Um Philip Guston na SP-Arte

Galeria apresenta pintura do artista histórico canadense-americano, que participa da feira pela primeira vez.

Caminhando pelo corredor do segundo andar do Pavilhão da Bienal, uma pintura de Philip Guston arrebata o olhar de qualquer um que passe. Parte do estande da Almeida & Dale, o trabalho pertence ao ciclo tardio em que o artista leva ao limite sua pintura de formas grotescas e autobiográficas, resolvendo a virada figurativa que o posicionou como um nome importante da arte do pós-guerra. Mas, sendo a primeira vez em que um trabalho de Guston é apresentado na feira, a obra carrega o peso de um artista blue chip em plena revalorização institucional e mercadológica que traz à cena brasileira um capítulo importante da pintura estadunidense.

Organizado em torno de um único objeto no centro, o quadro funciona como se uma escultura improvisada tivesse sido colocada sobre um pedestal baixo e precário. E, com o corpo da figura composto por duas massas ovais encurvadas, elas terminam justapondo uma à outra de modo quase trôpego: à esquerda, um anel alongado em tons de rosa e vermelho, cheio de pontos negros que ritmam o contorno; à direita, uma forma mais espessa, vermelha, que se dobra sobre si mesma em curvas intestinais. Entre as duas, um plano vertical verde, chapado, funciona como coluna de apoio e, ao mesmo tempo, como muro que separa os volumes, dando à cena algo de maquete improvisada montada numa mesa de estúdio.

A pintura parece construída de trás para frente: primeiro um...

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