Greve inédita ameaça abertura da Bienal de Veneza em meio a protestos contra participação de Israel

Trabalhadores da cultura, artistas e coletivos internacionais convocaram paralisação de 24 horas durante a semana inaugural da mostra

Foto: Massimiliano Donati/Getty Images

A abertura da 61ª Bienal de Veneza está sendo marcada por uma escalada de protestos e tensões políticas. Trabalhadores da cultura, artistas, sindicatos e coletivos internacionais anunciaram uma greve de 24 horas para o dia 8 de maio, em oposição à participação de Israel na mostra. A paralisação, descrita por organizadores como inédita na história da Bienal, promete impactar atividades e eventos durante a semana inaugural.

A mobilização é organizada por grupos como a Art Not Genocide Alliance, que acusa a Bienal de legitimar a presença de países envolvidos em conflitos e violações de direitos humanos. Além da greve, manifestações e atos públicos vêm ocorrendo nos arredores dos Giardini e do Arsenale desde os dias de pré-abertura da exposição.

Os protestos acontecem em um contexto já conturbado para a edição de 2026. Nas últimas semanas, a Bienal enfrentou a renúncia de membros do júri internacional após divergências sobre a participação de Israel e Rússia, além de críticas de artistas, curadores e instituições culturais.

A pressão sobre o pavilhão israelense se soma também às manifestações contra o retorno da Rússia à Bienal. Nesta semana, integrantes do coletivo Pussy Riot participaram de um protesto que levou ao fechamento temporário do pavilhão russo.

Mais de 200 artistas e profissionais envolvidos na Bienal já assinaram cartas pedindo a exclusão de Israel da mostra, ampliando um debate que vem atravessando o circuito internacional da arte desde o início da guerra em Gaza.

A edição de 2026 da Bienal de Veneza, concebida originalmente pela curadora Koyo Kouoh antes de sua morte em 2025, já vinha sendo observada como uma das mais politicamente tensionadas da história recente da exposição. Agora, a convocação da greve transforma a abertura da mostra em mais um capítulo do embate entre arte, diplomacia e ativismo internacional.

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