Após ataque em Lviv, Ucrânia pressiona por exclusão da Rússia da Bienal de Veneza

Após bombardeio em Lviv, autoridades ucranianas cobram posicionamento da Bienal diante da presença russa no evento

Foto: UNESCO © Silvan Rehfeld

Um ataque de drones russos ao centro histórico de Lviv, na Ucrânia, voltou a tensionar diretamente o campo da arte internacional. O bombardeio, que atingiu um mosteiro protegido pela UNESCO, desencadeou uma reação imediata de autoridades ucranianas, agora direcionada à participação da Rússia na Bienal de Veneza de 2026.

O ataque ocorreu em 24 de março e danificou o Mosteiro Bernardino, um complexo do século XVII localizado na área reconhecida como Patrimônio Mundial. Além do edifício religioso, outras estruturas históricas da cidade também foram atingidas, com registros de incêndios e dezenas de feridos.

A ofensiva faz parte de uma escalada mais ampla da guerra, que tem atingido não apenas infraestrutura civil, mas também marcos culturais considerados centrais para a identidade ucraniana.

Diante do episódio, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, direcionou críticas à organização da Bienal de Veneza, questionando a manutenção da participação russa no evento. Em publicação nas redes sociais, o diplomata afirmou que o ataque evidencia o “rosto bárbaro” da Rússia e pediu que a instituição reavalie sua posição.

A fala se insere em um contexto já marcado por controvérsias: a possível presença da Rússia na edição de 2026 vem sendo amplamente criticada por agentes do sistema da arte e por governos europeus, que veem a Bienal como um espaço de disputa simbólica e diplomática.

Desde o início da invasão em larga escala, em 2022, centenas de instituições culturais ucranianas foram danificadas ou destruídas, um cenário que tem mobilizado organismos internacionais e reforçado o debate sobre o papel da cultura em contextos de guerra.

Ao conectar diretamente o ataque em Lviv à presença russa na Bienal, o episódio evidencia como o evento veneziano, historicamente estruturado em pavilhões nacionais, segue operando como um território onde arte e geopolítica se entrelaçam de forma cada vez mais explícita