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SUMMARY:Exposição de longa duração no MAC USP
DESCRIPTION:Walter Ufer\, Construtores do Deserto\, 1923 (detalhe)\n\n\n\nO Museu de Arte Contemporânea da USP apresenta a exposição Galeria de Pesquisa – Aspectos da coleção da Terra Foundation for American Art através do programa Terra Collection-in-Residence\, com 36 obras selecionadas em diálogo com a pesquisa e as disciplinas de graduação e pós-graduação do MAC USP e sua atuação no Programa Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA USP). A parceria entre a Terra Foundation for American Art e o MAC USP envolve também a linha de pesquisa em História da Arte e da Cultura do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e o Departamento de História da Arte da Unifesp. Nos próximos dois anos as obras em exposição permitirão criar pontes de interpretação com obras do acervo do MAC USP e apoiar atividades didáticas e de pesquisa. \n\n\n\nA Terra Collection for American Art é uma associação sem fins lucrativos\, com sede em Chicago (EUA)\, que desde os anos 1980 coleciona obras de arte do país e fomenta a pesquisa sobre sua arte.  Algumas das obras já integraram outras parcerias com o Brasil\, presentes em exposições de pesquisa realizadas no MAC USP – Atelier 17 e a gravura moderna nas Américas (2019)\, e na Pinacoteca de São Paulo – Paisagem nas Américas (2016) e Pelas ruas: vida moderna e experiências urbanas na arte dos Estados Unidos\, 1893-1976 (2022). A exposição traz obras de Thomas Hart Benton\, Eugene Benson\, James McNeill Whistler\, Louis Lozowick\, James Edward Allen\, Ralston Crawford\, George Bellows\, Bolton Brown\, Winslow Homer\, C. Klackner. Clare Leighton\, Arnold Ronnebeck\, William Zorach\, Emil Bisttram\, Menton Murdoch Spruance\, John Ferren\, Mary Nimmo Moran\, Eanger Irving Couse\, George Josimovich\, George de Forest Brush\, Walter Ufer\, Edward Hooper\, John Marin\, Stanley Willian Hayter\, Stuart Davis\, Arshile Gorky\, Lyonel Feininger\, Armin Landeck e Thomas Moran. \n\n\n\nPor fim\, as obras se articulam na parceria da disciplina de pós-graduação Arte dos Estados Unidos e suas conexões\, com o apoio da fundação e ofertada conjuntamente com a Unicamp e a Unifesp\, que vem abordando estudos comparativos entre a arte produzida nos Estados Unidos e no Brasil\, trazendo temáticas como arte indígena\, diáspora africana nas Américas\, e imigrações italianas nas Américas. Através do Programa Collection- in-Residence\, o MAC USP se insere em uma rede de doze museus universitários internacionais de arte em um olhar crítico sobre a história da arte dos Estados Unidos e suas possíveis articulações com outros países.
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SUMMARY:"Novo Poder: passabilidade" de Maxwell Alexandre no Sesc Avenida Paulista
DESCRIPTION:Com um conjunto de cerca de 56 obras\, a mostra Novo Poder: passabilidade\, do artista carioca\, Maxwell Alexandre\, oferece uma experiência reflexiva sobre a interseção entre identidade\, poder e passagem. Sua produção desafia estereótipos e narrativas dominantes\, propondo provocações sobre as realidades sociais e culturais do Brasil. \n\n\n\nA exposição individual da série\, que foi realizada em fevereiro de 2023\, em Madrid (Espanha)\, e que ganhou desdobramento no 1º Pavilhão Maxwell Alexandre\, localizado no bairro de São Cristóvão (Rio de Janeiro)\, ocupará o espaço Arte I (5º andar)\, no Sesc Avenida Paulista\, entre 19 de abril e 29 de setembro de 2024. \n\n\n\nVencedor do prêmio Pipa 2021\, Maxwell\, na série Novo Poder: passabilidade\, trata da ideia da comunidade preta dentro de galerias\, museus\, centros culturais e fundações. \n\n\n\nEm suas obras\, o artista dá ênfase a três signos base: as cores preta\, branca e parda. A cor preta é manifestada pela representação dos personagens; a cor branca aponta para o espaço expositivo\, assim como o conhecimento acadêmico\, e a cor parda representa a obra de arte e também faz referência ao próprio papel\, que é o suporte principal da série. \n\n\n\n“A Moda e a Arte são dois campos da cultura hegemônica ocidental que se consolidaram a partir da modernidade\, cada um com suas especificidades\, tendo como ponto em comum a forte influência que ambos exercem na construção de distinções sociais”\, conta Maxwell.
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SUMMARY:"Um Defeito de Cor" no Sesc Pinheiros
DESCRIPTION:Marcio Vasconcelos\, Tessi Sodokpa – Cotonou\, 2009\n\n\n\n\nDe 25 de abril a 1º de dezembro\, o Sesc Pinheiros recebe “Um Defeito de Cor”. Resultado da parceria entre o Sesc São Paulo e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação\, a Ciência e a Cultura (OEI)\, com a concepção original do Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR)\, a exposição é inspirada no livro homônimo da autora mineira Ana Maria Gonçalves\, lançado em 2006.  A curadoria é da escritora ao lado de Marcelo Campos e Amanda Bonan. Após abertura no MAR\, no Rio de Janeiro\, e temporada no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)\, em Salvador\, a mostra chega à capital paulista. Por meio de obras de artes\, faz alusão ao período do Brasil Império (1822-1889) para discutir os contextos sociais\, culturais\, econômicos e políticos do século 19 e seus desdobramentos em elementos contemporâneos.   \n\n\n\nAo todo\, 372 peças entre arte têxtil\, fotografias\, instalações\, cartazes\, pinturas e esculturas de autoria de artistas do Brasil\, da África e das Américas interpretam “Um defeito de cor”\, ganhador do prêmio Casa de las Américas e considerado um dos mais importantes clássicos da literatura afro-feminista e nacional. Assim como o livro\, a exposição faz um enfrentamento às lacunas e ao apagamento da história da população negra  ao contar a jornada de uma mulher africana nascida no início do século 19\, escravizada no Brasil\, e sua busca por um filho perdido.   \n\n\n\nDentre as novidades que serão apresentadas no Sesc Pinheiros estão os figurinos e croquis das fantasias do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela\, assinados pelo artista e carnavalesco Antônio Gonzaga\, que se inspirou no livro de Ana Maria para desenvolver o samba-enredo do Carnaval 2024\, no Rio de Janeiro. O desfile impulsionou a procura em livrarias físicas e digitais e elevou “Um defeito de cor” para a categoria de mais vendidos do Brasil. Além disso\, estarão em exibição\, pela primeira vez\, um “Retrato de Ana Maria”\, quadro de Panmela Castro; “Bori – filha de Oxum”\, do artista e babalorixá Moisés Patrício\, e “romaria”\, mural que será pintado por Emerson Rocha na entrada do Sesc Pinheiros\, além de uma programação integrada\, com ações educativas divulgadas ao longo do período expositivo.  \n\n\n\nDividida em dez núcleos não-lineares\, que se espelham nos dez capítulos do livro\, a exposição não é cronológica nem explicativa. O objetivo é trazer uma visão do Brasil com momentos históricos e recortes sociais transmitidos por meio de uma produção intelectual e de imagem presentes na arte contemporânea. A mostra faz um mergulho na essência de temas como os levantes negros\, o empreendedorismo\, o protagonismo feminino\, o culto aos ancestrais e a África Contemporânea\, que reexaminam os caminhos da população afro-brasileira desde os tempos de escravidão até os dias atuais\, e fazem uma interpretação dos conceitos apresentados no romance\, principalmente as origens e as identidades africanas que constituem a população\, das quais ainda pouco se sabe.  \n\n\n\nAna Maria Gonçalves faz sua estreia na curadoria da mostra ao lado de Amanda Bonan e Marcelo Campos\, ambos do Museu de Arte do Rio. A arquiteta Aline Arroyo assina a expografia\, que teve consultoria de Ayrson Heráclito\, e a paisagem sonora foi criada pelo pesquisador e músico Tiganá Santana\, em colaboração com Jaqueline Coelho.   \n\n\n\n “Retomar ao ‘Um defeito de cor’ e\, desta vez\, como participante da equipe de curadoria da exposição que leva o nome e a ideia do livro é\, ao mesmo tempo\, um conjunto de experiências antagônicas e complementares. Como também o é tudo que trata\, por exemplo\, da experiência dos povos tocados e transformados pela escravidão. É um retorno no tempo e no espaço para um lugar que foi construído a várias mãos\, e não menos sangue\, dor e sofrimento”\, afirma Ana Maria. 
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LOCATION:Sesc Pinheiros\, R. Pais Leme\, 195 - Pinheiros\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Mova-se! Clima e deslocamentos" no Museu da Imigração
DESCRIPTION:Claudia Barrios Rosel\, Sem título\, 2022 | Somalia Drought Response/OIM Organização Internacional para as Migrações\n\n\n\nO projeto curatorial tem correalização com a Organização das Nações Unidas (ONU) e foi desenvolvido de forma orgânica pela equipe do MI com a participação de diversos parceiros. A temporária apresenta ao público uma compreensão geral sobre o vínculo entre a mudança global do clima e a mobilidade humana\, evidenciando as diferentes maneiras pelas quais a ciência\, os agentes sociais (associações\, ONGs e OIs) e as artes lidam com fenômenos tão complexos. \n\n\n\nA decisão de migrar é influenciada por uma complexa interação de fatores políticos\, econômicos\, demográficos\, sociais e ambientais. No caso da migração relacionada à mudança climática\, os aspectos ambientais modificados pela atividade humana desempenham um papel crucial na escolha de deixar um local de residência em busca de outro. Evacuações preventivas\, realocações planejadas\, fuga reativa diante de eventos repentinos ou deslocamento gradual de pessoas de áreas afetadas por fenômenos de desenvolvimento lento\, como a seca\, são algumas das formas de deslocamento desencadeadas por desastres\, que\, com a mudança do clima\, tendem a se tornar cada vez mais frequentes e intensos. \n\n\n\nEm um cenário tão complexo\, a abordagem escolhida na exposição foi a de fluir junto às pessoas e às organizações que estão se mobilizando e pensando sobre os desafios atuais. Os três módulos que compõem a temporária\, Tempo de Saber\, Tempo de Agir e Tempo de Sentir\, são dispostos a partir de diferentes saberes e contam com recursos de instalações\, vídeos\, conteúdos em realidade virtual\, dados de observatórios e instituições\, fotos\, depoimentos e objetos. \n\n\n\nO meio ambiente sempre foi um fator de migração\, e os deslocamentos ao redor do mundo mostram como as sociedades são afetadas por outras espécies ou pelos ciclos naturais. Além do panorama atual e das perspectivas do futuro\, a exposição contextualiza o papel da Hospedaria de Imigrantes do Brás – prédio que abriga hoje o MI – em histórias sobre acolhimento por consequências de questões ambientais\, como a Grande Seca\, no século XIX\, que expulsou milhares de cearenses para outras partes do País\, e as enchentes em São Paulo da década de 1920. \n\n\n\nPor meio de diversas trajetórias e histórias\, em Mova-se! Clima e deslocamentos o público entrará em contato com as estratégias atuais de conscientização\, campanhas e projetos das principais instituições que lidam com o colapso climático e a extrema desigualdade. A temporária exibe também os registros de Lalo de Almeida\, um dos mais importantes fotojornalistas em atividade no Brasil. A seleção de 17 obras que compõem a exposição têm 2012 como ano de partida e apresentam um panorama sobre o meio\, suas transformações e as consequências ecológicas\, econômicas e sociais da relação entre o meio ambiente e os seres humanos e não humanos. \n\n\n\nA exposição Mova-se! Clima e deslocamentos é uma realização do Ministério da Cultura\, do Governo do Estado de São Paulo\, mediante a Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas\, do Museu da Imigração e das Nações Unidas\, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O projeto tem patrocínio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil\, da Deloitte e da Panasonic e apoio do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)\, da Produtora Brasileira\, do Instituto Linha D’Água\, das Latinas por el Clima\, da Amazônia Viva\, do Instituto Igarapé\, do IDMC (Internal Displacement Monitoring Centre) e do AdaptaBrasil MCTI.
