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SUMMARY:"Catherine Opie: o gênero do retrato" no MASP
DESCRIPTION:Catherine Opie\, Flipper\, Tanya\, Chloe & Harriet\, San Francisco\, California\, da série “Domestic”\, 1995. Cortesia da artista e Regen Projects; Lehmann Maupinl; e Thomas Dane Gallery\n\n\n\nO MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 5 de julho a 27 de outubro de 2024\, a exposição Catherine Opie: o gênero do retrato\, com obras de um dos principais nomes da fotografia internacional contemporânea. Catherine Opie (Sandusky\, Ohio\, EUA\, 1961) foi uma das precursoras na discussão sobre questões de gênero entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990. Sua produção dialoga com a tradição do retrato – um dos mais tradicionais gêneros da pintura ocidental – de modo a dar legitimidade a novos corpos\, subjetividades e experiências que emergem na sociedade contemporânea. Em suas fotografias\, Opie retrata diversas expressões e subjetividades de indivíduos e coletivos que se identificam com gêneros e orientações sexuais diversas\, especialmente pessoas queer.  \n\n\n\nCom curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, e Guilherme Giufrida\, curador assistente\, MASP\, a mostra é a primeira da artista no Brasil\, e reúne 63 fotografias de suas séries mais emblemáticas\, desenvolvidas ao longo de mais de três décadas. Os retratos de Opie figuram ao lado de 21 importantes pinturas da coleção do MASP\, entre elas\, de Pierre-Auguste Renoir\, Hans Holbein\, Anthony van Dyck e Van Gogh. As obras são apresentadas em diálogo com o objetivo de acentuar os diálogos\, tensões e reformulações aos quais o trabalho de Opie se propõe\, além de desdobrar a predileção pela arte figurativa\, marca da coleção do museu. \n\n\n\nA artista explora o gênero clássico do retrato assumindo algumas de suas características\, – fundo neutro\, os gestos com as mãos\, as expressões e os enquadramentos – e adiciona novos elementos\, como a diversidade de gênero\, as práticas sexuais\, os corpos distintos e os relacionamentos familiares homossexuais. “É fundamental que todos os seres humanos sejam legitimados\, isso é necessário para a inclusão de todas as pessoas\, para a humanidade. Ao utilizar a estética tradicional do retrato\, conforme a minha visão sobre a retratística\, busco manter o espectador envolvido na obra durante a observação. Além disso\, é uma forma de redefinir o corpo queer dentro de uma formalidade conhecida\, e não tratar apenas de uma fotografia documental”\, comenta Catherine Opie.
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SUMMARY:"Lia D Castro: em todo e nenhum lugar" no MASP
DESCRIPTION:Lia D Castro\, Sem título (detalhe)\, da série Axs nossxs pais\, natureza morta\, 2021. Galeria Martins&Montero\, São Paulo\, Brasil\, e Bruxelas\, Bélgica. Foto: Lucas Cruz/Instituto Çarê\n\n\n\nÉ impossível refletir sobre a obra da artista e intelectual Lia D Castro (Martinópolis\, São Paulo\, 1978) sem falar de encontros\, contrastes\, fricções e transformações. A partir de 5 de julho\, o público pode encontrar a exposição Lia D Castro: em todo e nenhum lugar\, no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. A primeira mostra individual da artista em um museu reúne 36 trabalhos\, sendo a maioria pinturas de caráter figurativo. As obras selecionadas exploram cenários onde o afeto\, o diálogo e a imaginação se tornam importantes ferramentas de transformação social.  \n\n\n\nO título da exposição parte da constatação da ausência histórica de grupos minorizados em posições de poder e decisão — em nenhum lugar —\, enquanto sua presença e força de trabalho compõem as bases que sustentam a sociedade — em todo lugar. Com curadoria de Isabella Rjeille\, curadora\, MASP\, e Glaucea Helena de Britto\, curadora assistente\, MASP\, a mostra apresenta trabalhos que abrangem toda a produção da artista. \n\n\n\nLia D Castro utiliza a prostituição como ferramenta de pesquisa e desenvolve sua produção a partir de encontros com seus clientes – homens cisgêneros\, em sua maioria brancos\, heterossexuais\, de classe média e alta – para subverter relações de poder ou violência que possam surgir entre eles\, aliando história de vida e história social. Temas como masculinidade e branquitude\, mas também afeto\, cuidado e responsabilidade\, são abordados nessas ocasiões e resultam em pinturas\, gravuras\, desenhos\, fotografias e instalações criadas de modo colaborativo. \n\n\n\nNesses momentos\, ela conversa com esses homens e os convida a refletir: quando você se percebeu branco? E quando se descobriu cisgênero\, heterossexual? “Perguntas sobre as quais a artista não busca uma resposta definitiva\, mas sim provocar um posicionamento dentro do debate racial\, sobre gênero e sexualidade”\, afirma a curadora Isabella Rjeille. \n\n\n\nAs conversas de Lia D Castro com esses homens são permeadas por referências a importantes intelectuais negros como Frantz Fanon\, Toni Morrison\, Conceição Evaristo e bell hooks. Frases retiradas dos livros desses autores\, lidos pela artista na companhia de seus colaboradores\, são inseridas nas telas e misturam-se aos gestos\, cenas\, cores e personagens. O trabalho de Lia D Castro torna-se um lugar de encontro\, embate e fricção\, no qual ações\, imagens e imaginários são debatidos\, revistos e transformados. Com frequência\, a artista insere referências a outros trabalhos por ela realizados\, incluindo-os em outro contexto e\, consequentemente\, atribuindo novos significados e leituras a essas imagens. \n\n\n\n“Partindo da visão de Frantz Fanon de que o racismo é uma repetição\, eu proponho combatê-lo com a repetição de imagens. Como a imagem constrói cultura e memória\, ao colocar uma obra dentro da outra\, busco criar novas referências estéticas”\, comenta a artista.
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