O Louvre anunciou nesta segunda-feira (18) os escritórios responsáveis pela maior expansão de sua história — um projeto orçado em mais de € 1 bilhão (US$ 1,2 bilhão) batizado de Nouvelle Renaissance. Selldorf Architects, sediado em Nova York, e Studios Architecture Paris vão liderar o projeto, anunciado originalmente pelo presidente Emmanuel Macron no início de 2025 e agora confirmado pelo novo diretor do museu, Christophe Leribault, que assumiu o cargo neste ano após a saída de Laurence des Cars.
A expansão é uma resposta direta à crise estrutural que o Louvre vem enfrentando há mais de uma década. O museu mais visitado do mundo opera muito acima de sua capacidade, com infraestrutura comprometida, gargalos crônicos de segurança e problemas operacionais que ficaram escancarados nos últimos doze meses — período em que a instituição foi alvo de um roubo de US$ 102 milhões, um esquema de fraude na bilheteria de US$ 11,8 milhões, vazamentos de água que danificaram obras, greves de funcionários e a mudança apressada na direção. A Nouvelle Renaissance se apresenta como o gesto institucional capaz de virar essa página.
O projeto prevê a abertura de uma nova entrada para o museu, capaz de absorver três milhões de visitantes adicionais por ano, e uma sala expositiva exclusiva para a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci — espaço de 3.000 metros quadrados (33 mil pés quadrados) dedicado a desafogar o atual gargalo que se forma diante da obra mais visitada do mundo, hoje exibida na Salle des États ao lado de outras pinturas italianas do Renascimento. Em entrevista ao Le Monde no início de maio, Leribault definiu o projeto como “crucial e necessário” e afirmou que, embora alguns ajustes possam ser feitos para reduzir gastos, “o custo não pode ser substancialmente reduzido”.
A escolha dos arquitetos carrega peso simbólico. Selldorf Architects é liderado pela alemã Annabelle Selldorf, uma das arquitetas mais requisitadas do circuito museológico internacional nas duas últimas décadas, responsável pela recente reforma do Sainsbury Wing da National Gallery de Londres, pelo redesenho da Frick Collection em Nova York (reaberta em abril de 2025), e por intervenções no Smithsonian American Art Museum e na Art Gallery of Ontario. A Studios Architecture Paris é o braço francês de um escritório fundado em San Francisco em 1985, que colaborou com Frank Gehry na execução da Fondation Louis Vuitton, em Paris.
Permanece, porém, uma sombra sobre o projeto: o financiamento. A estimativa original de des Cars, ex-diretora do museu, era de cerca de € 270 milhões (US$ 315 milhões). A autoridade nacional de auditoria da França projetou um custo de € 1,1 bilhão (US$ 1,3 bilhão). Assessores do próprio Macron estimaram um valor intermediário, de até € 800 milhões (US$ 932 milhões). A discrepância entre essas cifras revela um problema que o Louvre terá de resolver nos próximos meses: ou supera um déficit substancial de captação, ou redimensiona o escopo da intervenção. Críticos da Nouvelle Renaissance argumentam que o projeto prioriza gestos arquitetônicos chamativos em detrimento de obras de manutenção urgentes. Mas, do ponto de vista institucional, depois do ano que o museu acaba de atravessar, a Nouvelle Renaissance funciona menos como ambição estética do que como necessidade existencial.