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LOCATION:Museu da Imigração\, Rua Visconde de Parnaíba\, 1316 - Mooca\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Línguas africanas que fazem o Brasil" no Museu da Língua Portuguesa
DESCRIPTION:Vista da exposição temporária “Línguas africanas que fazem o Brasil”. Crédito: Guilherme Sai\n\n\n\nO dia a dia do povo brasileiro é atravessado pelas presenças africanas na forma como nos expressamos – seja na entonação\, no vocabulário\, na pronúncia ou na forma de construir o pensamento. É sobre essas presenças que trata a exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil\, com curadoria do músico e filósofo Tiganá Santana e realização do Museu da Língua Portuguesa\, instituição da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. A mostra abre ao público no dia 24 de maio e fica em cartaz até janeiro de 2025.   \n\n\n\nA exposição conta com patrocínio máster da Petrobras\, patrocínio da CCR\, do Instituto Cultural Vale\, e da John Deere Brasil; e apoio do Itaú Unibanco\, do Grupo Ultra e da CAIXA.  \n\n\n\nLínguas dos habitantes de terras da África Subsaariana\, como o iorubá\, eve-fom e as do grupo bantu\, têm participação decisiva na configuração do português falado no Brasil\, seja em seu vocabulário ou na maneira de pronunciar as palavras e de entoar as frases\, mesmo que esta estruturação não seja do conhecimento dos falantes. Trata-se de uma história e de uma realidade legadas por cerca de 4\,8 milhões de pessoas africanas trazidas de forma violenta ao país entre os séculos 16 e 19\, durante o período do regime escravocrata. Além da língua\, essa presença pode ser sentida em outras manifestações culturais\, como a música\, a arquitetura\, as festas populares e rituais religiosos.   \n\n\n\n“Ao mesmo tempo que a gente quer mostrar ao público que falamos uma série de expressões e estruturas que remontam a línguas negro-africanas\, também desejamos revelar de que maneira isso acontece. Por que falamos caçula e não benjamim? Por que dizemos cochilar e não dormitar? Essas palavras fazem parte de nosso vocabulário\, da nossa vida\, do nosso modo de pensar”\, afirma Santana.  \n\n\n\nA exposição Línguas africanas que fazem o Brasil recebe o público com 15 palavras oriundas de línguas africanas impressas em estruturas ovais de madeira penduradas pela sala. Serão destacadas palavras como bunda\, xingar\, marimbondo\, dendê\, canjica\, minhoca e caçula. O público também poderá ouvi-las nas vozes de pessoas que residem no território da Estação da Luz\, onde o Museu está localizado.   \n\n\n\nOutro destaque no espaço é a obra do artista plástico baiano J. Cunha – um tecido estampado com os dizeres “Civilizações Bantu” que vestiu o tradicional Ilê Aiyê\, primeiro bloco afro do Brasil\, no Carnaval de 1996. Além disso\, cerca de 20 mil búzios também estarão suspensos e distribuídos pelo ambiente. Na tradição afro-brasileira\, as conchas são usadas em práticas divinatórias e funcionam como linguagem que conecta o mundo físico e espiritual.   \n\n\n\n“Os búzios estão presentes nos espaços afro-religiosos no Brasil que foram\, não os exclusivos\, mas os principais núcleos de preservação e reinvenção das línguas africanas do Brasil. A partir deles\, as presenças negras se irradiaram para outras dimensões da cultura popular brasileira”\, diz Santana.  \n\n\n\nAinda na entrada da exposição\, o público avistará vários adinkras espalhados pelas paredes. Trata-se de símbolos utilizados como sistema de escrita pelo povo Ashanti\, que habita países como Costa do Marfim\, Gana e Togo\, na África. Eles podem representar desde diferentes elementos da cultura até sentenças proverbiais inteiras em um único ideograma. Evidenciando a presença desse povo como parte da diáspora africana\, é possível encontrar\, em diversas regiões do Brasil\, gradis de residências e outras construções arquitetônicas adornados com alguns dos mais de 80 símbolos dos adinkras.  \n\n\n\nFazem parte da exposição duas videoinstalações da relevante artista visual fluminense Aline Motta. Na obra Corpo Celeste III\, emprestada pela Pinacoteca de São Paulo e projetada no chão em larga escala\, a artista destaca formas milenares de grafias centro-africanas\, especificamente as do povo bakongo\, presente em territórios como o angolano. Este trabalho foi desenvolvido com o historiador Rafael Galante. Já em Corpo Celeste V\, criada exclusivamente para o Museu da Língua Portuguesa\, quatro provérbios em quicongo\, umbundo\, iorubá e quimbundo\, traduzidos para o português\, serão exibidos em movimento nas paredes e em diálogo com Corpo Celeste III.   \n\n\n\nUm dos principais nomes da nova geração da escultura no país\, a baiana Rebeca Carapiá  assina obras de arte criadas em diálogo com frequências e grafias afrocentradas\, a partir de seu trabalho com metais.  \n\n\n\nA exposição também mostra como canções populares no Brasil foram criadas a partir da integração entre línguas africanas e o português\, como Escravos de Jó e Abre a roda\, tindolelê. O “jó”\, da faixa Escravos de Jó\, advém das línguas quimbundo e umbundo e quer dizer “casa”\, “escravos de casa”. “Escravizados ladinos\, crioulos e mulheres negras\, que realizavam trabalho doméstico e falavam tanto o português de seus senhores quanto a língua dos que realizavam trabalhos externos\, foram a ponte para a africanização do português e para o aportuguesamento dos africanos no sentido linguístico e cultural”\, diz Tiganá Santana com base nas pesquisas da professora Yeda Pessoa de Castro.  \n\n\n\nAlém dos búzios\, a mostra explora outras linguagens não-verbais advindas das culturas africanas ou afro-diaspóricas. Entre elas\, os cabelos trançados\, que\, durante o período de escravidão no Brasil\, serviam como mapas de rotas de fugas. E de turbantes\, cujas diferentes amarrações indicam posição hierárquica dentro do candomblé. Há ainda dois trabalhos da designer Goya Lopes\, cujas principais referências são as capulanas\, os panos coloridos usados por mulheres em Moçambique. Tais trabalhos enfatizam uma articulação significativa com a língua iorubá.  \n\n\n\nOutro exemplo da linguagem não-verbal são os tambores\, que compõem uma cenografia constituída por uma projeção criada por Aline Motta\, com imagens do mar e trechos do texto Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira\, de Lélia Gonzalez\, uma das principais intelectuais do Brasil\, referência nos estudos e debates de gênero\, raça e classe. Nestes trechos\, verifica-se o uso da expressão pretuguês cunhada pela intelectual. Por fim\, ainda nessa cena\, é importante ressaltar a presença de esculturas da Rebeca Carapiá\, conversando com as frequências dos tambores.  \n\n\n\nNuma sala de cinema interativa\, o visitante será surpreendido com uma projeção de imagens ao enunciar palavras de origem africana como axé\, afoxé\, zumbi e acarajé.   \n\n\n\nO público terá acesso a uma série de registros de manifestações culturais afro-brasileiras e de conteúdos sobre as línguas africanas e sua presença no português do Brasil. Há performance da cantora Clementina de Jesus\, imagens da Missão de Pesquisas Folclóricas idealizada por Mário de Andrade\, entrevistas com pesquisadores como Félix Ayoh’Omidire\, Margarida Petter e Laura Álvarez López\, além de gravações de apresentações do bloco Ilú Obá De Min e da Orkestra Rumpilezz\, e o vídeo Encomendador de Almas\, de Eustáquio Neves\, que retrata o senhor Crispim\, da comunidade quilombola do Ausente ou do Córrego do Ausente\, na região do Vale do Jequitinhonha.   \n\n\n\nTudo isso em meio a sons de canções rituais e narrativas em iorubá\, fom\, quimbundo e quicongo\, captados pelo linguista norte-americano Lorenzo Dow Turner nos anos de 1940 na Bahia e cedidos pela Universidade de Indiana\, nos Estados Unidos. Será possível\, ainda\, assistir aos filmes sobre o Quilombo Cafundó: um que já existia há mais de 40 anos e outro que foi concebido para a exposição\, versando sobre a língua cupópia de modo mais enfático. 
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SUMMARY:"Lélia em nós: festas populares e amefricanidade" no Sesc Vila Mariana
DESCRIPTION:Lita Cerqueira\, Procissão de Santo Amaro. Foto: Coleção da artista\n\n\n\n\nA partir de 26 de junho será possível conhecer o pensamento da antropóloga\, historiadora e filósofa brasileira Lélia Gonzalez (1935 – 1994). O Sesc São Paulo\, em parceria com a Boitempo\, inaugura o projeto Lélia em nós: festas populares e amefricanidade\, na unidade Vila Mariana. A exposição\, que fica em cartaz até 24 de novembro de 2024\, foi inspirada pelo livro Festas populares no Brasil (que ganha nova edição pela Boitempo) e promove uma celebração da cultura afro-brasileira – ou amefricana\, como propõe a autora – a partir de um recorte que estabelece diálogos e reflexões suscitados pela produção intelectual de Gonzalez\, uma  proeminente ativista do movimento negro brasileiro e importante teórica do feminismo negro\, cuja morte completará 30 anos em 10 de julho de 2024. \n\n\n\nCom uma seleção de produções contemporâneas e de diferentes períodos\, reunida em cinco eixos temáticos\, Lélia em nós: festas populares e amefricanidade apresenta pinturas\, fotografias\, documentos históricos\, objetos\, performances\, instalações e vídeos de artistas como Alberto Pitta\, Heitor dos Prazeres\, Januário Garcia\, Maria Auxiliadora\, Nelson Sargento\, e Walter Firmo\, além de 12 trabalhos inéditos\, de artistas como Coletivo Lentes Malungas\, Eneida Sanches\, Lidia Lisboa\, Lita Cerqueira\, Manuela Navas\, Maurício Pazz\, Rafael Galante e Rainha Favelada. \n\n\n\nA mostra também apresenta um recorte de sonoridades e musicalidades\, tanto do universo das festas e festejos brasileiros quanto das intervenções do DJ Machintown e do trombonista Allan Abbadia\, além de registros fonográficos da discoteca pessoal de Lélia. Parte do acervo do Instituto Memorial Lélia Gonzalez (IMELG)\, a coleção reúne álbuns de artistas como Wilson Moreira e Nei Lopes\, Luiz Gonzaga\, Tamba Trio\, Clementina de Jesus\, Jamelão e Lazzo Matumbi \n\n\n\nPartindo de conceitos teóricos desenvolvidos por Lélia Gonzalez\, como a categoria político-cultural de amefricanidade – termo cunhado pela acadêmica em contraposição à ideia hegemônica de afro-americanidade para\, segundo ela\, “ultrapassar as limitações de caráter territorial\, linguístico e ideológico” e redimensionar a influência da diáspora atlântica para a formação das Américas do Sul\, Central\, do Norte e Insular –\, a mostra convida o público à compreensão dopotencial da cultura popular afro-brasileira como tecnologia de identidade e resistência. \n\n\n\nCom curadoria de Glaucea Britto e Raquel Barreto\, a exposição foi inspirada pelas proposições feitas por Lélia Gonzalez em Festas populares no Brasil. Único título publicado em vida pela intelectual exclusivamente como autora\, o livro foi publicado originalmente em 1987. A obra não foi oficialmente lançada no mercado\, tendo sido patrocinada por uma empresa multinacional e distribuída como presente de fim de ano. No mês de abertura da exposição\, a publicação ganhará nova edição da Boitempo\, a primeira voltada à circulação no mercado editorial. Com textos da acadêmica que evidenciam laços indissociáveis entre Brasil e África por meio de manifestações populares como o Carnaval\, o Bumba-Meu-Boi\, as Cavalhadas e festas afro-brasileiras como as Congadas e o Maracatu\, a obra reúne mais de cem imagens de cinco fotógrafos: Leila Jinkings\, Marcel Gautherot\, Maureen Bisilliat\, Januário Garcia e Walter Firmo (os dois últimos\, integrando a exposição). A nova edição inclui também materiais inéditos\, textos de apoio\, fac-símiles\, prólogo de Leci Brandão\, prefácio de Raquel Marreto\, posfácio de Leda Maria Martins\, texto de orelha de Sueli Carneiro e quarta capa de Angela Davis e Zezé Motta.
