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SUMMARY:"Brasil de susto e sonho: um panorama da obra de Rivane Neuenschwander" no Itaú Cultural
DESCRIPTION:Rivane Neuenschwander\, “A.E. (Nunca mais Brasil)”\, 2023\nCom abertura no Itaú Cultural (IC) na noite de 13 de agosto – e visitação do público no dia seguinte\, 14\, até 2 de novembro –\, a mostra tem curadoria da pesquisadora (Universidade Federal de Pernambuco/UFPE) e jornalista Fabiana Moraes e realização da equipe do IC. A exposição se estende pelos três pisos do espaço expositivo da instituição dedicados às mostras temporárias. \nNo conjunto\, Brasil de susto e sonho: um panorama da obra de Rivane Neuenschwander apresenta o olhar atento da artista sobre assuntos que vêm movendo os brasileiros na história contemporânea do país – dos anos de 1970 aos atuais. Os suportes artísticos são variados: vídeos\, esculturas\, pinturas\, instalações e desenhos. A inspiração trafega entre registros de manifestações diversas captadas por ela em solo firme\, no espaço das redes sociais\, em sonhos de crianças\, em festas folclóricas e em observações subjetivas capturadas em suas andanças pelo país. \nPISO 1 \nEste andar acolhe duas de suas obras inéditas: Dream.lab/São Paulo\, ainda não vista pelo público brasileiro\, e a estreia de Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada. A primeira navega pelos sonhos de crianças\, cuja colaboração\, como uma espécie de coautores de produção espontânea\, marca outros trabalhos da artista. Apresentada no museu de arte moderna KinderKunstLabor\, na Áustria\, com curadoria de Mona Jas e Andreas Hoffer\, esta é a primeira montagem da obra no Brasil após um processo de pesquisa denso e específico para a exposição. Resultado de oficinas conduzidas pela equipe de mediação cultural do Itaú Cultural\, ao lado da artista\, com alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Abrão de Moraes e da Emef Desembargador Amorim Lima\, as atividades partiram de uma leitura do livro Sonhozzz (editora Salamandra\, 2021)\, de Silvana Tavano e Daniel Kondo\, que também assina as ilustrações. As crianças fizeram exercícios para a produção de desenhos nos quais manifestaram seus sonhos\, desembocando em uma delicada investigação sobre a infância\, o inconsciente coletivo e os sonhos desses brasileiros em crescimento. \nA segunda obra\, Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada\, é um vídeo de cerca de 20 minutos dirigido por Cao Guimarães e Rivane\, que retomam uma parceria já vista na obra Quarta-feira de Cinzas/Epílogo (2006)\, também presente na exposição. O trabalho versa sobre o cordão que lhe dá nome\, fundado por Mestre Zenóbio na Vila de Juaba\, em Cametá\, interior do Pará\, na primeira metade dos anos de 1970. Em um tempo em que a Copa do Mundo e a Transamazônica dominavam as telas e os discursos do regime ditatorial\, Zenóbio enchia uma pequena embarcação com representações de animais de países e climas distintos para chamar a atenção para a preservação da natureza\, em um cortejo que se repete todos os anos no Carnaval das Águas (tradição centenária da cultura paraense). Rivane e Cao registraram o mais recente\, resultando neste filme que mescla sonho e susto\, beleza e plástico jogado fora\, ontem e agora. A trilha é da dupla performer brasileira O Grivo\, que também aparece em trabalhos como Erotisme. \nAinda fazem parte deste piso Atrás da porta e L.L. (O vendedor de furos). A primeira é de 2007\, uma serigrafia sobre madeira composta de 140 peças de dimensões variadas com desenhos e rabiscos\, que a artista foi capturando ao longo dos anos nas portas de banheiros públicos. De 2023\, a segunda reúne pequenas esculturas\, que se espalham pelos três andares da exposição. A obra é baseada em uma memória de infância de L.L.