
Uma carta aberta assinada por membros do Parlamento Europeu pede que a União Europeia suspenda o financiamento à Bienal de Veneza caso o pavilhão da Rússia participe da edição de 2026, intensificando a pressão internacional sobre a presença russa no evento.
Os parlamentares afirmam que financiar um evento que inclua oficialmente a representação cultural russa pode ser interpretado como legitimação política, especialmente em um momento de continuidade da guerra na Ucrânia. O documento argumenta que a participação de um Estado que “patrocina e sustenta uma ofensiva militar” contraria os valores subjacentes ao apoio europeu à cultura.
A carta foi encaminhada à direção da Bienal e ao Conselho da UE, ressaltando que fundos europeus não deveriam ser destinados a instituições ou eventos que reforcem a presença de governos envolvidos em conflitos armados. Os signatários sugerem que a suspensão do financiamento seria uma forma de posicionamento claro contra a instrumentalização cultural como ferramenta de soft power político.
O debate ganha mais relevância depois do anúncio de que o pavilhão russo pode retornar à Bienal de Veneza em 2026, após ausência nas edições anteriores motivada pela invasão da Ucrânia em 2022. A participação russa tem provocado críticas de governos, diplomatas e setores do sistema da arte, que veem o evento como espaço de disputa simbólica e política.
Até o momento, a organização da Bienal defende que a mostra deve permanecer um fórum aberto à participação internacional, independente de pressões políticas, e que a decisão final sobre a composição dos pavilhões compete aos curadores e às federações nacionais.