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SUMMARY:“Histórias LGBTQIA+” no MASP
DESCRIPTION:Mayara Ferrão\, “O beijo 20”\, da série Álbum dos desesquecimento. Coleção da artista e Galeria Verve. Foto: Mayara Ferrão\n\n\n\n\nO MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand conclui o ano dedicado às Histórias da Diversidade LGBTQIA+ apresentando\, de 13 de dezembro a 13 de abril de 2025\, uma mostra coletiva que ocupa três espaços expositivos do museu. A exposição Histórias LGBTQIA+ reúne mais de 150 obras de arte e centenas de documentos nacionais e internacionais. \nCom curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP; Julia Bryan-Wilson\, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea\, MASP; colaboração de André Mesquita\, curador\, MASP; e assistência de Leandro Muniz\, curador assistente\, MASP\, e Teo Teotonio\, assistente curatorial\, MASP\, a mostra é organizada em oito núcleos: Amor e desejo; Ícones e musas; Espaços e territórios; Ecossexualidades e fantasias transcendentais; Sagrado e profano; Abstrações; Arquivos; e Biblioteca Cuir.  \n“O atual cenário global para pessoas queer e trans é desigual: a aceitação\, a solidariedade e a visibilidade existem lado a lado com o ódio\, a censura e a total proibição legal em diferentes partes do mundo. Assim\, por um lado\, uma atenção maior voltada a questões Lésbicas\, Gays\, Bissexuais\, Transgênero\, Queer\, Intersexo\, Assexuais e de outras minorias (LGBTQIA+) vem criando mais oportunidades para artistas e pensadores queer e trans. Todavia\, por outro lado\, pessoas LGBTQIA+ em todo o mundo – impactadas diferentemente por sua raça\, classe\, gênero\, idade\, nacionalidade – continuam enfrentando repressão. Nesse contexto\, Histórias LGBTQIA+ reúne trabalhos que tematizam tópicos queer ou que sejam feitos por artistas\, ativistas e pesquisadores LGBTQIA+. A mostra celebra a riqueza e a multiplicidade da criatividade queer nas artes visuais”\, afirmam Julia Bryan-Wilson\, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea\, MASP\, e Adriano Pedrosa\, diretor artístico. Queer\, na língua inglesa\, originalmente significa “estranho”\, mas também\, em algum momento\, “sexualmente desviante”. Porém\, desde o final do século 20\, tem sido reivindicado por lésbicas\, gays\, bissexuais e transgêneros como um termo amplo para identificá-los. \nJustapondo o passado e a contemporaneidade\, a mostra apresenta trabalhos de diversos períodos e correntes artísticas\, evidenciando visões das histórias LGBTQIA+ que atravessam o tempo e o espaço\, e ainda apontam estratégias de resistência. Em O beijo 20 (2024)\, da série Álbum dos desesquecimentos\, a artista baiana Mayara Ferrão usa Inteligência Artificial para criar imagens que simulam fotos antigas\, inventando\, assim\, uma iconografia de histórias de lésbicas negras\, a fim de revelar narrativas que foram apagadas e imaginar novos futuros. \n“Apresentamos uma diversidade de representações\, grupos e experiências para além das imagens de subalternidade\, desumanização e hipersexualização que historicamente foram colocadas sobre as pessoas LGBTQIA+. Também temos uma diversidade enriquecedora de  estilos artísticos para pensar essa experiência do ponto de vista da arte e de possíveis revisões históricas”\, afirma Leandro Muniz\, curador assistente MASP. \nA mostra apresenta trabalhos contemporâneos que estabelecem críticas e reflexões com base nos cânones da arte. Em Duas Fa’afafine (2020)\, a artista Yuki Kihara\, de ascendência japonesa e samoana\, fotografa pessoas da comunidade trans a partir dos esquemas compositivos de Paul Gauguin (França\, 1848–1903)\, em uma crítica às famosas pinturas em que o francês representou as mulheres da Polinésia. Outro exemplo de diálogo com a tradição artística é Uma escultura para mulheres trans… (2022) da artista norte-americana Puppies Puppies (Jade Kuriki-Olivo). A obra\, produzida em bronze\, material clássico da história da arte\, reproduz em escala um para um o corpo da artista a partir de um escaneamento tridimensional.  \nA exposição também coloca em debate os estereótipos e as contradições presentes na comunidade LGBTQIA+. Uma das obras que compõem a mostra é a fotografia Night Stage Raising Crew\, Listening (2006)\, de Angela Jimenez\, que registra a montagem do palco do Michigan Womyn’s Music Festival. Criado em 1976\, o evento anual organizado por mulheres lésbicas feministas teve fim em 2015 devido às tensões causadas pela política de exclusão de mulheres trans. \nReunindo registros históricos da comunidade LGBTQIA+\, o núcleo Arquivos conta com documentos de grupos comunitários auto-organizados do Brasil — como MUTHA (Museu Transgênero de História e Arte)\, Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT–SP) e Arquivo Lésbico — e do Sul Global\, incluindo outros 12 países da Ásia\, América Latina\, África e mundo Árabe. \nHistórias LGBTQIA+ integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da diversidade LGBTQIA+. A programação do ano também inclui as mostras de Francis Bacon\, Mário de Andrade\, Catherine Opie\, Lia D Castro\, Leonilson\, dos coletivos Gran Fury e Serigrafistas Queer\, da coleção MASP Renner\, bem como mostras na Sala de Vídeo de Masi Mamani/Bartolina Xixa\, Tourmaline\, Ventura Profana\, Kang Seung Lee e Manauara Clandestina. \nA mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”\, palavra que engloba ficção e não ficção\, relatos pessoais e políticos\, narrativas privadas e públicas\, possuindo um caráter especulativo\, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta\, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido\, entre os programas anuais e as exposições anteriores\, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017)\, Histórias Afro-Atlânticas (2018)\, Histórias das Mulheres\, Histórias Feministas (2019)\, Histórias da Dança (2020)\, Histórias Brasileiras (2021-22) e Histórias Indígenas (2023).
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SUMMARY:“Renoir” no MASP
DESCRIPTION:Pierre-Auguste Renoir\, “Menina com as espigas”\, 1888. Acervo MASP\n\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe\, entre os dias 28 de março e 3 de agosto\, todas as obras de Pierre-Auguste Renoir (1841–1919) presentes em seu acervo. Cinco ensaios sobre o MASP — Renoir apresenta 12 pinturas e uma escultura no quinto andar do Edifício Pietro Maria Bardi. Esse conjunto de obras foi exposto pela última vez em 2002\, na mostra Renoir – O pintor da vida\, realizada no próprio museu.  \nCom curadoria de Fernando Oliva\, curador\, MASP\, a seleção abrange praticamente toda a carreira do artista francês. Entre as pinturas está a famosa obra Rosa e azul – As meninas Cahen d’Anvers (1881)\, que retrata Elisabeth e Alice\, filhas do banqueiro Louis Cahen d’Anvers (1837–1922)\, uma família pertencente à comunidade judaica do século XIX. Alice viveu até os 89 anos e morreu em Nice\, em 1965. Já Elisabeth teve um destino trágico. Durante a exposição de obras do MASP realizada na Fondation Pierre Gianadda\, em 1987\, na Suíça\, seu sobrinho Jean de Monbrison escreveu ao museu relatando que Elisabeth fora enviada para Auschwitz durante a Segunda Guerra e morreu a caminho do campo de concentração\, aos 69 anos.  \nO período\, conhecido como “obra tardia” de Renoir — influenciado por sua viagem à Itália\, em 1881\, que possibilitou o contato com mestres renascentistas\, como Rafael e Ticiano —\, é marcado por pinturas em tons pastéis\, sem contornos firmes e sobreposição de cores puras. Essas características podem ser observadas em Banhista enxugando a perna direita (c. 1910) e Banhista enxugando o braço direito (grande nu sentado) (1912). O tema das banhistas\, abordado por Renoir desde o início de sua carreira — como na tela A banhista e o cão griffon – Lise à beira do Sena (1870) — tornou-se central em sua produção até sua morte em 1917. \nAlém da pinturas\, a exposição apresenta Vênus vitoriosa (Venus Victrix) (1916)\, escultura produzida no período em que o artista sofria de artrite reumatoide severa. Por conta das limitações impostas pela doença\, a obra foi criada com o auxílio do jovem artista Richard Guino (1890–1973). O trabalho dialoga com a pintura O julgamento de Páris\, feita por Renoir alguns anos antes\, inspirada no episódio “Pomo da discórdia”\, da mitologia grega. \nAs obras de Renoir foram adquiridas pelo museu durante o chamado período das grandes aquisições quando\, entre o final da década de 1940 e início dos anos 1950\, Pietro Maria Bardi (1900–1990)\, diretor-fundador do MASP\, incorporou ao acervo trabalhos de artistas do cânone europeu\, em sua maioria italianos e franceses\, o que resultou no mais importante acervo de arte europeia do hemisfério sul. A coleção de Renoir constitui o maior número de trabalhos de um único artista dentre as pinturas europeias do acervo da instituição.  \nDIÁLOGO COM OS CAVALETES DE CRISTALAs pinturas de Renoir são apresentadas em suportes individuais feitos de chapas metálicas reflexivas\, com um design que inclui um recorte curvo em uma das pontas. Concebidas pela arquiteta Juliana Godoy\, essas estruturas foram criadas buscando um diálogo com os cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi e com a história do MASP.  \nOs blocos de concreto dos cavaletes originais\, que remetem ao modernismo\, nesta expografia são substituídos por uma base com dois pés de apoio\, sendo que um deles é calcado em espuma. A escolha desse material flexível propõe uma alusão ao momento contemporâneo. \nA expografia usa ainda como referência as travas desenvolvidas pelo museu para fixar as obras nos cavaletes de vidro\, e mantém a proposta de apresentar as legendas na parte posterior das telas\, convidando o visitante a passear pelo espaço.  \nRenoir\, Geometrias\, Artes da África\, Histórias do MASP e Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado integram os Cinco ensaios sobre o MASP\, série de exposições pensadas a partir do acervo do museu para inaugurar o novo Edifício Pietro Maria Bardi. 
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SUMMARY:“Histórias do MASP” no MASP
DESCRIPTION:Vincent van Gogh\, “The Schoolboy (The Postman’s Son)”\, 1888. Acervo MASP\n\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand revisita mais de sete décadas de sua trajetória na exposição Cinco ensaios sobre o MASP — Histórias do MASP\, em cartaz de 28 de março a 3 de agosto. Em um momento de expansão\, marcado pela inauguração do Edifício Pietro Maria Bardi\, a mostra\, realizada no sexto andar\, reflete sobre a história do museu e sua importância para a constituição de um projeto de museu moderno.    \nEm formato de linha do tempo\, a mostra coloca em diálogo 74 obras do acervo do MASP com uma documentação raramente exibida do Centro de Pesquisa do museu\, abrangendo fotografias\, documentos\, cartazes\, livros\, catálogos\, jornais e revistas. Essa seleção apresenta a memória da instituição de maneira didática e panorâmica\, abordando temas como a criação do museu\, a formação de seu acervo\, sua primeira sede na 7 de abril\, a mudança para a Avenida Paulista\, além de exposições e eventos que fizeram história nas últimas décadas. A curadoria é de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, Regina Teixeira de Barros\, curadora coordenadora e de acervo\, MASP\, Guilherme Giufrida\, curador assistente\, MASP\, e Laura Cosendey\, curadora assistente\, MASP. \nA exposição Cinco ensaios sobre o MASP — Histórias do MASP se desdobra pela sala expositiva e se inicia com um preâmbulo sobre o encontro de Assis Chateaubriand\, empresário que dirigia os principais canais de comunicação da época\, com o crítico e marchand Pietro Maria Bardi\, primeiro diretor artístico do MASP\, e Lina Bo Bardi\, arquiteta que projetou tanto o edifício do museu como importantes montagens expográficas.  \nO casal Bardi viajou ao Brasil em 1946 para a realização da exposição Arte italiana antiga\, no Rio de Janeiro\, mostra que reuniu muitas obras as quais\, posteriormente\, passaram a compor o acervo do MASP. Um exemplo é Virgem com o Menino e São João Batista criança (1490–1500)\, de Sandro Botticelli e ateliê\, adquirido nesse momento embrionário da coleção do museu\, além de pinturas incorporadas logo nos primeiros anos\, como As cinco moças de Guaratinguetá (1930)\, de Di Cavalcanti\, e Madame Cézanne em vermelho (1888–90)\, de Paul Cézanne.  \nA fundação do MASP\, em 1947\, na sede dos Diários Associados de Assis Chateaubriand\, e os anos seguintes são relembrados com o primeiro cartaz do museu\, desenhado por Roberto Sambonet\, vistas das primeiras exposições e fotos do desfile da Dior\, realizado no próprio espaço expositivo em 1951. A mostra também aborda o período das “grandes aquisições”\, entre 1947 e 1958\, quando o MASP incorporou a maior parte das obras que o tornaram o museu com a principal coleção de arte europeia do hemisfério sul. Nos anos 1950\, o museu realizou exposições na Europa e nos Estados Unidos\, internacionalizando a coleção e divulgando o trabalho realizado no Brasil.  \n“Organizamos a exposição a partir da data de incorporação das obras no acervo. Isso conta para o público uma outra história\, destacando como o museu estava se colocando nesse circuito e desenhando o perfil da instituição”\, explica Guilherme Giufrida. \nPara além do acervo\, a mostra aborda a crescente importância do museu para a arquitetura\, a paisagem urbana e a vida política na cidade de São Paulo. Imagens mostram a construção do icônico edifício na Avenida Paulista desde a sua inauguração\, com a presença da Rainha Elizabeth II\, em 1968. Depois de mais de 20 anos em concreto aparente\, os pórticos do edifício recebem a marcante cor vermelha. Em 1992\, as manifestações pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no vão livre reforçam a dimensão pública desse espaço para a cidade. No mesmo período\, o projeto Som do meio-dia atraiu grande público para assistir aos shows de Olodum e Daniela Mercury. \nA história mais recente do MASP\, após a aposentadoria de Bardi\, em 1992\, até os dias atuais\, também é retratada na exposição\, como a incorporação de obras para tornar o acervo mais representativo e diverso. A partir de 2014\, o museu recebeu doações que aumentaram a presença de artistas mulheres\, incluindo obras de Guerrilla Girls\, Maria Auxiliadora\, Adriana Varejão e Anna Maria Maiolino\, entre outras\, além de comodatos como o da coleção Landmann\, uma das mais representativas de arte pré-colombiana do Brasil. \n“Uma mostra como essa é um enorme desafio… abordar a história de um museu de quase 80 anos que tem uma coleção viva\, buscando responder às questões da arte dos diferentes tempos que atravessou. Estamos apresentando momentos-chave da trajetória do MASP de uma forma bastante visual”\, comenta Laura Cosendey. \nHistórias do MASP\, Artes da África\, Renoir\, Geometrias e Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado integram os Cinco ensaios sobre o MASP\, série de exposições pensadas a partir do acervo e da história do museu para inaugurar o novo Edifício Pietro Maria Bardi. 
