outro. Entre suas muitas áreas de conhecimento, a arte austríaca e alemã do fin de siècle é a mais próxima de seu coração. Ele estabeleceu um museu que é, ele próprio, uma obra de arte.”
A operação consolida uma tendência institucional importante para o cenário cultural americano: a integração de coleções privadas excepcionais à infraestrutura de grandes museus, num momento em que custos de operação, segurança e preservação patrimonial pesam cada vez mais sobre instituições de menor porte. O caso da Neue Galerie é particularmente significativo porque trata-se de uma fusão entre duas instituições já vizinhas — separadas por poucos quarteirões na Quinta Avenida — e culturalmente complementares. Para o Met, ganha-se uma coleção que preenche uma lacuna histórica importante. Para a Neue Galerie, garante-se a continuidade de um projeto que, sem essa estrutura, ficaria exposto às incertezas que rondam museus monográficos no mundo todo.