A Galeria Pedro Cera, em Lisboa, apresenta Rupeequul Kaajuleew / Vientre de los Cosmos, exposição de arte do artista maia Tz’utujil Manuel Chavajay. A mostra parte dos saberes ancestrais das comunidades indígenas da região do Lago Atitlán, na Guatemala, articulando arte contemporânea e cosmovisão maia, baseada em uma relação espiritual e cíclica com a natureza, o tempo e o universo.
Em contraposição às epistemologias ocidentais marcadas pela racionalidade linear, Chavajay incorpora o sistema ritualístico Tzolk’in — calendário sagrado de 260 dias — como estrutura conceitual para refletir sobre interdependência cósmica, memória ancestral e continuidade da vida.
As esculturas apresentadas integram kuku, jarros cerâmicos tradicionalmente utilizados em rituais indígenas, reinterpretados pelo artista como corpos simbólicos que carregam energia vital e conhecimento espiritual. Dispostas sobre estruturas de madeira envoltas em fibras naturais, as obras evocam numerologias sagradas e princípios de equilíbrio presentes na cosmologia maia.
Ao unir escultura, pintura e pensamento cosmológico, Chavajay propõe uma experiência sensível que reafirma a identidade indígena e a dimensão espiritual da relação entre humanidade, território e cosmos.