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SUMMARY:“Artes da África” no MASP
DESCRIPTION:DOGON\, Máscara\, Século XX. Acervo MASP\n\n\n\n\nO MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 28 de março a 3 de agosto\, a exposição Cinco ensaios sobre o MASP –  Artes da África\, no terceiro andar do Edifício Pietro Maria Bardi. A mostra reúne mais de 40 obras do acervo do museu\, principalmente do século 20\, oriundas da África ocidental.  \nA curadoria de Amanda Carneiro\, curadora\, MASP\, e Leandro Muniz\, curador assistente\, MASP\, selecionou peças confeccionadas em madeira\, principalmente aquelas ligadas ao corpo ou à sua representação. O conjunto abrange estatuetas de Exu e Xangô\, objetos cotidianos\, bonecas\, tambores\, mobiliário e máscaras usadas em festividades\, rituais de iniciação\, celebração ou funerais. Embora outras apresentações desse conjunto já tenham sido realizadas\, esta é a primeira exposição que busca estabelecer uma leitura crítica e propositiva da coleção de arte africana do museu. \n“A presença da arte africana no MASP foi moldada por momentos-chave ao longo da sua história\, marcados pela realização de exposições e doações. O primeiro envolvimento notável do museu com a arte africana ocorreu em 1953\, com a exposição Arte Negra\, realizada seis anos após a abertura do MASP. Essa iniciativa foi uma das primeiras exposições de arte africana registradas em um museu brasileiro”\, afirma Amanda Carneiro. \nAs obras provêm de 17 culturas distintas\, oriundas principalmente da África ocidental\, de grupos como Guro\, Senufo e Baulê\, da atual Costa do Marfim; Dogon e Bamana\, do Mali; Mossi e Bobo\, da Burkina Faso; Baga\, da Guiné; Axante\, de Gana; Guere-Wobe\, da Libéria; Hemba\, do Congo; Mumuye\, Ibibio\, Igbo e Iorubá\, da Nigéria; além de uma peça Chokwe\, da Angola. \n“São produções muito diversas que trazem essa noção de ‘artes’ no plural para o título da exposição. Existem cerca de 500 culturas diferentes em toda a África\, portanto\, o que apresentamos é um recorte específico sobre a maneira como o MASP colecionou essas peças ao longo dos anos. Não se trata de uma mostra sobre uma identidade única continental”\, afirma Leandro Muniz.  \nEm diálogo com as peças históricas\, os artistas brasileiros biarritzzz (Fortaleza\, CE\, 1994) e Cipriano (Petrópolis\, RJ\, 1981) abordam\, em obras comissionadas para o museu\, os legados e as transformações das tradições africanas na cultura brasileira. biarritzzz expõe três vídeos: colagens digitais de fragmentos das máscaras presentes na mostra\, acompanhadas de frases que questionam sua presença em acervos de museus. A artista usa uma linguagem típica de redes sociais para transmitir ideias ou fazer críticas com humor\, chamando esse recurso de “pedagogia do meme”. Já Cipriano apresenta duas pinturas abstratas que sobrepõem cantos de religiões afro-brasileiras ligadas às tradições banto\, tronco linguístico da África central. Uma das obras faz referência ao tambor Chokwe\, de Angola\, incorporado em 2023 à coleção do MASP. \nConcebida pelo escritório de arquitetura Gabriela de Matos\, a expografia remete a dois materiais que foram fundamentais para o desenvolvimento tecnológico do continente africano: a terra\, usada especialmente em arquiteturas milenares\, e o ferro\, cuja fundição data ao menos desde 500 a.C.\, ganhando importância central em diferentes culturas africanas. As estatuetas e as máscaras são apresentadas em totens cobertos por uma tinta semelhante à terra; já a estrutura tem uma base composta por metal e acrílico espelhado preto. \nAs obras estão organizadas em conjuntos que destacam a diversidade e a inventividade formal das produções e as relações temáticas entre diferentes culturas. Sem associações cronológicas e geográficas\, a montagem incorpora as produções dos artistas contemporâneos. \nACERVOA maior parte da coleção de artes da África do MASP é composta por estatuetas e máscaras do século 20\, integradas ao museu ainda nas primeiras décadas de sua formação. Desde 1953\, seis anos após sua fundação\, o museu realizou diversas exposições sobre este tema\, como Arte Negra (1953)\, Arte Tradicional da Costa do Marfim (1973)\, Da senzala ao sobrado (1978)\, Arte contemporânea do Senegal (1981)\, Cultura Nigeriana (1987)\, África Negra (1988) e Do coração da África – Arte Iorubá (2014).  \nDuas grandes doações foram fundamentais para a formação desse acervo: do Bank Boston\, em 1998\, e da coleção Robilotta\, em 2012; ao longo do tempo também ocorreram incorporações pontuais. Para refletir sobre a história dessa coleção e das exposições sobre arte africana no MASP\, um conjunto de documentos será apresentado em uma vitrine que registra essa trajetória. \nArtes da África\, Renoir\, Geometrias\, Histórias do MASP e Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado integram os Cinco ensaios sobre o MASP\, série de exposições pensadas a partir do acervo e da história do museu para inaugurar o novo Edifício Pietro Maria Bardi. 
