O pavilhão israelense na Bienal de Veneza foi fechado na tarde desta quarta-feira depois que dezenas de artistas e trabalhadores culturais se reuniram em frente ao espaço para protestar contra a presença do país na mostra. A manifestação, organizada pelo grupo Art Not Genocide Alliance (ANGA), começou às 12h30 durante os dias de pré-abertura, acessíveis principalmente a profissionais do meio artístico e convidados.
Os manifestantes desdobraram faixas e distribuíram panfletos com os dizeres “não ao pavilhão do genocídio” e “fim da diplomacia cultural agora”. Alguns usavam keffiyehs e agitavam bandeiras palestinas, enquanto entoavam palavras de ordem como “no art washing”, “shut it down” e “silence is complicity”. Guardas de segurança agiram rapidamente para fechar o pavilhão, e policiais italianos assumiram posição em frente às portas. Embora os manifestantes tenham se dispersado em menos de uma hora, o espaço permaneceu fechado por aproximadamente mais 90 minutos.
Em nota, o ANGA lembrou que o pavilhão israelense também havia sido fechado em 2024 por pressão da organização — e que segue fechado até hoje em seu endereço histórico nos Giardini. Para esta edição, a Bienal realocou Israel para um espaço alternativo no Arsenale. “Essa não é uma decisão administrativa neutra — é apoio institucional ativo a um Estado que comete genocídio”, afirmou o grupo.
O protesto desta quarta aconteceu na véspera de uma greve cultural programada para durar 24 horas, que o ANGA coordena com sindicatos de trabalhadores das artes e que, segundo a organização, seria a primeira greve organizada na história da Bienal. Artistas participantes seriam convocados a cobrir suas obras e equipes de pavilhões a fechar as portas, com ato público previsto para as 16h30 em frente aos Giardini.
Até o momento, 236 artistas, curadores e trabalhadores participantes da Bienal assinaram carta pedindo a exclusão de Israel da mostra — entre eles o artista Alfredo Jaar, presente na exposição principal, e Yto Barrada, que representa o pavilhão francês. Na Bienal de 2026, Israel é representado por Belu-Simion Fainaru, com a escultura Rose of Nothingness, uma grande obra de água que escorre, instalada no Arsenale.

