
São Paulo ganha em maio um novo endereço para as artes. A Pinakotheke inaugura no dia 18 sua sede na capital paulista com uma exposição de fôlego: “Surrealismos: arte para além da razão” reúne cerca de 100 obras de 60 artistas numa casa dos anos 1930 em Higienópolis, restaurada para a ocasião pelo arquiteto Luciano Dalla Marta, que também assina um pavilhão novo integrado ao imóvel.
A curadoria é de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, e o plural no título já diz muito sobre a proposta: não se trata de reconstituir o surrealismo canônico das décadas de 1920 e 1940, mas de mapear suas ramificações e reinterpretações ao longo de todo o século 20. A ideia amadureceu por dez anos, depois que Perlingeiro visitou uma retrospectiva de Magritte no Centre Pompidou e mergulhou numa pesquisa que atravessou literatura, cinema e psicanálise.
O percurso se distribui pelos dois andares do espaço. Embaixo, a ênfase recai sobre o surrealismo latino-americano, com destaque para uma sala dedicada a Maria Martins e suas esculturas e gravuras dos anos 1940 e 1950. No andar superior, os grandes nomes europeus e norte-americanos: Magritte, Picasso, Giacometti, De Chirico, Escher. Louise Bourgeois ganha sala própria. O percurso ainda inclui vídeos de artistas brasileiras como Letícia Parente e Lenora de Barros, e trechos de “Un Chien Andalou” (1929) e “Le Sang d’un poète” (1932).
A mostra fica em cartaz até 15 de agosto.