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SUMMARY:"Frans Krajcberg: reencontrar a árvore" no MASP
DESCRIPTION:Frans Krajcberg\, “A flor do mangue”\, c. 1970. Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC)\, Salvador\, Brasil. Foto: Autoria desconhecida\n\n\n\n\nO MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 16 de maio a 19 de outubro\, a exposição Frans Krajcberg: reencontrar a árvore. A mostra reúne mais de 50 obras — entre esculturas\, relevos\, gravuras e pinturas — de grandes dimensões e formatos que desafiam o convencional\, refletindo tanto o apreço do artista pela natureza brasileira quanto seu engajamento crescente com a denúncia das agressões ao meio ambiente. \nCom curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, e Laura Cosendey\, curadora assistente\, MASP\, a mostra apresenta um panorama abrangente da produção de Frans Krajcberg (Kozienice\, Polônia\, 1921–2017\, Rio de Janeiro\, Brasil). Pioneiro na integração entre arte e ecologia\, o artista se destacou por evidenciar questões ambientais no Brasil. Ao longo de sua trajetória\, desenvolveu pesquisas artísticas ramificadas em eixos temáticos\, como samambaias\, florações\, relevos e sombras. Essas investigações culminaram em obras criadas a partir de cipós\, raízes\, resquícios de troncos e madeira calcinada\, além de pigmentos naturais\, com os quais ele compõe o corpo de sua obra. \nKrajcberg rompeu com a tradição escultórica ao empregar elementos orgânicos e estruturas naturais como matéria-prima e suporte\, desafiando os limites entre representação e figuração\, além de fundir os campos da pintura\, escultura e gravura. A flor do mangue\, circa 1970\, composta por madeira residual de árvores de manguezal e pigmentada com piche\, reflete essa abordagem. Com sua grande escala e forma retorcida\, a obra sensibiliza o observador para a vulnerabilidade e a resistência do ecossistema dos manguezais. \n“De certa forma\, a escultura é a própria árvore\, ainda que resultante da justaposição de diferentes elementos naturais. A arte\, para Krajcberg\, precisa sair dos limites da moldura e reencontrar a natureza. Ele se afasta progressivamente da ideia de representar o mundo natural para incorporá-lo como corpo da obra. O caráter de denúncia emerge como um desdobramento natural desse processo\, conforme Krajcberg percebia o potencial da arte de sensibilizar e comunicar sua luta ambiental”\, comenta Laura Cosendey. \nEm 1978\, durante uma expedição pela Amazônia\, Frans Krajcberg experiencia o que chamou de “choque amazônico” diante da exuberância da floresta equatorial. Anos depois\, uma nova viagem — desta vez ao Mato Grosso — expõe o artista à devastação provocada pelas queimadas\, marcando uma virada em sua trajetória\, em que a natureza\, além de ser inspiração\, se torna causa a ser defendida. A expressão “reencontrar a árvore”\, presente em suas reflexões\, resume esse retorno da arte à natureza como fonte de criação e consciência ecológica. \nFrans Krajcberg: reencontrar a árvore integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da ecologia. A programação do ano também inclui mostras de Abel Rodríguez\, Claude Monet\, Clarissa Tossin\, Hulda Guzmán\, Minerva Cuevas\, Mulheres Atingidas por Barragens e a grande coletiva Histórias da ecologia.
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SUMMARY:"Sala de Vídeo: Tania Ximena" no MASP
DESCRIPTION:Tania Ximena\, “La Marcha del Líquen” (frame do vídeo)\, 2024\n\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta a Sala de Vídeo: Tania Ximena\, de 22 de agosto a 28 de setembro. A mostra exibe o filme La marcha del Líquen (2024)\, um dos trabalhos mais recentes da artista mexicana Tania Ximena (Hidalgo\, México\, 1985)\, já apresentado em diversos festivais e na 15ª Bienal FEMSA. A obra destaca-se pelo protagonismo da paisagem e dos ecossistemas investigados pela artista\, que parte da premissa da inter-relação entre todos os seres vivos e não vivos\, incluindo elementos geológicos e naturais que compõem a vida na Terra. \nLa marcha del Líquen é apresentada em dois canais e registra transformações em territórios geograficamente distantes\, mas intimamente conectados. O primeiro vídeo\, filmado na Antártida\, documenta o derretimento do gelo glacial e o consequente esverdeamento do território\, a partir da proliferação de líquens e musgos sobre o solo exposto. À medida que o branco polar recua — num processo natural\, porém acelerado pelas mudanças climáticas — o verde toma conta do continente antártico. \nO segundo canal\, filmado nos mangues e pântanos de Centla\, Tabasco\, no México\, acompanha a erosão costeira que levou ao desaparecimento da comunidade indígena Yokot’an de El Bosque\, impactada pela elevação do nível do mar — consequência indireta do degelo polar. Historicamente\, a região já apresentava ciclos hídricos\, mas a intensificação desses eventos levou os Yokot’an a substituir técnicas construtivas ancestrais pela alvenaria moderna. As novas