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SUMMARY:"Lia D Castro: em todo e nenhum lugar" no MASP
DESCRIPTION:Lia D Castro\, Sem título (detalhe)\, da série Axs nossxs pais\, natureza morta\, 2021. Galeria Martins&Montero\, São Paulo\, Brasil\, e Bruxelas\, Bélgica. Foto: Lucas Cruz/Instituto Çarê\n\n\n\nÉ impossível refletir sobre a obra da artista e intelectual Lia D Castro (Martinópolis\, São Paulo\, 1978) sem falar de encontros\, contrastes\, fricções e transformações. A partir de 5 de julho\, o público pode encontrar a exposição Lia D Castro: em todo e nenhum lugar\, no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. A primeira mostra individual da artista em um museu reúne 36 trabalhos\, sendo a maioria pinturas de caráter figurativo. As obras selecionadas exploram cenários onde o afeto\, o diálogo e a imaginação se tornam importantes ferramentas de transformação social.  \n\n\n\nO título da exposição parte da constatação da ausência histórica de grupos minorizados em posições de poder e decisão — em nenhum lugar —\, enquanto sua presença e força de trabalho compõem as bases que sustentam a sociedade — em todo lugar. Com curadoria de Isabella Rjeille\, curadora\, MASP\, e Glaucea Helena de Britto\, curadora assistente\, MASP\, a mostra apresenta trabalhos que abrangem toda a produção da artista. \n\n\n\nLia D Castro utiliza a prostituição como ferramenta de pesquisa e desenvolve sua produção a partir de encontros com seus clientes – homens cisgêneros\, em sua maioria brancos\, heterossexuais\, de classe média e alta – para subverter relações de poder ou violência que possam surgir entre eles\, aliando história de vida e história social. Temas como masculinidade e branquitude\, mas também afeto\, cuidado e responsabilidade\, são abordados nessas ocasiões e resultam em pinturas\, gravuras\, desenhos\, fotografias e instalações criadas de modo colaborativo. \n\n\n\nNesses momentos\, ela conversa com esses homens e os convida a refletir: quando você se percebeu branco? E quando se descobriu cisgênero\, heterossexual? “Perguntas sobre as quais a artista não busca uma resposta definitiva\, mas sim provocar um posicionamento dentro do debate racial\, sobre gênero e sexualidade”\, afirma a curadora Isabella Rjeille. \n\n\n\nAs conversas de Lia D Castro com esses homens são permeadas por referências a importantes intelectuais negros como Frantz Fanon\, Toni Morrison\, Conceição Evaristo e bell hooks. Frases retiradas dos livros desses autores\, lidos pela artista na companhia de seus colaboradores\, são inseridas nas telas e misturam-se aos gestos\, cenas\, cores e personagens. O trabalho de Lia D Castro torna-se um lugar de encontro\, embate e fricção\, no qual ações\, imagens e imaginários são debatidos\, revistos e transformados. Com frequência\, a artista insere referências a outros trabalhos por ela realizados\, incluindo-os em outro contexto e\, consequentemente\, atribuindo novos significados e leituras a essas imagens. \n\n\n\n“Partindo da visão de Frantz Fanon de que o racismo é uma repetição\, eu proponho combatê-lo com a repetição de imagens. Como a imagem constrói cultura e memória\, ao colocar uma obra dentro da outra\, busco criar novas referências estéticas”\, comenta a artista.
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SUMMARY:"Ofício: Barro: Gabriella Marinho – Argila-Griô" no Sesc Pompeia
DESCRIPTION:Gabriella Marinho no ateliê. Foto: Mari Bley\n\n\n\n\nCom abertura em 13 de agosto e visitação até 08 dezembro de 2024 no Sesc Pompeia\, a mostra Ofício: Barro: Gabriella Marinho – Argila-Griô reúne 25 trabalhos\, cerca de metade deles inéditos\, criados a partir de 2017 pela artista visual\, educadora e pesquisadora que\, em suas esculturas e instalações\, reflete sobre corporeidade e subjetividade\, explorando tanto as relações entre as peças e o espaço\, quanto a plasticidade pictórica que a pintura oferece sobre esse material. \nDesde sua criação em 2019\, o projeto Ofício\, desenvolvido no Galpão das Oficinas de Criatividade do Sesc Pompeia\, tem se destacado como um espaço inovador para a exploração e valorização de diversas formas de expressão artística. A edição de 2024\, intitulada Ofício: Barro\, celebra a argila como um material fundamental na criação de utensílios e obras de arte que moldaram culturas milenares\, desde a Mesopotâmia até o Egito Antigo. A modelagem do barro não só preserva tradições ancestrais\, mas também se revela uma poderosa ferramenta para expressar reflexões e sensibilidades contemporâneas. \nGabriella Marinho\, com sua participação no projeto Ofício\, destaca a importância da arte em argila não apenas como forma de expressão\, mas também como meio educativo e transformador. Primeira individual da artista fluminense em São Paulo\, Argila-Griô demonstra como a argila pode ser utilizada para revisitar e reinterpretar narrativas\, oferecendo novas perspectivas sobre questões de identidade e memória.No espaço expográfico de Ofício: Barro: Argila-Griô\, Gabriella Marinho e a curadora\, Renata Felinto\, estabelecem cinco eixos temáticos: Território; Corpo; Ritual; Memória; e Transformação. Reunindo pinturas\, esculturas\, mosaicos\, fotografias e uma videoperformance\, o conjunto de obras expostas\, que envolve técnicas mistas como artes gráficas\, tapeçaria\, cerâmica\, gravura\, maquetes e marcenarias\, é composto de trabalhos individuais e representativos de séries como Caminhos\, Maré Mexida\, Pedras\, Declive\, Cobogó\, Porcelana e Acordelar. Dentre as obras que serão apresentadas na mostra\, uma delas será desenvolvida em colaboração com a artista e a equipe de Ação Educativa da exposição. \nA exposição estará aberta para visitação pública até o dia 8 de dezembro de 2024 e conta com ações educativas ao longo desse período.
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SUMMARY:"outros navios: uma coleção afro-atlântica" no Centro Cultural Fiesp
DESCRIPTION:Vista da exposição © Edson Kumasaka\, 2024\n\n\n\n\nAs regiões da África central e ocidental estão conectadas ao Brasil por séculos de circuitos transatlânticos. Navios de violência adentraram mares até os nossos litorais. Mas também outros navios\, que nos permitem mergulhar por histórias alternativas e criar novos significados para as centenas de objetos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP) apresentados nesta exposição. \nMáscaras\, tecidos\, joias\, estatuetas\, de diferentes culturas africanas\, foram adquiridas por meio de doações ou compras encomendadas a partir da década de 1960\, quando os movimentos de independência política das ex-colônias em África se consolidavam. Uma coleção fruto de um tempo e espaço que expressa os fluxos de pessoas\, objetos e conhecimentos estabelecidos no sul global. O então professor do MAE\, Marianno Carneiro da Cunha (1926-1980)\, foi uma figura chave no projeto institucional e científico de construção da coleção. \nCaixas aguardando em um porto do litoral africano na década de 1970\, tornam-se caixas abertas na Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp para serem transformadas e ressignificadas. São expostas igualmente as artes no Brasil constituídas\, entendendo a coleção não como africana\, mas sim\, afro-atlântica. As obras de artistas contemporâneos aqui incluídas\, além disso\, indicam que uma coleção não é fixa e pode ser recomposta para apontar outros navios à vista.
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SUMMARY:"Acervo Aberto" no MAC USP
DESCRIPTION:Detalhe da obra de Hermelindo Fiaminghi. Imagem / Divulgação\n\n\n\n\nO Museu de Arte Contemporânea da USP inaugura no sábado\, 3 de agosto\, a partir das 11 horas\, a exposição Acervo Aberto\, reunindo mais de 150 obras de 46 artistas do acervo do Museu. Concebida por um grupo de trabalho formado por diversos profissionais do MAC USP\, Acervo aberto apresenta uma seleção de obras que considerou o histórico de exibição das peças\, privilegiando as nunca expostas e/ou com mais de 10 anos da última exposição\, entre elas\, obras recém-doadas e ainda não expostas no MAC USP. A exposição reúne obras produzidas desde 1925 (Lucy Citti Ferreira) até 2022 (Laura Vinci). Acervo aberto é uma mostra experimental inspirada pela ambiência das reservas técnicas – local de acesso restrito onde as obras de arte são acondicionadas. Em alguns trechos da mostra fica evidente a confluência dos diversos materiais\, característica da produção contemporânea que não se prende às categorias tradicionais da arte\, como pintura\, escultura ou gravura\, por exemplo. O controle da luminosidade é um ponto importante da mostra em respeito à conservação das obras. Ao longo da exposição\, algumas obras serão protegidas\, particularmente as em suporte de papel\, como ação preventiva. Dessa maneira\, dentro dos limites da extroversão\, o público pode testemunhar o campo de possibilidades de uma reserva técnica; a relevância dos materiais e\, sobretudo\, as condições que orientam o trabalho de pesquisa e guarda do objeto contemporâneo. Dentre os artistas participantes estão nomes como Mira Schendel\, Pola Rezende\, Hermelindo Fiaminghi\, José Antônio da Silva\, Nelson Leirner\, Nuno Ramos\, Elida Tessler\, Sérgio Sister\, Ricardo Basbaum\, Henrique Oswald\, Regina Vater\, Sérgio Adriano H\, Glauco Rodrigues e Amélia Toledo\, entre tantos outros. O Grupo de Trabalho Acervo Aberto é formado por Alecsandra Matias\, Ana Maria Farinha\, Ariane Lavezzo\, Claudia Assir\, Elaine Maziero\, Marta Bogéa\, Michelle Alencar\, Paulo Roberto Amaral Barbosa\, Rejane Elias e Sérgio Miranda\, além da colaboração de  Henrique Cruz\, Mariana Valença\, Mateus Oliveira e Nathielli Ricardo\, estudantes da USP estagiários no Museu. \n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n 
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LOCATION:MAC USP\, Av. Pedro Álvares Cabral\, 1301 - Vila Mariana\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Anne Frank: deixem-nos ser" na Unibes Cultural
DESCRIPTION:Anne Frank\, 1942. Coleção de fotos da Anne Frank Stichting\, Amsterdam.\n\n\n\n\nA exposição estabelece um diálogo sensível entre temas contemporâneos – tais como a valorização da diversidade\, direitos humanos\, questões indígenas\, de gênero e raciais – apresentados por meio de obras de relevantes artistas nacionais e internacionais\, e a celebração da vida de Anne Frank\, contextualização histórica e imersão no Anexo Secreto\, através de materiais fornecidos pela Anne Frank House Amsterdã. \nEm um percurso expositivo imersivo\, a mostra utiliza O Diário de Anne Frank como obra fundamental\, que revisitado no presente torna-se objeto de memória\, um potencial manifesto humanista e poderosa declaração ética. Marcando 80 anos após o último registro de Anne em seu diário\, no dia 1 de agosto de 1944\, e poucos dias antes do esconderijo ser descoberto e invadido\, quando a família Frank foi presa\, demonstra-se a força de sua memória e o compromisso em transmitir seu legado às próximas gerações. \nA reprodução fiel do Anexo Secreto é uma iniciativa inédita no Brasil\, um convite à imersão num espaço de memória reconstituído\, com objetos e marcas pessoais mencionadas em passagens do Diário. De relato pessoal\, tornou-se uma obra fundamental na trajetória da luta pelos direitos humanos\, no combate ao antissemitismo e todas as formas de intolerância\, e na construção da ideia de humanidade. Nessa missão\, felizmente\, Anne não está sozinha. Muitas vozes uniram-se a ela. \nE\, assim\, chegamos a um momento do hoje\, um espaço que abriga um conjunto de obras de arte originais de grandes nomes do cenário cultural nacional\, como Claudia Andujar\, Leonilson\, Flávio Cerqueira\, Nino Cais\, Eustáquio Neves\, Anna Bella Geiger\, Gê Viana\, Erich Brill\, entre outros — em empréstimos do MAM (Museu de Arte Moderna)\, Pinacoteca de São Paulo e galerias de arte. Em diálogo com a essência do Diário\, vozes atuais se unem à de Anne na exigência sempre urgente da existência\, da liberdade e da vida\, buscando expandir as possibilidades de empatia\, os paralelos possíveis e as identificações. \nA exposição conta ainda com um programa educativo personalizado para cada faixa etária\, com metodologia única desenvolvida pela Inspirar-te para proporcionar uma experiência criativa e única. Tais conteúdos complementares e acessíveis estão disponíveis na Plataforma Musea\, por isso recomendamos baixar o aplicativo no celular para aproveitar ao máximo a exposição. \nCom curadoria liderada por Carlos Reiss\, curador-chefe e coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba\, Eduardo Duíque\, curador de artes\, e a idealizadora Priscilla Parodi\, a mostra é idealizada pela Associação Inspirar-te\, e realizada pela Unibes Cultural e Ministério da Cultura.