\, amiga de Rivane\, na qual ela imaginava um comerciante que ganhava dinheiro vendendo buracos\, e faz uma conexão precisa sobre o mundo em que vivemos na atualidade. \nPISO -1 \nAqui\, o público encontra mais dois trabalhos inéditos: As Insubmissas e Perversos\, marcianos\, canibais e alienados. Uma ema antifascista\, um tubarão verde com lenço amarelo pronto para atacar\, arapongas e tigrinhos\, entre outros\, representam personagens que falam da história mais recente do país. Somando os dois conjuntos\, são 23 figuras\, entre bichos\, frutas\, plantas na composição desses bonecos\, feitos de tecido\, papel machê\, garrafas de vidro\, bordados e outros materiais. \nAs Insubmissas reúne os personagens A Ativista; O Brasil; O Comunista; O Socialista; A Anti-fascista e O Ministro. Em Perversos\, marcianos\, canibais e alienados estão A Agência de Vigilância; A Alta Patente; A Emenda Parlamentar; A Força Aérea Expedicionária; A Funcionária Fantasma; A Inflação; A Patriota; O Algoritmo; O Autocrata; O Deputado Federal; O Empresário; O Jogo de Apostas; O Magnata da Fé; O Oligarca; O Tarifaço e O Tecnocrata. \nEstes trabalhos derivam da obra O alienista (2019)\, atualmente exposta no Instituto Inhotim e baseada no livro de Machado de Assis. Nela\, estão personagens como O Orador de Sobremesas\, O Juiz de Fora\, O Terraplanista\, O Barbeiro\, A Viúva e João de Deus (personagem de O alienista\, de Machado de Assis)\, entre outros. \nTambém está neste piso o vídeo digital Enredo\, produzido por Rivane em 2016 com o neurocientista Sérgio Neuenschwander. O audiovisual se inspira na coletânea de contos populares do Oriente Médio As Mil e Uma Noites (edição em português) para acompanhar uma aranha tecendo a sua teia com o seu fio entremeado por confetes feitos de pequenos trechos do livro\, entre palavras que atravessam o seu caminho e ao som de um tamburello (versão italiana da pandeireta) tocado pelo cantor e compositor Domenico Lancellotti.   \nNeste andar\, ainda\, o público encontra mais um vídeo de Rivane e Cao Guimarães: Quarta-feira de Cinzas/Epílogo\, realizado em 2006. O filme de 10 minutos articula a folia em fim de festa. A obra Repente\, de 2016\, apresenta etiquetas de tecido bordadas\, painel de feltro\, caixas de madeira\, alfinetes de cabeça e de segurança\, em um trabalho que a artista vem atualizando ao longo dos anos com novas palavras de ordem em um remix de protestos\, mobilizações e lutas dos brasileiros.  \nNo trabalho Noites árabes (2008)\, ela evoca a claridade volátil da Lua mobilizando um número palíndromo\, assim como na obra Enredo\, as Mil e Uma Noites de Sherazade. Aqui\, o rolo de filme de 16 milímetros se desdobra em 1.001 pequenos furos atravessados pela luz\, entre 1.001 noites\, histórias e recomeços.  \nÀ espreita\, acrílica sobre papel preto acid free\, reúne 24 pinturas que investigam tanto o lado psicanalítico quanto político do medo. Rivane vem investigando há anos a infância como um lugar também político. Neste trabalho ela exibe formas sombrias desenhadas pelas próprias crianças\, a partir de oficinas realizadas na pesquisa O nome do medo. As formas remetem a monstros\, fantasmas e espíritos que além de viverem nas casas\, habitaram porões e delegacias no período ditatorial brasileiro. \nPISO -2 \nApocaplástico\, obra exibida com destaque neste andar\, também é inédita. Trata-se de uma escultura composta de madeira\, massa e tinta acrílica\, corda\, plástico e papel\, com dimensões variadas. Tem origem na viagem que a artista fez ao lado de Cao Guimarães\, na região do rio Tocantins\, para a produção de Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada. Lá\, Rivane observou uma grande quantidade de plásticos e outros materiais jogados após o Carnaval\, cujas imagens aparecem no vídeo e nestas obras. \nA artista também anotou pontos de reflexão sobre o projeto de colonização dos interiores do norte do país\, que segue firme e cada vez mais forte por meio da religião\, e as depositou em Apocaplástico. A localidade é a que abriga mais templos religiosos no país – 459 deles a cada 100 mil habitantes; mais do que hospitais e escolas. \nTambém neste