A Fundação Bienal de São Paulo anunciou nesta semana a equipe curatorial completa da 37ª Bienal de São Paulo, prevista para setembro de 2027. Ao lado dos curadores-chefes Amanda Carneiro e Raphael Fonseca, únicos brasileiros do grupo, estão cinco curadores internacionais — Ana Salazar Herrera, Léuli Eshrāghi, Rado Ištok, Ryan Inouye e Yina Jiménez Suriel — e duas assistentes de curadoria, Amanda Tavares e Mayara Carvalho. São nove profissionais, quatro continentes, pelo menos seis línguas.
O grupo é geograficamente disperso e conceitualmente diverso. Ana Salazar Herrera é uma curadora equatoriana e portuguesa que explora subjetividades nômades, poli-linguísticas e transculturais, e é fundadora da plataforma Museum for the Displaced. Léuli Eshrāghi, de origem iraniana e samoana, é pesquisador e artista radicado na Austrália, reconhecido por seu trabalho com práticas indígenas do Pacífico. Rado Ištok é curador eslovaco com passagem pelo New Museum de Nova York e pela documenta fifteen. Ryan Inouye é curador e pesquisador norte-americano com trajetória na América Latina. Yina Jiménez Suriel é curadora dominicana especializada em práticas do Caribe e suas diásporas.
A composição reflete uma aposta deliberada na curadoria como prática coletiva e multilíngue — e, implicitamente, uma crítica ao modelo da curadoria autoral que dominou as grandes bienais por décadas. Para Carneiro e Fonseca, “formar esta equipe é também afirmar um modo de trabalho baseado em relações, escuta, dedicação aos artistas e atenção às condições que tornam cada prática possível.” A frase tem o tom de um manifesto discreto: curadoria como postura ética, não como autoridade intelectual.
O anúncio chega num momento de pressão sobre as grandes bienais. A Bienal de Veneza atravessa sua crise mais grave em décadas, com renúncia coletiva de júri, processos judiciais e protestos que embaralharam a fronteira entre curadoria e política. São Paulo, que abriu mão de convidar artistas de países que boicotaram a Bienal durante a ditadura militar e carrega na própria história as marcas desse tipo de tensão, aposta numa edição que se apresenta como plural por construção — não por declaração.
O tema da 37ª Bienal ainda não foi anunciado. A abertura está prevista para setembro de 2027.