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SUMMARY:Megumi Yuasa na Gomide&Co
DESCRIPTION:Megumi Yuasa\, Sem título\, início da década de 1990\n\n\n\n\nA Gomide&Co tem o prazer de apresentar a primeira individual de Megumi Yuasa (São Paulo\, 1938) na galeria\, que inaugura no dia 22 de agosto\, às 18h. A exposição tem projeto concebido pela parceria entre o artista Alexandre da Cunha\, a arquiteta Jaqueline Lessa (entre terras) e a pesquisadora Rachel Hoshino\, que também assina o texto crítico. Sem expor individualmente desde 1998\, o artista realiza na Gomide&Co uma mostra que combina obras realizadas desde o fim da década de 1970 até algumas inéditas realizadas em 2024. \nMegumi constrói ao longo de sua produção artística uma linguagem própria\, dando forma a esculturas que combinam elementos variados\, como argila\, metais\, limalhas e óxidos. Um mestre em seu meio\, o artista enfatiza a comunhão dos ceramistas com a terra\, defendendo que tudo o que está ao redor de uma obra faz parte dela e vai acompanhá-la ao infinito. É justamente essa relação dialógica\, sempre imbuída pelo discurso filosófico e político do artista\, que estrutura boa parte de seus trabalhos. \nMegumi Yuasa inicia-se nas artes plásticas em 1964\, quando passa a realizar suas primeiras cerâmicas. Viaja em seguida junto a sua companheira Naoko Yuasa ao interior do estado de Goiás\, pesquisando técnicas e materiais. Em 1968\, realiza em Goiânia sua primeira exposição\, e no ano seguinte retorna para São Paulo. Logo seu trabalho passa a ser reconhecido. Já em 1971\, frequenta por seis meses a Escola Brasil\, a convite do pintor Luiz Paulo Baravelli (1942). Em 1988\, morando em Itu\, passa a trabalhar na Cerâmica Aruan\, fábrica de Gilberto Daccache. No final de 1988\, o artista passou a trabalhar como mestre ceramista na própria fábrica\, sendo a ele reservado um espaço onde modelava suas peças e ensinava o ofício aos jovens operários que faziam utilitários. \nDas exposições que participou\, cabe destacar as suas participações nas 13ª e 14ª edições da Bienal de São Paulo (1975 e 1977\, respectivamente); Laços do Olhar (2008)\, coletiva no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo); e O Curso do Sol (2023)\, coletiva com curadoria de Yudi Rafael\, na Gomide&Co. Em 2024\, sua obra integrou a coletiva Tocar a Terra\, curadoria de Rachel Hoshino como parte do programa Diásporas Asiáticas\, no Instituto Tomie Ohtake. \nA exposição de Megumi Yuasa ocorre no contexto de um programa da Gomide&Co que dedica especial atenção ao território da cerâmica\, tendo como bússola a superação das distinções estabelecidas entre a técnica e outras linguagens artísticas com vias à afirmação dessa produção no campo da arte contemporânea. Suas paisagens imaginadas\, entre árvores\, nuvens\, sementes e os chamados espássaros\, irão agora compor o espaço expositivo da galeria\, ganhando formas familiares e ao mesmo tempo improváveis\, constituídas a partir de uma expografia singular que apresenta suas obras sem hierarquias. Tendo realizado suas primeiras exposições ainda no fim da década de 1960\, o artista chega para a ocasião somando mais de meio século de trajetória como um nome fundamental da escultura no Brasil. Diante de seu repertório visual\, agora é possível também perceber a amplitude de sua poética\, que atravessa linguagens e constitui seu discurso interdisciplinar.
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SUMMARY:“Nós — Arte e Ciência por Mulheres” no Sesc Interlagos
DESCRIPTION:Obra de Efe Godoy. Imagem: Divulgação\n\n\n\n\nO Sesc Interlagos recebe a partir de 22 de agosto a exposição “Nós — Arte e Ciência por Mulheres”\, sobre a trajetória da produção científica\, intelectual e artística das mulheres como produtoras e mantenedoras de conhecimento. A mostra apresenta um panorama que valoriza sua contribuição e\, ao mesmo tempo\, as diversas camadas pelas quais historicamente foram invisibilizadas de suas atuações na sociedade. \nA realização é do Sesc São Paulo\, com concepção do Estúdio M’Baraká e cocuradoria de Isabel Seixas\, Letícia Stallone\, Gisele Vargas e Diogo Rezende\, além da consultoria realizada pela pesquisadora Magali Romero Sá\, especializada em História da Ciência. São apresentadas cerca de 300 obras a partir da apresentação de personagens\, de iconografia histórica e científica e com os trabalhos de artistas contemporâneas como Berna Reale\, Laura Gorski e Ana Teixeira. \nContemplando cenários históricos que vão desde a sabedoria ancestral até a crescente presença feminina nas instituições científicas\, a narrativa da exposição propõe uma reflexão e um contraponto sob a perspectiva do feminino com dados históricos e contribuições. A mostra ilustra como\, por meio de conhecimento\, posturas e narrativas afirmativas\, as mulheres atravessaram séculos de um pensamento hegemônico de opressão. \n“Nós\, mulheres\, sempre criamos\, curamos\, catalogamos\, inventamos\, analisamos e\, sobretudo\, lutamos. ‘Nós — Arte e Ciência por Mulheres’ traz para a linguagem de exposição uma narrativa que busca dar visibilidade à contribuição das mulheres ao longo dos tempos\, e faz isso através da arte\, buscando informar e sensibilizar para mudanças em curso\, mas que seguem urgentes para a emancipação das mulheres“\, ressalta Isabel Seixas\, da equipe curatorial. 
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LOCATION:Sesc Interlagos\, Av. Manuel Alves Soares\, 1100 - Parque Colonial\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:“Leonilson - agora e as oportunidades” no MASP
DESCRIPTION:Leonilson\, Agora e as oportunidades (detalhe)\, 1991. Foto: © Rubens Chiri/ Projeto Leonilson\n\n\n\n\nOs jogos de palavras e as minuciosas imagens em pinturas\, desenhos\, bordados e instalações de Leonilson (José Leonilson Bezerra Dias\, Fortaleza\, 1957–1993\, São Paulo) traduzem reflexões filosóficas sobre a sua vida e o contexto no qual se insere\, conferindo aspectos autobiográficos às suas obras. Mais de 300 trabalhos e documentos que refletem as sutilezas do artista ao expressar perspectivas políticas\, públicas e íntimas serão expostos no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand\, de 23 de agosto a 17 de novembro de 2024\, durante a mostra Leonilson: agora e as oportunidades. \nA exposição oferece um panorama da produção de Leonilson nos seus últimos cinco anos de vida\, entre 1989 e 1993\, período mais rico e complexo do artista\, que ficou conhecido como Leonilson Tardio. Com curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, e assistência curatorial de Teo Teotonio\, a mostra é dividida cronologicamente em cinco salas no 1º andar do museu\, cada uma dedicada a um desses últimos anos de trabalho. No mezanino\, localizado no 1º subsolo\, ganham destaque as suas ilustrações feitas para a coluna de comportamento Talk of the town – o ti-ti-ti da cidade\, de Barbara Gancia no jornal Folha de S.Paulo\, bem como os vídeos documentais Com o oceano inteiro para nadar (1997)\, dirigido por Karen Harley\, e A paixão de JL (2014)\, dirigido por Carlos Nader. \n“Leonilson é um artista tanto central quanto marginal na história da arte brasileira. Central\, porque é autor de uma obra absolutamente incontornável no final do século 20\, reconhecido em incontáveis exposições\, livros e mesmo em tatuagens. Mas ele é também marginal\, pois\, com uma obra tão singular\, não se encaixa facilmente nos movimentos e gerações da história da arte brasileira. Sobretudo\, Leonilson é marginal porque\, no final dos anos 1980 no Brasil\, é um homem gay\, e\, a partir de meados de 1991\, passa a viver com HIV\, o que suscitava preconceitos e discriminações na época”\, comenta Adriano Pedrosa. \nA mostra\, que conta com o parceiro estratégico do MASP Itaú Unibanco\, tem em seu título o nome da obra Agora e as oportunidades (1991). Essa obra\, pertencente ao acervo do museu\, é uma das mais emblemáticas do artista. Nela é possível ver uma figura que evoca um ser mitológico\, solitário e dividido\, com quatro pernas e cabeças\, caminhando para diversos lados. À direita\, na pintura\, Leonilson desenhou seis copos\, embaixo de cada um deles é possível ler: “os negros”\, “os homossexuais”\, “os judeus”\, “as mulheres”\, “os aleijados”\, “os comunistas”\, designações que se referem às minorias sociais de sua época e evidenciam o aspecto político de sua produção. O trabalho será exibido junto à montagem inédita da instalação As minorias (1991)\, exposta pela última vez no ano em que foi produzida.
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LOCATION:MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand\, Avenida Paulista\, 1578 - Bela Vista\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Singular Plural: Rubem Valentim" no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
DESCRIPTION:Rubem Valentim. Crédito: Marcia Gabriel\n\n\n\n\nO Museu Afro Brasil Emanoel Araujo\, instituição da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, anuncia a abertura da exposição Singular Plural: Rubem Valentim. A inauguração será no dia 24 de agosto\, a partir das 11h\, com entrada gratuita. Em linha com as ações de acessibilidade e o compromisso de acolher todos os públicos\, o Museu oferece uma experiência estética inclusiva com fotografias\, serigrafias e esculturas adaptadas para pessoas com deficiência\, garantindo que a exposição promova um encontro sensível entre pessoas e a arte\, em sua diversidade. \nA mostra\, baseada em obras do acervo do Museu\, abrange elementos com recursos acessíveis instalados no subsolo e obras originais localizadas no primeiro nível do espaço. Os elementos com recursos acessíveis incluem duas reproduções táteis tridimensionais e três reproduções bidimensionais das obras originais que serão apresentadas na exposição instalada no primeiro nível. Além disso\, a mostra conta com jogos interativos\, um mapa tátil e um retrato tátil do artista homenageado\, proporcionando uma experiência rica e sensorial para todos os visitantes. \nEsta exposição marca a ampliação do acesso às obras de Valentim e celebra os 13 anos do programa “Singular Plural”\, que visa implantar\, expandir e aperfeiçoar recursos de acessibilidade\, tornando o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo um espaço cada vez mais acolhedor para todos os públicos. \nAo longo da carreira\, Valentim desenvolveu uma “Riscadura Brasileira”\, rica em cores vibrantes das festas populares afro-cristãs\, celebrações indígenas\, candomblé e umbanda. Sua arte foi inspirada em elementos cotidianos\, como máscaras\, estátuas\, altares e ferramentas. Assim\, ele ressignificou instrumentos dos orixás\, como o Oxé de Xangô\, e\, com a geometria sagrada\, criou uma linguagem “plástico-visual-signográfica” para expressar ideias\, valores e tradições culturais. Essa abordagem é ao mesmo tempo estética e simbólica.  \nO artista destaca a diversidade cultural do Brasil e se estabeleceu como um dos mais importantes artistas baianos no cenário nacional e internacional. Suas obras estão entre as mais procuradas pelo público no Museu e são consideradas contemporâneas\, inovadoras\, únicas e universais. Além disso\, carregam uma mistura de signos que abrangem geometria e religiosidade. 