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SUMMARY:“Isaac Julien: Lina Bo Bardi — um maravilhoso emaranhado” no MASP
DESCRIPTION:Isaac Julien\, “Lina Bo Bardi – A Marvellous Entanglement”\, vista da exposição\, Victoria Miro Gallery\, 2019. © Isaac Julien. Cortesia do artista e Victoria Miro\, Londres\n\n\n\n\nO MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 28 de março a 3 de agosto de 2025\, a exposição Cinco ensaios sobre o MASP — Isaac Julien: Lina Bo Bardi — um maravilhoso emaranhado. Inédita no Brasil\, a videoinstalação sobre o legado de Lina Bo Bardi (1914–1992) ocupa o segundo andar do Edifício Pietro Maria Bardi. Na obra\, as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro interpretam os escritos de Lina\, dando voz às suas ideias sobre o potencial social e cultural da arte e da arquitetura\, especialmente a partir de sua experiência com a cultura afro-brasileira na Bahia.  \nCom curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, e assistência de Matheus de Andrade\, assistente curatorial\, MASP\, a videoinstalação é composta por nove projeções simultâneas que constroem uma narrativa não linear a partir da sobreposição de imagens de arquivo\, registros arquitetônicos e performances encenadas.  \nDesde os anos 1980\, Julien dirige e produz obras que refletem sobre a exibição e o significado da cultura material não europeia em museus de arte ocidentais\, unificando dança\, fotografia\, música\, teatro\, pintura e escultura. Seu trabalho revisita figuras históricas\, oferecendo novas perspectivas e subvertendo narrativas dominantes. Inspirado na visão de Bo Bardi sobre o tempo\, o título da obra apresentada deriva de uma de suas reflexões: “Mas o tempo linear é uma invenção do Ocidente\, o tempo não é linear\, é um maravilhoso emaranhado onde\, a qualquer instante\, podem ser escolhidos pontos e inventadas soluções\, sem começo nem fim”. \nFilmado em 2018 em espaços icônicos projetados por Bo Bardi em São Paulo — no MASP\, no Sesc Pompeia e no Teatro Oficina — e em Salvador — incluindo o Museu de Arte Moderna\, o Restaurante Coaty e o Teatro Gregório de Mattos —\, o filme conta com a participação do Balé Folclórico da Bahia\, do coletivo ÀRÀKÁ\, de Salvador\, e do ator\, diretor e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa (1937–2023)\, cofundador do Teatro Oficina de São Paulo\, que trabalhou em colaboração estreita com Lina. \nAs projeções são dispostas em telas com diferentes suportes. Algumas são fixadas à parede\, enquanto outras apoiam-se em cubos de concreto\, uma referência aos cavaletes de cristal idealizados pela arquiteta para o MASP. A estrutura simboliza a ideia de um museu aberto e transparente\, que possibilita um encontro mais próximo do público com as obras de arte. Já a trilha sonora original\, composta por Maria de Alvear\, reforça o caráter imersivo e sensorial da instalação. \n“Para Lina Bo Bardi\, o museu não deve ser um lugar empoeirado onde se guardam resquícios da história. Os objetos expostos só têm sentido quando estão próximos do público\, sem hierarquias\, e relacionados à contemporaneidade. Refletindo sobre estes ideais\, Isaac Julien consegue transmitir a atualidade das ideias de Bo Bardi\, cuja dimensão coletiva se traduz nos espaços que ainda hoje promovem a interação diversa entre arte\, arquitetura e sociedade”\, comenta Matheus de Andrade. \nUm maravilhoso emaranhado foi exibida pela primeira vez na Victoria Miro Gallery\, em Londres\, em 2019. Agora chega ao Brasil integrando o conjunto de Cinco ensaios sobre o MASP\, exposições que inauguram o Edifício Pietro Maria Bardi e ocupam cinco de seus andares\, refletindo sobre a história e o acervo do museu. 
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