andar\, Notícias de jornal (…)\, de 2025\, expõe o noticiário cotidiano – em especial os tantos casos de feminicídio – em uma série de cinco novas pinturas baseadas em ex-votos – sem santos\, mas com sangue. São elas: Notícias de Jornal (Simone)\, Notícias de Jornal (Natália)\, Notícias de Jornal (Érica)\, Notícias de Jornal (Jaciara) e Notícias de Jornal (Suely)\, todas realizadas neste ano. \nEm A conversação (2010-2025)\, Rivane se inspirou no filme homônimo dirigido por Francis Ford Coppola em 1974. Nesta instalação composta de papel de parede\, carpete\, forro para carpete\, cola\, gravadores de áudio\, aparelho de som e alto-falantes\, também de dimensões variadas\, o mote é a paranoia da espionagem\, que transforma todos em suspeitos e alvos – dos celulares e drones\, da entrega e monetização dos dados de cada pessoa\, notícias sobre grupos e pessoas espionados pela gestão federal encerrada em 2022. Neste trabalho\, há escutas escondidas no assoalho e nas paredes e microfones camuflados. \nM.C. (Sete Exu da Lira/Chacrinha)\, de 2025\, é um bordado de miçangas e lantejoulas sobre sarja de algodão. O trabalho vai buscar o Brasil de 1971 – quando\, em pleno governo militar\, os brasileiros assistiam ao programa do Chacrinha aos domingos. Ele tem foco especialmente no último domingo de agosto daquele ano\, no qual a umbandista Mãe Cacilda de Assis recebia a entidade Seu Sete Rei da Lira e promovia um transe coletivo no programa da TV Globo (e\, depois\, no famoso show de Flávio Cavalcanti\, na TV Tupi). Andrógina\, negra e à frente de uma prática não cristã\, Mãe Cacilda se tornou alvo do discurso moralista e racista das mais poderosas representantes do catolicismo conservador do país. \nNo vídeo Erotisme\, produzido por Rivane em 2014\, a trilha sonora é de O Grivo. Nele\, uma mão interpreta o alfabeto desobedecendo a sua sombra. Entre umas imagens e outras\, vão aparecendo palavras em francês\, usuais ou inventadas\, riscadas a canivete na madeira: masturber\, nidifier\, occulter (masturbar\, aninhar\, ocultar)\, entre outras. A obra faz referência direta ao verbete “erotismo”\, atribuído a Georges Bataille\, na obra surrealista Le memento universel Da Costa\, e passeia por dualidades do sexo\, visto como prazer ou arma; gozo ou ferida\, remetendo à violação. \nM.F. (Road trip)\, de 2015\, poderia ser resumido como um buraco de 1 x 2 cm feito na parede\, para exalar o cheiro de gasolina. Mas é muito mais do que isso. Trata-se de uma referência ao Brasil militar-desenvolvimentista e suas grandes estradas que cortaram aldeias e florestas\, já a partir da década de 1970. \nEm A.E. (Nunca mais Brasil)\, de 2023\, uma tapeçaria de 1\,70m x 1\,70m\, Rivane apresenta uma costura de retalhos de medos e lembranças\, infância e geografia\, arquivos e pavores: monstros e nomes de locais que serviram como espaços de tortura e desova de corpos\, em uma referência ao livro Brasil: Nunca Mais (1985; editora Vozes) – organizado por Dom Paulo Evaristo Arns\, Hélio Bicudo e Jaime Wright\, reúne documentos de episódios de tortura durante a ditadura militar no Brasil. Aqui\, a artista mescla a pesquisa O nome do medo (iniciada em 2015) a outro tema que demarca suas investigações: o regime autoritário que por duas décadas enterrou pessoas em locais como a Ponta da Praia (RJ). \nR.R. (90 milhões em ação)\, de 2025\, também remete aos anos de 1970\, quando o Brasil conquistou o tetra na Copa de Futebol\, com jogadores como Pelé\, Rivelino\, Tostão\, Gerson e Jairzinho em campo. A vitória foi capitalizada pelo governo Médici (1969-1974) e embalada pela marchinha de Miguel Gustavo transformada em uma espécie de hino: “Noventa milhões em ação / Pra frente\, Brasil\, do meu coração”. Nas telas brilhava o Canal 100\, fundado em 1957 pelo produtor Carlos Niemeyer\, que exibia zooms de rostos em sua maioria desconhecidos acompanhando partidas de futebol enquanto\, longe das câmeras\, gestões autoritárias sequestravam\, torturavam e matavam. 