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SUMMARY:“Sefirot” de Mimi Lauter na Mendes Wood DM
DESCRIPTION:Detalhe da obra de Mimi Lauter. Imagem: Divulgação / Cortesia Mendes Wood DM\n\n\n\n\nEm Sefirot\, a artista Mimi Lauter\, de Los Angeles\, conhecida por seu trabalho em pastel oleoso e pastel seco\, desenvolve uma obra profundamente sintonizada com os conceitos da Árvore da Vida do misticismo cabalístico. Os cabalistas acreditam que dez forças criativas conectam o infinito e o incognoscível ao nosso mundo presente. Dez faces de Deus voltadas para a nossa realidade material. Dez aspectos da onipresença divina que se cruzam com nosso cotidiano. Dez emanações que derramam a luz inefável do divino – as imagens destacam formas de iluminação\, luminosidade\, brilho e luz. Cada uma das dez sefirot\, ou emanações\, representa um conjunto de conceitos abstratos\, com imagens e noções associadas. Os cabalistas organizaram essas dez sefirot em um diagrama de relações chamado Árvore da Vida\, sendo que cada força é representada por uma esfera\, um nó ou ponto. Diferentes canais conectam as sefirot adjacentes\, de modo que posicionam aspectos da manifestação divina em várias relações. É uma árvore que estrutura a forma como o divino se apresenta para nós ou como o entendemos. É a vida vegetal que contorna uma compreensão mística de nossa existência. Por ser tão dedicada à estética do jardim e basear grande parte de sua prática no estudo da flora\, Lauter não poderia criar de outro jeito. \nNa árvore dos cabalistas\, as sefirot são organizadas em três colunas: as da direita representam conceitos do gênero masculino\, as da esquerda\, do gênero feminino\, e a coluna do meio representa o equilíbrio ideal entre misericórdia e justiça\, uma amálgama andrógina entre o feminino e o masculino. A relação entre os gêneros e certas sefirot pode surpreender as sensibilidades modernas\, não só pela simplicidade de atribuir tais binarismos\, mas também pela inesperada e intrigante combinação de valores\, como misericórdia e compaixão que se ligam à masculinidade\, enquanto justiça\, poder\, punição e ferocidade são valores atribuídos ao feminino. Estranho e provocativo. \nNo topo central da árvore está Keter\, a coroa\, ladeada à esquerda e à direita por Bina e Hokhmah\, respectivamente. Como é a sefirá mais elevada\, Keter representa o éter primordial e a negação do pensamento\, algo quase Zen. Bina abrange compreensão\, discernimento e pensamento analítico\, além de simbolizar a mãe\, o útero\, a redenção e a linguagem. Hokhmah\, por sua vez\, é a sabedoria\, os aspectos sintéticos do divino e a ideia de começo\, no sentido de algo que surge a partir do aparente nada ou de uma semente\, estando\, por isso\, associada ao Éden. Lauter une essas três forças em um grande díptico dividido em três regiões retangulares\, contendo dois grandes círculos em cada extremidade\, atados no topo como se fossem abraços. Dessa forma\, a artista cria uma semelhança marcante com uma visão anatômica dos ovários\, trompas de falópio e útero. O terço inferior da pintura é pontilhado de vermelho\, evocando um campo de papoulas vermelhas selvagens do sul de Israel\, vistas em perspectiva\, diminuindo na distância. \nDescendo pela árvore\, encontramos Din (julgamento\, poder\, punição\, fogo\, noite\, nuvem) e Hesed (misericórdia\, amor\, bondade\, compaixão\, graça). A pintura de Lauter\, Hesed Sefira\, apresenta vários elementos figurativos dispostos simetricamente como uma estrutura parcialmente murada – dois braços e duas pernas cortados\, escurecidos\, como se carbonizados. Uma chuva de manchas cinzas\, brancas\, amarelas e azuis cai. O pastel preto confere um efeito de fuligem ou fumaça. Enquanto isso\, Dina Sefiraé uma explosão sinfônica de vermelho em tons de sangue\, vinho\, sujeira\, crosta\, hematoma e víscera\, com uma grande nuvem branca e espessa em forma de sobrancelha flutuando na metade superior. Na parte inferior\, uma impressão de mão direita pressiona contra ou através da superfície. Linhas onduladas se estendem e manchas verdes da base emergem por toda parte. \nTiferet\, que representa a beleza\, a verdade e o equilíbrio ideal que preserva a união do universo\, entre a justiça e a misericórdia\, aparece como um jardim retangular verdejante cercado por tons de rosa e uma borda ou moldura que atua como se fosse uma porta do corpo se abrindo para o jardim. Uma figura de infinito flutuante\, em forma de oito\, paira acima do centro da imagem como um espírito levitante e alado.  \nMais abaixo na árvore da vida\, o próximo par de conceitos é Nezah (eternidade\, resistência\, vitória) e Hod (majestade\, profecia)\, ambos apresentados em monocromos azuis: o primeiro com azuis profundos que evocam o mar ou o céu noturno\, enquanto o segundo exibe uma piscina alta e reluzente de tons aquosos cintilantes. Abaixo e entre eles está Yesod\, na base da árvore\, significando a fundação e a paz\, o pacto do arco-íris\, os mandamentos\, a memória e a redenção\, além do falo. Lauter pinta essa imagem como uma janela azul ou um portal\, evocando outros trabalhos\, como\, por exemplo\, Exquisite Corpse within a Landscape [Cadavre exquis em uma paisagem]\, uma pintura menor\, estratificada e emoldurada\, que é colada no centro da pintura maior e cercada por um campo verde repleto de flores vermelhas dos dois lados e flores douradas abaixo\, como um tapete\, e acima\, por uma forma que remete a uma tenda chupá. Abaixo de Yesod\, Shekinah aparece enraizada na terra\, significando literalmente habitação\, a habitação da presença de Deus neste mundo. Shekinah é o aspecto feminino e cósmico do divino\, associado a rainhas\, noivas e mães\, representa também o espírito da terra de Israel. Também está ligada ao Jardim do Éden\, à árvore do conhecimento e à expulsão da humanidade após a transgressão – de fato\, exílio e diáspora estão entrelaçados nessa sefirá. Na interpretação da artista\, Shekinah Sefira é retratada como um grupo de montanhas ou colinas em forma de cúpula ou cebola\, com torres que alcançam os céus\, mas que\, na verdade\, são braços estendidos que alcançam uma pequena estrela de Davi vermelha em relevo espesso. Dominada por tons de vermelho e laranja\, a pintura é vista através de uma abertura nas nuvens azuis\, ainda visíveis nas margens. Convidativo\, o exótico e tenso Éden de Mimi Lauter continua a lançar seu feitiço de origem sobre todos nós. \n— Sarah Lehrer-Graiwer 
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SUMMARY:“ARDOR E IRA” de Fernando Marques Penteado na Mendes Wood DM
DESCRIPTION:Detalhe da obra de Fernando Marques Penteado. Imagem: Divulgação / Cortesia Mendes Wood DM\n\n\n\n\nMendes Wood DM apresenta ARDOR E IRA\, exposição individual do artista Fernando Marques Penteado. Retomando a imagem de um lar\, Marques Penteado explora uma ampla gama de símbolos que foram mantidos e valorizados em ambientes domésticos para proteger seus habitantes. Abrangendo diferentes geografias e tradições\, desde figuras devocionais peruanas até deuses afro-brasileiros\, ARDOR E IRA traça uma análise poética da busca duradoura da humanidade por objetos evocativos e protetores. Combinando instalações\, trabalhos esculturais\, desenhos e storyboards\, Marques Penteado literalmente borda as histórias não contadas incrustadas nessas representações.   \nARDOR E IRA  \nNós oscilamos perpetuamente entre a pacificação e a afronta. O Ardor regenera e faz prosperar. A Ira ceifa\, elimina e dispara rancores. Ao lado disso\, neste vasto mundo\, não há local mais sereno\, estimado e procurado do que uma casa. E para que a casa consiga se consagrar como lar\, ela precisa proteção. Evocar a proteção de um lar\, de uma família\, é um gesto ancestral. Figuras emblemáticas lançam seus efeitos\, suas vitalidades e aquela casa passará a as ter por guardiãs.  \nCertas paredes da exposição resgatam formas antigas que pedem por fertilidade\, outras procuram a saúde e outras a devoção. As paredes laterais\, entretanto\, são dedicadas à um dos guias deste ano corrente\, 2024\, o Exu_Bará com suas habilidades de um mensageiro tenaz por entre mundos físicos e os psíquicos\, subterrâneos.   \nAinda outra larga parede apresenta um continuo de estórias de casas: de quando as já se tem\, de quando ainda as se busca\, ou de quando por infortúnio as se perde. Ficções\, arranjos\, ornamentos\, esculturas e mapas alargam o nosso globo terrestre. A casa\, tal como a vida\, também oscila entre sólida e efêmera\, bela e arruinada\, protegida ou à mercê de intempéries e maldições.  \nE por último há na exposição três linhas narrativas ficcionais e objetos satélites que acompanham 1. a saga de Lurdes ao recuperar a urna com as cinzas de sua irmã 2. a alegre trajetória de Konrad entre a Bratislava na República Tcheca até Portland nos EUA e 3. uma charada que descreve o homem que é folgado\, sujeito infelizmente ainda muito em voga.  \nÉ isso. É vir e desfrutar.   \n– Fernando Marques Penteado 
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SUMMARY:“They Early Doors” de Michael Dean na Mendes Wood DM
DESCRIPTION:Vista da instalação “They Early Doors“. Cortesia Mendes Wood DM\n\n\n\n\nMichael Dean apresenta They Early Doors\, uma exposição individual em São Paulo\, que acontece entre a Mendes Wood DM e a Casa Iramaia. \nSeria possível descrever as relações existentes em uma experiência através da sintaxe? Para o artista Michael Dean\, as perspectivas dessa pergunta impulsionam sua investigação contínua sobre a transmutação da linguagem\, uma tarefa que ele realiza por meio de práticas sobrepostas de escultura\, escrita e tipografia. Empregando\, com frequência\, estruturas tridimensionais para publicar suas ideias\, Dean exerce a necessidade de alocar palavras a símbolos\, ativando cada espaço para criar experiências. Em de They Early Doors\, o artista retoma suas reflexões sobre a natureza e a condição pós-humana\, apresentando um novo corpo de trabalho na forma de esculturas de concreto moldadas à mão e manipuladas com fogo. \nO ponto de partida para They Early Doors é uma fotografia despretensiosa de um campo de futebol capturada pelo artista em uma manhã de primavera. Uma cena banal em um parque local na Inglaterra\, composta de uma trave sem rede em um campo aparentemente deserto. Presentes no local\, alguns pássaros repousando servem como os únicos observadores vivos. A encenação dessa fotografia\, ou dessa experiência\, levou Dean a identificar a sintaxe dos elementos presentes: Três traves de gol\, o potencial do momento pontuado pelos pássaros ou o vislumbre da presença humana na grama recém-aparada. \nUsando esse modelo de redigir um texto em um ambiente\, o artista define as palavras que ressoam com o vocabulário presente à vista. Transcrevendo sentimentos em esculturas de concreto\, Dean faz um uso vigoroso da técnica de cerâmica\, tratando o concreto\, em vez de argila\, com fogo\, e manipulando o material inteiramente à mão. Por meio de moldes de prensa e formas manuais\, ele cria formas concretas que testemunham o ambiente capturado pela câmera. Traduzindo a fisicalidade das traves de gol em utensílios de concreto texturizado ou registrando as imagens de pássaros como símbolos monetários. Enfatizando a importância da técnica da cerâmica no seu trabalho\, Dean molda o concreto jogado à mão\, queima-o com esmalte fundido e\, muitas vezes\, preserva evidências da natureza no material. Trabalhar com concreto é uma escolha que o artista descreve como democrática\, um marcador de uma linguagem fluida a ser modificada de acordo com a necessidade.   \nPara Roland Barthes\,1 essa natureza evolutiva do significado constitui a diferença essencial entre uma obra que deve ser interpretada e uma obra que deve ser vivenciada. Para Dean\, essa é uma constante que sempre o levou a desafiar as noções de autoria em uma exposição. Convidando os espectadores a se tornarem protagonistas\, tanto quanto o artista por trás da obra\, um processo de manifestação por meio do qual ele mesmo se retira da experiência. Sem procurar discernir\, They Early Doors convida os visitantes a abraçar o inesperado\, contribuindo assim para a inscrição de novos significados.   \n[1] Roland Barthes\, Da Obra ao Texto\, 1971 
