Inhotim aos 20 anos: três inaugurações abrem a programação comemorativa

Dalton Paula, davi de jesus do nascimento e Lais Myrrha estreiam obras que marcam o início das celebrações do aniversário da instituição mineira

Foto: Cortesia do Instituto Inhotim

Ao completar 20 anos de abertura ao público, o Instituto Inhotim reafirma sua posição como uma das instituições culturais mais singulares do país. Ao longo de duas décadas, a instituição consolidou um modelo próprio, em que arte contemporânea, paisagem, educação e pesquisa se articulam em escala rara no circuito internacional.

A programação comemorativa começa com três inaugurações. Entram em cartaz a mostra panorâmica Dupla cura, de Dalton Paula; a instalação permanente Tororoma, de davi de jesus do nascimento; e Contraplano (2026), obra inédita de Lais Myrrha.

Em Dupla cura, Dalton Paula reúne trabalhos produzidos ao longo de quase duas décadas — pinturas, esculturas, fotografias e instalações. A mostra percorre temas centrais de sua pesquisa: memória, espiritualidade, ancestralidade e processos de reparação histórica.

Tororoma, de davi de jesus do nascimento, passa a integrar o acervo em caráter permanente. Concebida especialmente para Inhotim, a instalação dialoga com a paisagem e com as dimensões simbólicas do território, mobilizando questões de cosmologia, deslocamento e as relações entre corpo, natureza e espaço.

Contraplano (2026), de Lais Myrrha, completa a tríade. Conhecida por investigar as tensões entre arquitetura, história e construção de narrativas, a artista desenvolve um trabalho site-specific que explora as camadas materiais e conceituais da experiência do lugar.

Fundado em 2006, Inhotim propôs desde o início outra lógica de fruição: obras, pavilhões e paisagem formam um percurso contínuo — uma experiência que não cabe no modelo tradicional de museu. Tornou-se referência não apenas pelo acervo, mas pela capacidade de redefinir a relação entre arte, arquitetura e natureza.

Ao longo de duas décadas, a instituição também desempenhou papel decisivo na projeção da arte contemporânea brasileira. Ao comissionar obras inéditas e oferecer condições de experimentação raramente disponíveis em instituições convencionais, permitiu que artistas pensassem além dos limites expositivos habituais. Seu território transformou-se em laboratório para projetos de longa duração.

A abertura da programação comemorativa com Dalton Paula, davi de jesus do nascimento e Lais Myrrha — artistas de diferentes gerações e trajetórias — evidencia a vocação de Inhotim para acompanhar debates contemporâneos e ampliar narrativas. Memória, território, ancestralidade e experimentação formal são os eixos em torno dos quais as três inaugurações gravitam.

Em um momento em que museus são chamados a rever seus papéis, Inhotim segue oferecendo uma resposta particular: a de um espaço em permanente transformação. Se nos últimos 20 anos a instituição ajudou a redefinir o que um museu pode ser no Brasil, sua maior potência está em continuar fazendo essa pergunta.

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