
Os pavilhões da Lituânia, Letônia e Estônia na Bienal de Veneza 2026 anunciaram uma iniciativa conjunta de apoio a trabalhadores da cultura ucranianos, ampliando a mobilização política que atravessa a atual edição da mostra.
A ação prevê suporte financeiro, institucional e logístico para artistas e profissionais da cultura da Ucrânia afetados pela guerra, além de uma série de atividades voltadas à preservação da produção cultural ucraniana em meio ao conflito. A iniciativa também busca chamar atenção para os impactos da invasão russa sobre instituições culturais, acervos e patrimônios históricos do país.
O gesto ocorre em um momento particularmente tensionado da Bienal. A edição de 2026 vem sendo marcada por protestos, greves e manifestações relacionadas à presença dos pavilhões da Rússia e de Israel, transformando a mostra em um dos eventos culturais mais politicamente carregados dos últimos anos.
Os países bálticos têm adotado uma postura crítica em relação ao retorno da Rússia à Bienal. Antes mesmo da abertura da exposição, ministros da cultura e representantes de mais de 20 países europeus assinaram uma declaração pedindo a revisão da participação russa no evento. A iniciativa foi liderada justamente pela Letônia e recebeu apoio oficial da Lituânia e da Estônia.
Durante a abertura do pavilhão lituano, a ministra da Cultura Vaida Aleknavičienė afirmou que a arte funciona como uma linguagem capaz de fortalecer comunidades e preservar identidades em tempos de crise. A declaração foi acompanhada pela assinatura de um documento conjunto condenando o que os países participantes descrevem como uma tentativa sistemática de destruição da memória cultural ucraniana.