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SUMMARY:"Exteriores" de Bob Wolfenson na Unibes Cultural
DESCRIPTION:Fotografia feita na Inglaterra\, em 2012 – Imagem: Bob Wolfenson/Divulgação\n\n\n\n\nNo dia 26 de agosto de 2025\, a Unibes Cultural apresenta ao público a exposição Exteriores\, do consagrado fotógrafo brasileiro Bob Wolfenson. Composta por um conjunto de 53 fotografias\, de média e grandes dimensões\, a mostra apresenta uma crônica visual da diversidade humana\, revelando corpos em movimento\, expressões passageiras e instantes únicos capturados nas ruas de diferentes cidades ao redor do mundo. \nAo longo de cinco décadas de carreira\, Wolfenson consolidou-se como um dos maiores nomes da fotografia brasileira\, conhecido por seus retratos de personalidades\, imagens de moda e produções em estúdio. Em Exteriores\, ele percorre o caminho oposto ao controle do ambiente fechado e mergulha na imprevisibilidade do espaço público\, de tudo que lhe é “exterior”. O olhar do fotógrafo se volta para o acaso\, para o fluxo das cidades e seus habitantes anônimos – pessoas atravessando faixas\, distraídas em pensamentos ou em contato breve com a câmera. \nNas palavras do artista\, fotografar do lado de fora é um exercício de intuição: “quase sempre\, o fotógrafo não saberá previamente o que se tornará alvo de seu interesse quando estiver em campo”. Assim como um escritor que anota ideias em um caderno\, Wolfenson transforma sua câmera em ferramenta de observação e descoberta\, em um gesto que combina o instinto do viajante com a curiosidade do cronista. \nExteriores é um fragmento de uma história\, da construção e investigação de um vocabulário fotográfico. Trata-se do processo de autodecodificação do personagem-fotógrafo e do percurso narrativo que ele\, intuitivamente\, traçou ao longo da vida. Esses recortes de memória atravessam as entranhas das cidades\, percorrem ruas sem itinerário aparente\, transitam por naturezas lúdicas\, desertos imaginários e cenas antagônicas\, resultando em estados de intensa carga emocional e certa vulnerabilidade. \nCuradoria: Bob Wolfenson e Ana Tonezzer \nProjeto expográfico: André Vainer
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SUMMARY:"Ocupação Ailton Krenak" no Itaú Cultural
DESCRIPTION:Ailton Krenak. Divulgação Itaú Cultural\nMuito se sabe sobre os livros escritos por Ailton Krenak e traduzidos nos mais variados idiomas. Poucos conhecem\, no entanto\, a sua produção poética\, os seus desenhos acondicionados em caderninhos com espiral\, as pinturas feitas com tinta a óleo\, nanquim ou urucum representando a fauna\, os rios e os territórios indígenas. Tudo isso e muito mais é apresentado na Ocupação Ailton Krenak – ou Men am-ním Ailton Krenak\, como estará estampado para o público –\, que fica em cartaz de 4 de setembro a 23 de novembro\, no piso térreo do Itaú Cultural (IC). \nPrimeira mostra dedicada a uma personalidade indígena nesta série iniciada há 16 anos\, a Ocupação Ailton Krenak traça o arco da vida até hoje de Ailton Alves Lacerda Krenak\, nascido em 29 de setembro de 1953\, no município de Itabirinha\, em Minas Gerais – então distrito de Itabira –\, na região do Vale do Rio Doce. Para isso\, ela reúne mais de 90 peças\, entre fotos\, vídeos – alguns históricos\, outros com depoimentos –\, recortes de jornais\, livros publicados\, além dos desenhos\, pinturas\, poemas clássicos e haicais. O espaço expositivo leva o vermelho do urucum\, o preto do jenipapo e o verde da natureza como cores predominantes. \nÉ todo um caminho esculpido por Ailton na pauta da defesa dos direitos dos povos indígenas\, da justiça socioambiental e da valorização dos saberes ancestrais. Ao longo de décadas\, ele teve atuação política\, tornou-se escritor\, filósofo\, pensador\, poeta\, conferencista e ativista amplamente reconhecido por sua luta no Brasil e no exterior. Há dois anos se tornou membro da Academia Brasileira de Letras\, sendo também o primeiro indígena brasileiro a ocupar uma das cadeiras da ABL. \nOcupação Ailton Krenak tem realização\, curadoria e expografia do Itaú Cultural\, com consultoria da jornalista\, escritora