Ministro da Cultura da Itália pede renúncia de representante da Bienal de Veneza após polêmica com pavilhão russo

Decisão ocorre em meio à controvérsia sobre o retorno da Rússia à Bienal de Veneza de 2026, que já gerou críticas internacionais e ameaças de corte de financiamento europeu.

Foto: Stefano Mazzola/Getty Images

A disputa da participação da Rússia na 61ª Bienal de Veneza ganhou um novo capítulo político. O ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, pediu a renúncia de Tamara Gregoretti, representante do governo no conselho da fundação que organiza a bienal.

A medida ocorre após a repercussão da decisão de permitir a reabertura do pavilhão russo na Bienal de 2026. O pavilhão do país havia permanecido fechado nas últimas edições depois da invasão da Ucrânia em 2022, quando artistas e curadores ligados ao país retiraram sua participação do evento.

Segundo Giuli, houve uma “quebra de confiança” após o ministério não ter sido informado com antecedência suficiente sobre a intenção de incluir novamente a Rússia na bienal. A decisão provocou críticas dentro e fora da Itália e ampliou a pressão política sobre a organização do evento.

A controvérsia ganhou dimensão internacional: a European Commission chegou a advertir que pode suspender cerca de €2 milhões em financiamento caso o pavilhão russo participe da mostra.

Diversos governos europeus e instituições culturais argumentam que permitir a presença oficial da Rússia poderia servir como plataforma de legitimação cultural durante a guerra na Ucrânia. Já a direção da bienal defende a decisão afirmando que o evento deve permanecer um espaço de diálogo artístico internacional.

A 61ª edição da Bienal de Veneza está prevista para ocorrer entre maio e novembro de 2026 e já se tornou um dos eventos mais politicamente tensionados da história recente da mostra.