Circulação internacional da Coleção Gelman gera críticas por falta de transparência

Movimento de obras de um acervo mexicano icônico rumo à Espanha gera cartas abertas e debate sobre proteção do patrimônio cultural

Autorretrato com Colar (1933), de Frida Kahlo © 2026 Banco de México / Diego Rivera Frida Kahlo Museums Trust, Cidade do México / VEGAP. Foto: Gerardo Suter

Uma das mais importantes coleções de arte moderna mexicana, a Coleção Gelman, que reúne obras de nomes como Frida Kahlo, Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, voltou a provocar debate internacional à medida que parte de seu acervo será transferida temporariamente ao Faro Santander, em Espanha, sob gestão do Banco Santander e com apoio da família Zambrano.

O acordo, anunciado no início do ano, dá à coleção de cerca de 160 obras, incluindo 18 trabalhos de Frida Kahlo, um novo ciclo de circulação internacional, com exposições programadas na Espanha após sua passagem pelo Museo de Arte Moderno da Cidade do México.

Mas a operação desencadeou polêmica entre profissionais da arte e organizações culturais no México, que acusam as autoridades de falta de transparência na gestão dos empréstimos e no uso das leis de proteção patrimonial para obras designadas como “Monumentos Artísticos”. Alguns críticos afirmam que o anúncio dos termos do acordo só ocorreu em eventos privados, sem divulgação ampla dos detalhes legais, deixando dúvidas sobre quem efetivamente toma decisões sobre o futuro do acervo.

Em resposta, o governo mexicano e o Instituto Nacional de Bellas Artes e Literatura (INBAL) enfatizaram que as obras não foram vendidas e permanecem de propriedade de colecionadores mexicanos — o Banco Santander só atua na gestão e na organização das itinerâncias, com a coleção prevista para retornar ao México por volta de 2028 após as exposições internacionais.