e produtora cultural Angela Pappiani e da escritora\, atriz\, diretora de cinema e de teatro e ilustradora Rita Carelli. A consultoria criativa é da artista e ativista dos direitos indígenas Moara Tupinambá e da terapeuta integrativa e produtora cultural Ingrid Tupinambá. Um site com conteúdo exclusivo (itaucultural.org.br/ocupacao) e uma publicação impressa e disponível on-line acompanham a mostra. A proposta é que o livreto físico seja compartilhado: quem já tiver lido\, pode deixá-lo em estações de transporte público\, praças ou bibliotecas comunitárias. Ainda tem uma surpresa: inspirada no ato de fazer brotar da terra\, a equipe IC incluiu um marcador de páginas feito em papel-semente para ser plantado em qualquer lugar da cidade. \nA exposição \nA entrada leva o visitante diretamente para o território do povo Krenak\, onde o homenageado vive\, em Minas Gerais. O Rio Doce – chamado Watu\, em seu idioma – é um norteador desse espaço. Para este povo\, o rio não é apenas água; é\, principalmente\, um ser ancestral\, entidade viva e sagrada que faz parte de sua identidade e cosmologia. É um avô\, como costuma dizer Ailton. \nEm 2015\, este rio foi morto – como se refere Ní Krenak\, liderança do povo Krenak\, ativista e sua companheira – após o rompimento da barragem de Fundão\, em Mariana\, considerado a maior tragédia ambiental brasileira. Em um vídeo gravado na chamada casa-mãe\, situada no centro da aldeia e por onde o Watu passa\, Ailton e Ní contam como era a vida da comunidade antes e após o desastre ambiental. \nUm desenho de outro rio\, o Juruá\, feito por Ailton e exibido como uma animação poética narrada por ele\, está entre os destaques deste espaço. À medida em que o desenho vai evoluindo\, o autor conta o que estava pensando na hora de fazê-lo e o que ele representa. A obra se chama O rio leva ao norte e ilustrou o livro Vive\, Human Beings! Message from the Amazon\, do fotógrafo Hiromi Nagakura. \nUm documento cronológico remonta a registros históricos\, como a litografia Botocudos (1835)\, de Johann Moritz Rugendas\, que faz referência aos ancestrais do povo Krenak\, um mapa gravura de William John Steains\, de 1888\, e as fotos tiradas em 1909 pelo fotógrafo alemão Walter Garbe. Este espaço vai acompanhando a trilha de Ailton\, recordando o seu trabalho como agente cultural\, comunicador e criador\, por exemplo\, do Núcleo de Cultura Indígena. Também são exibidos exemplares do Jornal Indígena\, fundado por ele\, e áudios do Programa de Índio\, produzido por Angela Pappiani e apresentado por ele e lideranças indígenas\, entre 1985 e 1991\, na Rádio USP e em outras emissoras educativas em vários estados do Brasil. Esta foi uma das ferramentas que avivaram a comunicação entre as aldeias e o povo das cidades\, com a divulgação de informações que não aconteceriam em outros canais de veiculação. \nAssim\, o caminho da Ocupação conduz naturalmente para a atuação política de Ailton. Entre documentos\, matérias de jornais e fotos\, encontram-se vídeos gravados pela equipe do Itaú Cultural com depoimentos de outras personalidades indígenas\, como a professora Severiá Idioriê e o líder Cipassé Xavante\, além de Angela Pappiani. Eles contam os bastidores e a articulação entre os povos indígenas\, com a contribuição de Ailton\, que os representou na Assembleia Nacional Constituinte de 1987. Também está presente na exposição o vídeo do icônico discurso que ele fez nessa ocasião\, quando subiu à tribuna vestido com um terno branco e falou enquanto pintava o rosto com a pasta preta do jenipapo\, associada ao luto —\, em protesto contra o retrocesso nos direitos indígenas que se desenhava para a nova Constituição. \nObras\, poemas livros \nA forte conexão de Ailton com a arte visual ancestral e da natureza pode ser vista na exposição entre suas pinturas e cadernos de desenhos. Ao lado dos poemas\, o conjunto forma uma espécie de jardim poético que encerra a mostra. \nAli estão pinturas como Pesadelo marinho\, de 1998\, que Ailton fez após uma viagem ao Japão e ouviu denúncia da pesca predatória dos oceanos. Festa na floresta\, do mesmo ano\, ele criou para