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SUMMARY:"Matéria Prima" de Gisela Colón no Instituto Artium de Cultura
DESCRIPTION:Gisela Colón\, Plasmático O Quarto Estado da Matéria. Instalação na exposição “Matéria Prima” no Museu Nacional da República\, Brasília\, Brasil\, 2024\n\n\n\n\nO Instituto Artium apresenta Matéria Prima\, exposição composta por esculturas da artista porto-riquenha-americana Gisela Colón\, cujas obras eco feministas abordam questões ecológicas\, cósmicas e universais\, a primeira exibição institucional da artista em São Paulo\, com abertura marcada para 25 de agosto. \nAs esculturas orgânicas de estrutura totêmica e ativadas pela luz de Gisela Colón\, junto a suas monumentais instalações de arte ambiental\, exploram a percepção humana e desafiam os espectadores a vivenciarem transformações no espaço em tempo real. Colón tem um processo artístico que utiliza materiais de alta tecnologia\, como acrílicos ópticos e fibra de carbono\, bem como material coletado em locais importantes na trajetória de vida da artista. Além disso\, Colón é conhecida por ser a pioneira do “minimalismo orgânico”\, um estilo que evoca a energia da terra\, memórias biológicas ancestrais e conceitos de tempo\, gravidade e forças universais da natureza. \nOrganizada pelo curador independente Simon Watson\, a exposição busca provocar um diálogo entre as esculturas orgânicas luminescentes de Colón e a arquitetura histórica neoclássica do Palacete Stahl\, sede do Instituto Artium. A exposição começa na parte externa\, onde Colón transforma os jardins do instituto através de uma instalação artística composta por três monólitos parabólicos\, uma forma escultural poderosa que ela tem integrado em suas intervenções de Land Art ao redor do mundo. Neste oásis com vegetação exuberante\, os totens translúcidos surgem do solo como se fossem árvores futuristas\, integrando-se de forma harmoniosa à floresta urbana\, a flora e a fauna de São Paulo. \nOs monólitos de Colón combinam futurismo com artefatos culturais antigos e estruturas primitivas misteriosas. O formato\, à primeira vista\, remete a formas geométricas aerodinâmicas\, semelhantes a projéteis utilizados em situações de vigilância e guerra. Essa referência evoca a história conturbada do colonialismo militarizado no Caribe\, bem como as complexas experiências pessoais da artista com a violência armada. No entanto\, para Colón\, o monólito também ressoa\, em sua vertiginosa verticalidade\, com os impressionantes picos montanhosos da Floresta Tropical de El Yunque e da Cordilheira Central em Porto Rico\, que são uma duradoura fonte de inspiração e matéria-prima para a artista. Através das mãos de Colón\, a violência de um projétil se transforma na forma primordial e enigmática da montanha\, simbolizando um ato de cura transformador e decolonial. Através do monólito\, Colón reconfigura histórias entrelaçadas em uma linguagem universal\, transformando formas de violência\, deslocamento e morte em símbolos de cura\, luz e vida. \nColón utiliza a palavra “plasmático”\, referindo-se ao quarto estado da matéria criado sob pressão intensa e superaquecimento\, como uma metáfora para descrever a experiência de vida latino-americana. “Assim como o plasma”\, diz ela\, “nós emergimos de uma opressão profunda\, transformando-nos em montanhas que brotam das forças geológicas sob a terra\, ou supernovas que explodem no espaço. A superfície mutável e iridescente da escultura encapsula poeticamente a natureza evolutiva de nossa luta colonial\, entrelaçando-se em um diálogo sinérgico com as condições culturais\, etnográficas e históricas deste importante sítio brasileiro.” \nAo ativar os espaços calcários centenários do Palacete Stahl\, as esculturas em formato de cápsula orgânica de Colón evocam um senso de mistério. Elas canalizam as origens do universo\, incluindo o big bang e vestígios do início da vida. Além disso\, fazem referência a estruturas dentro do corpo humano\, como nossas mitocôndrias e DNA. As esculturas em formato de cápsula refletem as investigações de Colón sobre a teoria das cores. Através de uma experiência prismática de luz\, sem o uso de tinta\, a artista cria o que ela chama de ‘cor estrutural’. Como recipientes de cor estrutural\, as esculturas apresentam um espectro de cores fluido quando observadas de diferentes pontos de vista\, uma função da refração da luz que se manifesta no mundo natural. Assim\, as formas assimétricas e ‘humanizadas’ de Colón incorporam características da vida orgânica\, alterando e transformando suas qualidades físicas conforme os fatores ambientais. Isso facilita uma experiência perceptual de cor como luz em tempo real\, permitindo aos espectadores imaginarem fenômenos perceptuais ‘impossíveis’\, como cores imaginárias. \nA artista apresenta\, simultaneamente\, uma exposição paralela correlacionada intitulada O Quarto Estado de Matéria\, na Galeria Raquel Arnaud com curadoria de Marcello Dantas.
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LOCATION:Instituto Artium de Cultura\, Rua Piauí\, 874 - Higienópolis\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Stefania Bril: desobediência pelo afeto" no IMS Paulista
DESCRIPTION:Sem título. Via Dutra\, abril de 1972. Foto de Stefania Bril. Acervo IMS / Arquivo Stefania Bril\nRomênia\, 1968\, da série “Ciganos” © Josef Koudelka/Magnum Photos\, cortesia da Fundação Josef Koudelka.\n\n\n\n\nStefania Bril: desobediência pelo afeto\, com curadoria de Ileana Pradilla Ceron e Miguel Del Castillo\, é a primeira exposição dedicada à obra da fotógrafa e crítica nos últimos trinta anos. Polonesa de nascimento\, Stefania Bril aportou no Brasil em 1950\, já formada em química\, e só mais tarde se iniciou na fotografia. Sua breve mas intensa obra fotográfica gerou cerca de 11 mil fotogramas\, produzidos entre 1969 e 1980\, e que\, juntamente com seu arquivo\, fazem parte do acervo do IMS. A desobediência parece ser um dos principais traços que marcaram sua vida e seu trabalho\, que questiona certos critérios tradicionais de valoração da fotografia. As diversas camadas de leitura que suas fotos possuem revelam tanto um olhar esperançoso e empático como uma posição crítica\, alguém que enxerga a falência da cidade moderna e que aposta no afeto como antídoto à violência estrutural\, no cotidiano como espaço de resistência – inclusive em meio a contextos totalitários\, como os anos de chumbo no Brasil. \nA mostra está organizada em seis núcleos. Os dois primeiros e mais expressivos perfazem o ensaio fotográfico principal\, com imagens ampliadas digitalmente a partir dos negativos\, e abrangem duas de suas grandes temáticas: a cidade e os seres humanos que a habitam. A seguir\, uma seleção de cópias de época realizadas por Stefania exemplifica o modo como organizou seu trabalho em séries\, e\, depois\, dois núcleos com vídeos e materiais documentais dão conta de seu trabalho como crítica\, curadora e articuladora do campo fotográfico. Uma alentada narrativa biográfica encerra a exposição.
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LOCATION:IMS Paulista\, Avenida Paulista\, 2424\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"100 anos de Paulo Vanzolini\, o cientista boêmio" no Sesc Ipiranga
DESCRIPTION:GARBE na Amazônia\, decadas de 1960 e 1970. Crédito Acervo da Família\n\n\n\n\nNo centenário de nascimento de Paulo Vanzolini (1924 – 2013)\, compositor brasileiro responsável por clássicos como Ronda e Volta Por Cima\, o Sesc São Paulo apresenta uma imersão na vida do artista\, revelando não apenas sua faceta musical\, mas também a trajetória do zoólogo de renome internacional. A exposição 100 anos de Paulo Vanzolini\, o cientista boêmio ocupa o Sesc Ipiranga a partir de 28 de agosto de 2024\, e segue em cartaz até 16 de março de 2025. Idealizada pelos filhos do cientista\, o diretor de arte e cineasta Toni Vanzolini e a psicóloga Maria Eugênia Vanzolini\, a mostra conta com curadoria de Daniela Thomas\, reconhecida cenógrafa\, cineasta e diretora teatral. \n“A data simbólica do centenário de Paulo Emilio Vanzolini\, nosso pai\, nos motivou a pensar uma exposição que mostrasse um pouco da pluralidade desse brasileiro que ouviu\, traduziu\, pesquisou\, escreveu\, cantou e pensou um Brasil bom\, diverso e inclusivo. Que sempre valorizou o conhecimento e a arte\, fazendo de ambas seu maior legado. O universo desse personagem interessado e interessante\, ‘cientista boêmio’\, como bem o definiu Antonio Candido\, é o que queremos mostrar nessa exposição”\, antecipa Toni Vanzolini. \nSem perder de vista o lado boêmio e artístico do homenageado\, a exposição revisita as expedições científicas e as contribuições para a ciência empreendidas como herpetólogo\, especializado no estudo de répteis e anfíbios. O Sesc Ipiranga como espaço para a exposição possui um simbolismo especial: a proximidade com o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP)\, onde Paulo Vanzolini trabalhou por cinco décadas – três destas\, como diretor. \n“Algumas figuras são incontornáveis na história de uma cidade\, de um país. Algumas chegam a ser incontornáveis até no planeta. É o caso do nosso homenageado nessa exposição\, Paulo Vanzolini\, que completaria 100 anos este ano e que passou a maior parte da sua vida aqui do lado do Sesc Ipiranga\, dirigindo o Museu de Zoologia da USP\, sua casa. Ou uma de suas casas\, já que se sentia perfeitamente integrado à paisagem numa picada na floresta\, no seu laboratório ou no boteco\, entre músicos ou entre os maiores intelectuais da sua época”\, destaca Daniela Thomas. “Homem ímpar\, de uma inteligência sobrenatural\, uma inventividade que produziu versos inesquecíveis como ‘reconhece a queda e não desanima\, levanta\, sacode a poeira\, dá a volta por cima’ e teorias revolucionárias na zoologia\, e de uma determinação quase autoritária\, características que fizeram dele essa potência realizadora que celebramos agora”. \nEm parceria com o Museu de Zoologia da USP\, a exposição exibe ao público 51 exemplares conservados de espécies animais identificadas e catalogadas por Vanzolini. Esses espécimes\, emprestados pelo Museu ao Sesc\, estão em destaque em uma sala que recria um laboratório de zoologia. \nCinco salas temáticas revelam a trajetória multifacetada de Vanzolini\, abrangendo mais de meio século de pesquisa. A exposição destaca suas célebres expedições amazônicas e as conexões entre arte e ciência que ele promoveu. Documentos\, fotografias e vídeos oferecem um vislumbre dos bastidores das descobertas marcantes do “cientista boêmio”\, apelido carinhosamente atribuído por Antonio Cândido\, sociólogo e crítico literário\, no encarte do disco Acerto de Contas de Paulo Vanzolini (2002). Esta compilação apresenta 52 composições do cientista\, interpretadas por renomados artistas como Chico Buarque\, Paulinho da Viola e Martinho da Vila. \nNo percurso expositivo\, ilustrações de Alice Tassara guiam os visitantes pela trajetória de Vanzolini\, em uma cronologia biográfica que destaca aspectos de sua formação acadêmica e seu círculo de amizades com intelectuais\, artistas e ícones da música popular brasileira.