estruturas\, no entanto\, não resistiram às inundações. Árvores submersas e ruínas das edificações aparecem no vídeo como vestígios da antiga ocupação de El Bosque. \nA partir desses dois contextos\, a obra propõe um olhar atento para os efeitos da emergência climática\, sugerindo que\, diante das transformações da paisagem\, são os modos de vida humanos que se tornam vulneráveis ao desaparecimento. Ao mesmo tempo\, questiona a capacidade — ou escolha — da humanidade de adaptação\, ao abandonar relações ancestrais com a terra em favor de soluções frágeis diante da força da natureza. Mais do que denunciar o aquecimento global\, a obra convida à reflexão sobre diferentes formas de habitar o planeta e sobre possibilidades de aprendizado com os ciclos naturais. \nCom curadoria de Matheus de Andrade\, assistente curatorial do MASP\, a Sala de Vídeo funciona como uma imersão nesses ambientes. A projeção ocorre em sequência: primeiro\, as imagens da Antártida ocupam a parede principal; em seguida\, a narrativa continua na tela à esquerda\, com cenas filmadas no México. Essa disposição espacial reforça a distância geográfica entre os territórios retratados e evidencia as especificidades de cada ecossistema\, ao mesmo tempo que sugere conexões entre processos distintos\, mas interligados pela crise climática. \nAs paisagens que a artista relaciona podem\, à primeira vista\, parecer desconectadas\, mas revelam vínculos profundos atravessados por tempos históricos e geológicos. Ao atribuir protagonismo à paisagem\, a obra desloca o foco da observação\, ampliando o olhar para além do humano e considerando sua inserção em um ecossistema mais abrangente\, que envolve dimensões naturais\, espirituais e sociais. \n“Outro contraste importante está nas cores dos dois canais. O primeiro é marcado pelo branco das geleiras\, que pouco a pouco se transforma em cinza\, marrom e verde. Já o segundo vídeo\, gravado em infravermelho\, apresenta uma tonalidade alaranjada que imprime outra atmosfera à paisagem\, evocando imagens futuristas ou distópicas. Ao mesmo tempo\, essas cores realçam o verde da floresta e os reflexos na água — agente central no filme\, responsável por transformar a vida tanto na Antártida quanto no México”\, afirma Matheus de Andrade. \nO segundo vídeo conta ainda com a participação de Esmeralda López Méndez\, poeta Yokot’an que narra os acontecimentos em Tabasco\, refletindo sobre a íntima relação entre território e água: “Fazer parte de algo que já não existe é o que o mar nos ensinou: que nada te pertence. Ele te desnuda\, restando apenas a lembrança do lugar onde você cresceu\, onde viveu\, onde amou. O mar levou tudo\, mas seguimos vivendo com ele. E não é nossa culpa nos alimentarmos dele\, ainda que ele também tenha levado tudo.” \nSala de Vídeo: Tania Ximena integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da ecologia. A programação da Sala de Vídeo em 2025 também inclui mostras de Janaina Wagner\, Emilija Škarnulytė\, Maya Watanabe\, Inuk Silis Høegh e Vídeo nas Aldeias.
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SUMMARY:“Histórias da ecologia” no MASP
DESCRIPTION:Aycoobo Wilson Rodríguez\, “Calendário”\, 2024. Acervo MASP\n\n\n\n\nO MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta Histórias da ecologia\, de 4 de setembro a 1 de fevereiro de 2026. A coletiva internacional ocupa todos os espaços expositivos do Edifício Pietro Maria Bardi e reúne mais de 200 obras de artistas\, ativistas e movimentos sociais de 28 países\, como Colômbia\, Islândia\, Japão\, Nova Zelândia\, Peru e Turquia. A exposição investiga a ecologia como uma rede de relações entre seres vivos e o mundo que habitam\, colocando em diálogo trabalhos de comunidades\, territórios e ecossistemas de diferentes locais ou períodos. \nA escolha curatorial se afasta da concepção de uma natureza apartada da sociedade ou que compreende o ser humano como hierarquicamente superior. “É comum que meio ambiente e ecologia sejam tratados como sinônimos. No entanto\, escolhemos ecologia para abranger um sistema de relações entre humanos e mais que humanos — animais\, plantas\, rios\, florestas\, montanhas\, fungos e minerais. Não conseguimos pensar a natureza separada do humano”\, diz André Mesquita\, curador\, MASP. \nA curadoria de André Mesquita e Isabella Rjeille\, curadores\, MASP\, revela perspectivas artísticas em comum a respeito da ecologia ou de enfrentamentos aos efeitos da crise climática global\, propondo uma reflexão política sobre o tema ao evidenciar o fator humano e as implicações de marcadores sociais da diferença\, como gênero\, raça e classe. A exposição é dividida em cinco núcleos temáticos que seguem uma ordem linear: Teia da vida; Geografias do tempo; Vir-a-ser; Territórios\, migrações e fronteiras; e Habitar o clima.  \nTeia da vida aborda diferentes percepções dessa rede de inter-relações — das cosmovisões indígenas às disputas por poder\, influência e território. A obra The Political Life of Plants (2021) retrata complexos entrecruzamentos entre as plantas e outros seres. O vídeo acompanha o artista Zheng Bo (China\, 1974) em uma caminhada por uma floresta de faias em Bradenburgo\, na Alemanha. Durante o percurso\, Bo conversa com os cientistas Matthias Rillig\, especialista em biodiversidade e ecologia do solo\, e Roosa Laitinen\, que investiga a plasticidade genética das plantas. Os temas de suas pesquisas se entrelaçam às reflexões do artista e aos sons e imagens da floresta. \nGeografias do tempo reúne olhares indígenas\, afrodiaspóricos\, rurais e urbanos sobre a terra e o cosmos\, a vida e a morte\, a regeneração e o cuidado. A obra Calendário (2024)\, de Aycoobo (Wilson Rodríguez) (La Chorrera\, Colômbia\, 1967)\, artista nonuya-muinane\, traz uma perspectiva indígena amazônica sobre a temporalidade cíclica da natureza. O desenho revela um sistema de marcação temporal que transcende a lógica linear ocidental\, associando a passagem do tempo às transformações vividas pelas árvores\, plantas\, animais e rios da floresta amazônica. Já Ana Amorim (São Paulo\, 1956) tem uma abordagem íntima e processual da temporalidade urbana. Em Passage of Time Study (2018)\, durante todas as noites\, por um período de um mês\, a artista brasileira registra o mapa do seu dia e um número localizador. O resultado é um conjunto de 31 desenhos feitos com caneta esferográfica sobre papel. \nVir-a-ser investiga as relações entre seres humanos e mais-que-humanos\, além de modos simbólicos\, espirituais e materiais que estruturam esses vínculos. A série de desenhos Tentativas de criar asas (década de 2000)\, de Rosana Paulino (São Paulo\, 1967)\, evoca seres híbridos em constante transformação – trata-se de figuras femininas que tecem teias\, rompem casulos ou ganham asas\, libertando-se de estruturas que já não lhes servem mais\, à semelhança de alguns insetos. A série fotográfica Corpoflor (2016-presente) propõe um hibridismo radical entre o corpo humano e o de outros seres da natureza. Em retratos e autorretratos\, Castiel Vitorino Brasileiro (Vitória\, ES\, 1996) revela corporalidades imprevistas que transcendem as normas de gênero e sexualidade\, criando formas de existir que resistem às categorizações binárias impostas pela sociedade. \nTerritórios\, migrações e fronteiras se debruça sobre os deslocamentos forçados\, fluxos migratórios e fronteiras físicas e sociais. A escultura Refugee Astronaut XI (2024)\, de Yinka Shonibare (Londres\, 1962)\, representa migrantes\, estrangeiros e refugiados contemporâneos. Desde 2015\, o artista produz figuras em tamanho real de astronautas nômades\, equipados com capacetes e vestidos com uma roupa espacial cujos tecidos se inspiram nos padrões africanos. Esses personagens parecem vagar sem rumo\, à deriva\, entre mundos devastados. Os astronautas de Shonibare carregam os traumas da crise climática e dos ecocídios que expulsam milhões de seus territórios de origem. \nHabitar o clima sintetiza e\, ao mesmo tempo\, amplia questões centrais presentes nos demais núcleos de Histórias da ecologia. Nele estão reunidos trabalhos de artistas\, coletivos e movimentos que investigam táticas de ocupar\, experienciar e imaginar radicalmente a cidade e o campo. A instalação inédita Descida da terra/trabalho das águas (2025)\, de Cristina T. Ribas (São Borja\, RS\, 1980)\, reflete sobre os efeitos das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024. O trabalho comissionado pelo MASP consiste em um tecido translúcido suspenso diagonalmente no espaço expositivo\, impresso com imagens que revelam como as águas redesenharam a geografia de rios\, lagos e bacias hidrográficas\, impactando mais de 650 mil pessoas.  \n“Histórias da ecologia transita entre diferentes saberes: o geológico\, o biográfico\, o ancestral\, o espiritual\, o comunitário\, o local\, o planetário. Essas intersecções ampliam a visão sobre o que está em jogo na atual crise climática — não como um evento isolado\, mas enraizado em estruturas coloniais e patriarcais que condicionam os modos de habitar o planeta”\, afirma Isabella Rjeille.  \nHistórias da ecologia é o tema do ciclo curatorial de 2025. A programação do ano também inclui as mostras de Claude Monet\, Frans Krajcberg\, Abel Rodríguez\, Clarissa Tossin\, Hulda Guzmán\, Minerva Cuevas e Mulheres Atingidas por Barragens.  \nA mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”\, palavra que engloba ficção e não ficção\, relatos pessoais e políticos\, narrativas privadas e públicas\, possuindo um caráter especulativo\, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta\, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido\, entre os programas anuais e as exposições anteriores\, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017)\, Histórias Afro-Atlânticas (2018)\, Histórias das Mulheres\, Histórias Feministas (2019)\, Histórias da Dança (2020)\, Histórias Brasileiras (2021-22)\, Histórias Indígenas (2023) e Histórias LGBTQIA+ (2024).
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