
Vermelho apresenta O Cordial, o Simpático e o Vândalo, décima exposição individual de Marcelo Cidade na galeria, com texto de Ginevra Bria. A mostra articula arquitetura, política e subjetividade para investigar as tensões entre espaço público e esfera privada, controle e resistência, interioridade e violência estrutural.
O ponto de partida é a instalação 8 de janeiro de 2023 (Engenhosidade de campo), estrutura monumental de grades de contenção instalada na fachada da galeria — evocando as estruturas removidas dos perímetros de segurança e reconfiguradas como barricadas durante os ataques de 8 de janeiro. A partir desse gesto inaugural, grades, guaritas, gavetas, carpete, garrafas plásticas e espátulas são reorganizados como signos que tensionam noções de ordem, progresso e racionalidade associadas à modernização brasileira.
O título remete às categorias de Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil: entre o cordial e o simpático, a cidade organiza relações e consolida hierarquias; o vândalo introduz fricção nesse arranjo. Entre as obras, Quartinho (1:1) apresenta recortes em carpete, em escala real, de quartos de empregados retirados de projetos da arquitetura moderna brasileira, expondo desigualdades naturalizadas na organização espacial do país. Resíduo privado de um corpo laboral explorado parte de garrafas plásticas usadas como urinóis improvisados por motoristas de aplicativos durante a pandemia, tornando visível a precarização do trabalho urbano.