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SUMMARY:"Gabriel Massan: Terceiro Mundo\, a dimensão descoberta" na Pinacoteca Contemporânea
DESCRIPTION:Créditos: Terceiro Mundo – a dimensão descoberta. Cortesia do artista e Serpentine.\n\n\n\n\nEm “Terceiro Mundo – a dimensão descoberta”\, a galeria expositiva do edifício Pina Contemporânea se transforma no universo imersivo criado pelo artista Gabriel Massan\, com suas esculturas\, desníveis e texturas que remetem à experiência de dentro das telas. \n“Terceiro Mundo – a dimensão descoberta”\, projeto desenvolvido em colaboração com a Serpentine Galleries\, é uma exposição imersiva concebida a partir de uma perspectiva decolonial\, de teorias queer e de estratégias descentralizadas em tecnologia. No projeto\, o artista Gabriel Massan constrói um jogo de videogame ambientado em um universo fantástico que\, a partir de uma narração colaborativa de história\, desafia o conceito colonial de “exploração” e convoca o público a repensar suas ações no mundo. \nNa mostra\, visitantes podem escolher entre as quatros estações de jogos para começarem a jornada pelo jogo Terceiro Mundo ou podem permanecer no espaço para assistir a experiência dos jogadores em tempo real\, por meio de cinco telas no espaço expositivo – como em canais dedicados a transmissão ao vivo de jogos. \nA ESTRUTURA DO JOGO \nO primeiro nível do jogo é Igba Tingbo\, que em língua iorubá significa “longo prazo”. Caracterizado pelo trabalho da artista e psicóloga clínica Castiel Vitorino Brasileiro\, a experiência nessa etapa enfoca o modo como o jogador se relaciona com a “alteridade”. Sòfo\, que significa “Vazio” em Iorubá\, é o segundo nível para onde os jogadores são enviados como Agente do QG. \nCada nível foi criado em colaboração com artistas e pensadores\, que contribuíram na construção de diálogos\, textos e narrativas\, emprestando inclusive suas vozes aos personagens. Participaram LYZZA\, Castiel Vitorino Brasileiro\, Novíssimo Edgar e Ventura Profana\, estando os três últimos incluídos na programação cultural que acontece no museu no 2º semestre de 2024. \nO mundo foi criado em colaboração com o artista e rapper Novíssimo Edgar\, a partir da sua vivência em São Paulo\, sua cidade natal.
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SUMMARY:"Irawo Bori: oferenda para a cabeça cósmica" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:Ayrson Heráclito\, Irawo Bori\, 2023. Imagem: Divulgação\n\n\n\n\nA Pinacoteca exibe o filme Irawo Bori: oferenda para a cabeça cósmica\, concebido a partir da apresentação da performance ritualística Bori no Octógono da Pina Luz — em ocasião da primeira mostra individual do artista: “Ayrson Heráclito: Yorùbaiano” (em cartaz de abril a agosto de 2022 na Pina Estação).  \nO filme é dirigido por Ayrson Heráclito em parceria com o cineasta Lula Buarque de Hollanda. \nCuradoria de Ana Paula Lopes.
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SUMMARY:"Experimentações gráficas - Doação Coleção Ivani e Jorge Yunes" no MAC USP
DESCRIPTION:Candido Portinari\, Mineradores\, c. 1941. Imagem: Divulgação\n\n\n\n\nEm 2023 a Coleção Ivani e Jorge Yunes doou 89 volumes ilustrados por artistas modernos no Brasil e publicados no século 20 à biblioteca do Museu de Arte Contemporânea da USP. Nas publicações vemos grandes nomes da arte nacional atuando como ilustradores e artistas gráficos\, como Fayga Ostrower\, Regina Silveira\, Emiliano Di Cavalcanti\, Aldemir Martins\, Tomás Santa Rosa e Noêmia Mourão\, entre outros. A exposição Experimentações gráficas – Doação Coleção Ivani e Jorge Yunes\, que o MAC USP inaugura no sábado\, 31 de agosto\, a partir das 11 horas\, é um desdobramento dessa doação\, apresentando parte das publicações recebidas pelo Museu em diálogo com obras de seu acervo\, selecionadas pelas curadoras Renata Rocco\, Francis Melvin Lee e Mariana Motta. “Buscamos demonstrar a colaboração e o trânsito de artistas modernos e contemporâneos entre as ditas “belas artes” e as “artes gráficas” e revisitar publicações e autores das décadas de 1920 a 2000\, não circunscritas ao eixo Rio-São Paulo e nem sempre acessíveis ao público”\, assinalam as curadoras. O olhar sobre as artes gráficas destaca a versatilidade dos artistas brasileiros e as variações das soluções artísticas\, dentro de uma linguagem visual moderna ao longo do século passado. Para as curadoras\, “o que atravessa a exposição é o poder das imagens\, sua difusão para a construção de uma ideia de modernidade em diferentes cidades brasileiras e a estreita cooperação dos artistas com tal projeto”. O casal Ivani e Jorge Yunes começou a colecionar arte e objetos de todas as partes do mundo nos anos de 1970. Como proprietários de editoras também colecionaram livros\, revistas e jornais publicados majoritariamente no Brasil. Para Beatriz Yunes Guarita\, filha do casal e diretora da coleção\, “essa doação vem se somar aos inestimáveis e históricos volumes que a biblioteca do museu já possui\, gerando diálogos e reflexões com o acervo artístico\, além de oferecer oportunidade para que o público possa conhecer e estudar essas publicações”\, e completa: “Partilhar sempre foi nosso maior objetivo.” \n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n 
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SUMMARY:"Tesouros Ancestrais do Peru" no CCBB SP
DESCRIPTION:Penacho\, representa uma figura ornitomorfa com asas estendidas. Ouro. Cultura Nasca\, Costa Sul do Peru 200 a.C – 400 d.C. Crédito: Museo Oro del Perú – Armas del Mundo | Fundación Miguel Mujica Gallo\n\n\n\n\nA exposição convida o público para uma viagem no tempo na qual é possível conhecer de perto a história e cultura das antigas civilizações andinas. São mais de 162 peças datadas entre 900 a.C e 1600 d.C\, a grande maioria em cerâmica\, cobre\, ouro\, prata\, além de têxteis. \nDividida por cinco blocos temáticos – Linha do Tempo\, Mineração\, Divindades e Rituais\, Cerâmica e Têxteis e Colonização –\, a mostra reúne um conjunto raro de objetos\, descobertos em diversas expedições arqueológicas\, que é reconhecido como patrimônio pelo Ministério da Cultura do Peru\, pertence à Fundação Mujica Gallo\, e faz parte do catálogo do Museo Oro del Perú y Armas del Mundo. \nNo primeiro bloco\, Linha do Tempo\, são pontuados os momentos-chave de mais de 10 mil anos de história andina\, desde os primeiros habitantes (pescadores e caçadores) até o surgimento da agricultura de irrigação. Essa evolução permitiu que essas populações desenvolvessem um alto nível tecnológico\, dedicando-se à produção cerâmica\, à metalurgia e têxteis\, alcançando um notável desenvolvimento cultural. \nJá o segundo bloco\, Mineração\, aborda o domínio sobre os metais\, o controle sobre o ambiente natural e\, consequentemente\, seu impacto nas dinâmicas das estruturas do poder. Trata-se de um aspecto fundamental do desenvolvimento dos povos que utilizavam ferramentas diversas para extrair e utilizar cobre\, ouro e prata\, produzindo objetos de notável elaboração \nNa área Divindades e Rituais é possível conhecer peças em ouro e prata\, cerâmica e frisos de personagens divinos e semidivinos\, que orientavam o sistema teocrático-militar operado a partir de complexas cosmovisões fundadoras das culturas andinas. \nOs metais eram usados para decorar edifícios\, adornar corpos e vestes reais em rituais e oferendas funerárias. Um detalhe é que só as pessoas pertencentes à elite podiam usar ouro. Nesta área são expostas máscaras e luvas feitas do mineral\, além dos Tumis e dos recipientes usados em rituais sagrados\, como os utilizados para recolher o sangue dos seres sacrificados. \nNo quarto bloco\, Cerâmicas e Têxteis\, estão peças e informações sobre as técnicas utilizadas desde 1.800 a.C. para produção de barro moldado e cozido em fornalha. Essas técnicas permitiram uma produção intensa de utensílios usados também para expressar ideias e representar estilos de vida e tradições. Também é mostrada a importância da domesticação de animais como lhamas e alpacas para a produção têxtil e artística. \nA seção Colonização trata da história de domínio do império Inca pelos espanhóis e a fundação do Vice-reinado do Peru. Esse bloco expositivo pretende mostrar a assimetria desse violento encontro de civilizações\, que funda uma nova identidade sincrética e mestiça\, sobre as ruínas do império Inca. \nCuradoria: Patricia Arana e Rodolfo de Athayde
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SUMMARY:"Uma Vertigem Visionária — Brasil: Nunca Mais" no Memorial da Resistência de São Paulo
DESCRIPTION:Artur Barrio\, “Sombra”\, 1969. Foto: Cortesia memorial da resistência \nA partir do dia 7 de setembro de 2024\, o Memorial da Resistência\, museu da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, apresenta a exposição Uma Vertigem Visionária — Brasil: Nunca Mais\, com curadoria do pesquisador e professor Diego Matos. A mostra é dedicada à memória do projeto homônimo\, responsável pela mais ampla pesquisa já realizada pela sociedade civil sobre a tortura no Brasil durante a Ditadura Civil-Militar (1964–1985). \nA mostra resgata a memória do projeto Brasil: Nunca Mais\, empreendida entre 1979 e 1985. A iniciativa foi responsável por sistematizar e produzir cópias\, clandestinamente\, de mais de 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM)\, revelando a extensão da repressão política do Brasil no período. \nBrasil: Nunca Mais \nA história do projeto e seus desdobramentos é apresentada junto a testemunhos em vídeo de advogados\, jornalistas e defensores de direitos humanos\, que\, por anos\, tiveram seus nomes mantidos no anonimato: Paulo Vannuchi\, Anivaldo Padilha\, Ricardo Kotscho\, Frei Betto\, Carlos Lichtsztejn\, Leda Corazza\, Petrônio Pereira de Souza e Luiz Eduardo Greenhalgh\, através do programa Coleta Regular de Testemunhos do Memorial; e entrevistas com Dom Paulo Evaristo Arns\, Marco Aurélio Garcia\, Eny Raimundo Moreira e Luiz Carlos Sigmaringa Seixas\, pertencentes ao acervo do Armazém Memória. \nO arquivo de 707 processos judiciais expõe os depoimentos de presos políticos sobre as ações de repressão\, vigilância\, perseguição e tortura do aparato estatal. As cópias desse conteúdo\, que por anos foram mantidas em segurança em acervos preservados na Suíça e nos EUA\, tiveram repatriamento e retornaram ao Brasil em 2011\, onde atualmente encontram-se sob salvaguarda do Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp\, em Campinas. \nO projeto teve apoio do Conselho Mundial de Igrejas e da Arquidiocese de São Paulo\, com participação de Dom Paulo Evaristo Arns (1921–2016)\, arcebispo de São Paulo\, e do Rev. James Wright (1927-1999)\, da Missão Presbiteriana do Brasil Central. \nAlém dos arquivos do projeto Brasil: Nunca Mais\, a exposição apresenta obras da Coleção Alípio Freire\, sob salvaguarda do Memorial da Resistência\, realizadas por ex-presos políticos como Artur Scavone\, Ângela Rocha\, Rita Sipahi\, Manoel Cyrillo\, Sérgio Ferro\, Sérgio Sister e o próprio Alípio Freire\, durante a permanência em presídios de São Paulo na Ditadura. \nTambém compõem a mostra obras de arte de artistas como Carmela Gross\, Regina Silveira\, Artur Barrio\, Antonio Manuel\, Rubens Gerchman\, Claudio Tozzi e Carlos Zílio\, do Acervo da Pinacoteca de São Paulo\, e obras externas de Rivane Neuenschwander\, Claudio Tozzi\, Carlos Zilio. Rafael Pagatini apresentará uma obra comissionada para a exposição\, ocupando um mural de 100m² na área externa do museu. \nA exposição também lança luz sobre o tempo presente\, oferecendo indícios da importância desse debate hoje na perpetuação das permanentes violências do Estado contra suas minorias e populações vulneráveis.