a capa do livro Vozes da Floresta\, sobre o seringueiro\, sindicalista\, ambientalista e ativista político brasileiro Chico Mendes e a história coletiva de resistência dos seringueiros. \nEntre as representações pictóricas da fauna registradas pelos pincéis de Ailton\, tem O tatu e Adorno de tatu\, animal que ele admira pela sua resistência. Há figuras criadas por ele como Ókókân (coruja)\, composto por vários seres\, outros animais e frutos. Em O rei dos macacos\, pintura do fim da década de 1990\, os primatas são convocados e celebrados em diferentes existências. Este desenho foi estampado quarta capa de Vozes da Floresta. \nAs três caravelas é uma obra produzida por Ailton Krenak em 2000 para as comemorações dos 40 anos da Tropicália. As embarcações fazem referência à Santa Maria\, Pinta e Niña\, usadas por Cristóvão Colombo em sua viagem à América\, em 1492. Por sua vez\, Caboclo d’água é a ilustração que ele criou para a capa do álbum de mesmo nome do mineiro Tavinho Moura em 1991. Simboliza um ser híbrido e antropomórfico\, que emite raios\, como se fosse um cocar. \nPavãozinho da serra faz parte da série Bichos de papel\, composta por desenhos feitos com pigmentos de plantas em papéis artesanais feito de palha de arroz e cana. Entre outras obras\, encontra-se Morubiti\, um ser das águas que ele criou em 1987\, a partir de histórias ouvidas do povo Paiter Suruí\, de Rondônia. Todas essas obras são acompanhadas de gravações de Ailton sobre elas. \nNo espaço há ainda uma série de seus cadernos com desenhos e poemas. Alguns são inspirados na forma poética japonesa haicai e\, como é comum nesse estilo\, são breves\, ligam-se à natureza e registram um momento e uma percepção. Outros são mais longos\, marcados pela sonoridade e pelas imagens. \nA mostra também apresenta traduções de suas obras literárias\, com destaque para Ideias para adiar o fim do mundo\, para os idiomas coreano\, sueco\, francês e japonês. Livros como este e outros títulos\, como A vida não é útil e Futuro ancestral\, estão em um espaço acolhedor para que possam ser manuseados e lidos.
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SUMMARY:"Brasil das Múltiplas Faces" no Itaú Cultural
DESCRIPTION:Emiliano di Cavalcanti\, “Vendedoras de Peixe” 1952. Divulgação. \nCom início dia 22\, exposição ocupa novo piso do Itaú Cultural com obras da considerada maior coleção corporativa de arte da América Latina \nA exposição “Brasil das Múltiplas Faces” marca a inauguração de um novo ambiente para visitação no prédio do Itaú Cultural\, em São Paulo. A partir do dia 22 de outubro\, o Espaço Milú Villela – Brasiliana: Arte Moderna e Contemporânea oferece ao público mostras de longa duração focadas nas artes moderna e contemporânea produzida no país e que compõem o Acervo Itaú Unibanco. \nO novo espaço está localizado no 7º piso do prédio da Avenida Paulista e conta com 280 metros quadrados. Ao lado do Espaço Olavo Setubal\, que abriga a Brasiliana\, e do Espaço Herculano Pires\, com a Numismática\, a instituição agora oferece quatro pisos permanentes para mostras desta que é considerada a maior coleção corporativa de arte da América Latina\, e segue em busca de ampliar o seu acesso ao público. \nA curadoria da exposição é assinada por Agnaldo Farias\, com concepção e realização da equipe Itaú Cultural e arquitetura de Daniel Winnik. O nome dado ao espaço homenageia Milú Villela\, que presidiu e expandiu o Itaú Cultural durante 18 anos\, de 2001 a 2019\, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP)\, entre 1995 e 2019. Psicóloga\, gestora cultural e filantropa\, Milú​ dedicou sua vida à democratização do acesso à arte e à cultura. \n‍ Por sua vez\, o nome Brasil das Múltiplas Faces\, que batiza a exposição inaugural deste espaço\, dá pistas do que o público está para mergulhar em uma espécie de contação das várias histórias e visões do país. Através de uma narrativa que trabalha com o conceito de arte múltipla\, a mostra busca mostrar a complexidade do Brasil com um olhar que desafia a visão tradicional. \n  \n  \n  \n  \n  \n  \n  \n  \n  \n 
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