Morre Bruno Bischofberger, o marchand de Warhol e Basquiat que ajudou a escrever a história da arte contemporânea

Fundador de uma das galerias mais importantes da Suíça, ele foi o arquiteto da parceria entre Warhol e Basquiat e representou nomes como Richter, Judd e Schnabel ao longo de seis décadas

Foto: Luc Castel/Getty Images

Bruno Bischofberger, um dos mais influentes marchands da segunda metade do século XX, morreu no último sábado, aos 86 anos. O anúncio foi feito pela sua galeria em Zurique, fundada em 1963 e ainda hoje referência no circuito internacional.

Mais do que um negociante de arte, Bischofberger foi uma figura que moldou trajetórias. Foi ele quem aproximou Andy Warhol de Jean-Michel Basquiat, em 1982, e quem, dois anos depois, propôs a série de pinturas colaborativas que se tornariam algumas das obras mais icônicas — e valiosas — da arte americana. Uma delas foi a leilão em 2024 e alcançou US$ 19,4 milhões. A parceria entre os dois artistas foi tema de grande exposição na Fondation Louis Vuitton, em Paris, em 2023.

Com Warhol, a relação foi especialmente próxima. Os dois se conheceram em Nova York em 1966, e Bischofberger chegou a adquirir 25% da revista Interview, cofundada pelo artista, além de atuar como produtor do filme L’amour, em 1970. Warhol lhe concedeu direito de preferência sobre sua produção — privilégio que manteve até a morte, em 1987.

A galeria homônima de Bischofberger expôs, ao longo das décadas, nomes como Gerhard Richter, Sol LeWitt, Donald Judd, Bruce Nauman, Francesco Clemente, Julian Schnabel e George Condo. Por um período, foi também a principal representante de Basquiat em vida. No filme Basquiat (1996), de Julian Schnabel, o marchand foi interpretado por Dennis Hopper.

Nascido em Zurique em 1940, Bischofberger estudou história da arte, etnografia e arqueologia na Universidade de Zurique. Ao longo da vida, reuniu uma extensa coleção de objetos de design — de Le Corbusier a Jean Prouvé —, instalada num complexo de 23 mil metros quadrados numa antiga fábrica da cidade, reinaugurado em 2015 com uma exposição de Miquel Barceló.

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