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SUMMARY:"LUZ ÆTERNA - Ensaio Sobre o Sol" no CCBB SP
DESCRIPTION:AYA\, Gênesis\, 2024. Crédito: Lua Morales\n\n\n\n\nDe entidade divina ao papel crucial para a vida na Terra\, a jornada da estrela mais próxima de nosso planeta é o fio condutor da exposição “LUZ ÆTERNA – Ensaio Sobre o Sol”\, a ser inaugurada no anexo do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo\, em 14 de setembro. Cinco obras imersivas evocam a poética do Sol por meio de projeções digitais\, instalações interativas e contemplativas que permitem aos visitantes conferirem a evolução e o poder deste corpo celeste tão presente em nossas vidas e a 149 milhões de quilômetros da Terra. \nEm Luz Aeterna a linguagem é acessível e democrática\, pois não é necessário o conhecimento prévio sobre arte para compreender a mostra. “As obras captam a atenção\, mesmo em tempos de tantos estímulos. Qualquer pessoa\, de qualquer idade\, poderá vivenciá-las. Isso porque o visitante sai da contemplação e passa para a imersão\, se torna parte da experiência”\, afirma o curador\, Antonio Curti. \nAlém de enaltecer o Sol\, a exposição provoca reflexões sobre o seu impacto na natureza\, na sociedade e na sustentabilidade. Propõe\, por exemplo\, uma mensagem reflexiva sobre o meio ambiente\, de uma forma lúdica e poética. “Somos bombardeados o tempo todo por notícias negativas. A exposição não tem esse intuito. É um lembrete sobre a importância essencial do Sol para a vida na Terra e como as pessoas podem ver sua beleza em pequenos momentos”\, ressalta Curti.
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SUMMARY:"Claudia Casarino: Corte" na Fortes D'Aloia & Gabriel
DESCRIPTION:Vista da exposição. Foto: Eduardo Ortega. Cortesia da artista e Fortes D’Aloia & Gabriel. São Paulo/Rio de Janeiro\n\n\n\n\nA Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Corte\, exposição individual da artista paraguaia Claudia Casarino\, em São Paulo. Com curadoria de Keyna Eleison\, a mostra marca o retorno da artista à cidade após quase dez anos e apresenta um panorama de sua obra\, com trabalhos inéditos e esculturas centrais de seu repertório. Casarino\, que participou da 54a Bienal de Veneza\, no Pavilhão Latino-Americano do Istituto Italo-Latinoamericano (IILA) em 2011\, produz instalações e objetos com vestes e tecidos\, de modo a articular os mecanismos de desaparecimento e revelação do corpo feminino no espaço físico e social. Os vazios em seus trabalhos ressoam com as histórias e imagens de mulheres afetadas por sistemas estruturais de violência e se prestam a desnaturalizar esses dispositivos opressivos. \nEm suas investigações recentes\, Casarino passou a se concentrar em gestos mínimos\, que muitas vezes não são percebidos\, como a ausência de bolsos nas roupas das mulheres – algo premeditado e promovido pelo sistema patriarcal que evitou a autonomia dos corpos feminizados. Por caminhos como esse\, a artista aproxima-se de uma poética da memória do tecido e da vestimenta. Nas palavras da curadora: “Ao trazer à tona a violência naturalizada e torná-la visível através da beleza\, a artista desafia nossas percepções e nos força a encarar as verdades desconfortáveis mas que nos vestem”. \nEntre suas últimas exposições individuais estão La faena de habitar un contorno\, Centro Cultural de la Ciudad Manzana de la Ribera\, Asunción\, Paraguay (2024); Desde el Umbral – Con esta boca\, en este mundo\, Fundación Migliorisi\, Asunción\, Paraguay (2023); Tan pequeño que [allí] cabía el mundo\, María Casado\, Buenos Aires\, Argentina (2023) e Lo que nos mantiene vivos es la distancia\, MuVIM –Museo Valenciano de la Ilustración y la Modernidad\, Valencia\, Espanha (2020). \nNo Brasil destacam-se as participações da artista em quatro edições da Bienal do Mercosul  (2011\, 2005\, 2003 e 2001)\, em Curitiba\, assim como na exposição coletiva Os Mágicos Olhos das Américas\, no Museu Afro Brasil (2009)\, em São Paulo. \nSuas obras encontram-se em importantes coleções públicas\, tais como The Victoria & Albert Museum\, Londres\, Reino Unido;  The Spencer Museum\, Kansas City\, USA; Casa de América y Museo Wifredo Lam de La Habana\, Havana\, Cuba; Centro Atlántico de Arte Moderno\, Las Palmas de Gran Canaria\, Ilhas Canárias e Museo del Barro\, Asunción\, Paraguay\, entre outras.
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SUMMARY:"Iran do Espírito Santo: Trilha" na Fortes D'Aloia & Gabriel
DESCRIPTION:Iran do Espírito Santo\, Caras e Bocas\, 2024. Imagem: Divulgação / Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel\n\n\n\n\nEm Trilha\, a nova exposição de Iran do Espírito Santo na Fortes D’Aloia & Gabriel em São Paulo\, o artista apresenta um novo corpo de trabalho no qual investiga as conceitos de tempo e memória por meio da representação de discos de vinil em aquarela sobre papel. Cada trabalho foi pensado pelo artista de acordo com músicas e álbuns específicos\, que deram lugar para uma espécie de trilha sonora autobiográfica\, em que figuram composições do repertório brasileiro\, da MPB à música clássica e ao rock. \nNenhum disco tem a mesma “impressão digital”\, cada um possui uma configuração específica de sulcos e largura das faixas. Como a experiência de ouvir um disco\, as aquarelas de Iran\, embora executadas com precisão cirúrgica em escala real\, ainda trazem estalidos\, chiados e algum ruído ambiente\, conforme a natureza manual do trabalho leva inevitavelmente ao aparecimento de pequenos acidentes na superfície. Trata-se de uma perda de resolução da imagem que acentua o processo físico por trás da composição. A principal estrutura de sentido nessas 12 aquarelas\, como em toda a obra de Iran\, está além do imediatamente visível e enraiza-se no processo intelectual articulado por ele como artista e por nós como espectadores. \nNo campo da significação biográfica desse novo corpo de trabalho\, os traços que a música deixa na memória encontram uma tradução figurativa no brilho reflexivo sobre as representações de discos\, que o artista constrói ao permitir que o branco do papel apareça por trás de camadas mais finas de tinta. Esses caminhos reluzentes instauram um circuito de rotação\, seccionando os discos circulares como os ponteiros de um relógio. 12 pinturas de 12 discos e 12 faixas de cada\, como 12 horas do dia ou os 12 meses do ano. Essas aquarelas\, como um ouvido que está sempre atento\, sobrepõem a singularidade da percepção à pluralidade da experiência. \nDesde a década de 1980\, Espírito Santo se preocupa com a reprodutibilidade técnica e sua sintaxe visual. No passado\, ele recorreu à representação de outros objetos produzidos em massa – como dobradiças\, porcas\, parafusos\, lâmpadas – para sublinhar dimensões diagramáticas e industriais. Com esta série de trilhas sonoras\, Iran agora adiciona conotações autobiográficas à sua investigação contínua da forma. \nNo dia da abertura\, às 17h\, haverá uma performance de Arto Lindsay\, que também é o autor do texto da exposição.
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SUMMARY:“A forma do fim: esculturas no acervo da Pinacoteca” na Pinacoteca Estação
DESCRIPTION:Advânio Lessa\, Raízes mortas da natureza do cipó\, 2015\n\n\n\n\nA exposição parte da curiosa coleção máscaras mortuárias — moldadas sobre o rosto de pintores como Almeida Júnior e Pedro Alexandrino — para investigar os modos como artistas lidam com o tempo e sua experiência. Reunindo cerca de 40 esculturas\, que vão do século XII aos dias de hoje\, a mostra é uma oportunidade para refletir sobre a linguagem\, ver e rever obras fundamentais do acervo da Pinacoteca.  \nAo entrar no espaço expositivo\, o público se depara com uma escultura medieval do século XII\, que representa Cristo crucificado\, de autoria desconhecida – além de obras do período barroco no Brasil. Na sequência estão as máscaras mortuárias\, além de esculturas de bronze de Brecheret e Liuba Wolf. \nEntre elas\, há a tentativa de artistas do começo do século XX de representar mulheres e homens negros como “tipos brasileiros”. Até o início da pesquisa para essa exposição\, apenas uma dessas esculturas tinha um nome: Maria da Glória (entre 1920 e 1988)\, de Luiz Morrone. Durante a pesquisa de análise da origem desses títulos\, a equipe localizou o nome da modelo para uma escultura de José Cucê\, Irina – que passa agora a integrar o título da obra. \nO COMEÇO  \n“A forma do fim” nasce a partir do olhar para o acervo centenário da Pinacoteca\, que conta com mais de 13 mil obras. Dessas\, quase mil fazem parte da exposição permanente\, “Pinacoteca: Acervo”. \nPensando o acervo como uma plataforma para novas pesquisas e aquisições\, surge o interesse pela coleção de esculturas presentes na Pinacoteca\, na busca de compreender como ela se forma e quais são suas características marcantes que foram desenvolvidas ao longo do tempo. A curadoria buscou perceber essas tendências históricas\, organizando seu discurso a partir daquilo que é recorrente no acervo. \nOBRAS \nUma das máscaras em “A forma do fim” é a do artista Almeida Júnior\, um dos nomes da arte brasileira mais importantes do século XIX\, cuja obra é fundadora da coleção da Pinacoteca. \nRaízes mortas de natureza e cipó (2015 – 2013)\, de Advânio Lessa\, ressignifica a matéria morta\, a transformando em algo vivo através da arte. Dando forma às diferentes dimensões do tempo\, esculturas como Bicho – Relógio de sol (1960)\, de Lygia Clark\, Yuxin (2022)\, de Kássia Borges\, Ferramenta de Tempo (2021)\, de José Adário\, e a performance Passagem (1979)\, de Celeida Tostes\, propõem entender a vida e os fazeres da arte de forma cíclica. \nAs esculturas de Marcia Pastore e Hudinilson Jr. (década de 1980)\, materializam no espaço membros do corpo ou peças de roupa\, registros delicados de suas presenças\, que não se impõem como ordenadoras do mundo. O famoso trabalho de Waltercio Caldas\, A emoção estética (1977)\, é uma pista para compreender essa presença e nossa experiência diante da arte: um par de sapatos parece estar a ponto de flutuar diante da forma – uma maneira de estar diante de algo que nos emociona\, de compreender nossa comoção por meio do diálogo\, investigando a maneira de nos por em relação e\, assim\, imaginar nosso futuro.
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