Irã se retira da Bienal de Veneza após confirmação de Israel e Estados Unidos

País sai sem explicações oficiais e a edição de 2026 chega à inauguração com 100 participações nacionais — e uma crise atrás da outra

 

O Irã saiu da Bienal de Veneza, a mais importante exposição de arte do mundo, sob o pretexto da guerra conduzida por Estados Unidos e Israel. A saída foi anunciada pela própria Fundação Bienal de Veneza sem que qualquer justificativa oficial fosse apresentada — nem pelo país, nem pela instituição.

No site da mostra, o Irã é a única nação listada sem representantes artísticos. Aydin Mahdizadeh Tehrani consta como comissário do pavilhão. Com a desistência, o número de participações nacionais chegou exatamente a 100 — um a menos do que o previsto.

A saída iraniana é o capítulo mais recente de uma edição marcada por turbulências sucessivas. A júri internacional renunciou em bloco após declarar que não consideraria para os prêmios países cujos líderes enfrentassem acusações de crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional — posição que excluía diretamente Rússia e Israel. Sem júri, a Fundação transferiu a escolha dos vencedores para o público visitante, recolocando ambos os países na disputa.

O contexto geopolítico pesa sobre cada decisão. O pavilhão russo permanecerá fechado ao público por impedimentos sancionatórios. O pavilhão israelense enfrenta campanhas de boicote de artistas, curadores e governos europeus. E agora o Irã, país com longa relação de tensão com Israel e os Estados Unidos, abandona a mostra sem uma palavra de explicação — gesto que, por si só, já é uma declaração.

A Bienal tem sustentado que não possui poder para remover um país reconhecido como Estado dentro da Itália. Mas a questão que a edição de 2026 coloca com cada vez mais urgência não é jurídica — é sobre até onde a neutralidade institucional consegue se sustentar quando o mundo ao redor escolhe lados.

A abertura ao público está marcada para 9 de maio, com o tema In Minor Keys, curadoria de Koyo Kouoh.