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SUMMARY:"Mulheres em Luta! Arquivos de Memória Política" no Memorial da Resistência de São Paulo
DESCRIPTION:O Memorial da Resistência de São Paulo\, museu da Secretaria de Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo\, apresenta a exposição Mulheres em Luta! Arquivos de Memória Política\, com curadoria de Ana Pato. A mostra tem como fio condutor o acervo de história oral do Memorial da Resistência que compõe o programa Coleta Regular de Testemunhos\, com depoimentos de mulheres que vivenciaram a violência de Estado no período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985) e na Democracia.  \n\n\n\nOlhar para o período da Ditadura Civil-Militar sob a perspectiva de gênero é a linha que tece esta exposição\, e através dos testemunhos\, abordamos as lutas coletivas de mulheres por Memória\, Verdade e Justiça e por direitos fundamentais. Pelo que lutam? Como lutam? Quais são suas histórias?
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LOCATION:Memorial da Resistência de São Paulo\, Largo General Osório\, 66 - Santa Ifigênia\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Rizoma" de Rodrigo Sassi no Projeto Parede do MAM SP
DESCRIPTION:Rodrigo Sassi\, Detalhe das peças da obra Rizoma de 2024. Foto: Ding Musa\n\n\n\nEm 29 de fevereiro\, o Museu de Arte Moderna de São Paulo abre a edição de 2024 do Projeto Parede com uma obra inédita do artista Rodrigo Sassi. O trabalho intitulado Rizoma ocupará o corredor que liga a recepção do museu à Sala Milú Villela – que na ocasião da abertura\, estará com a exposição George Love: além do tempo em cartaz. \n\n\n\nO Projeto Parede acontece há quase três décadas no MAM São Paulo\, com artistas sendo convidados a criar obras que dialoguem com o espaço. \n\n\n\nRizoma é uma instalação a qual o artista se refere como um “não mural”. A obra\, inspirada em murais modernistas\, é composta por relevos de alvenaria fixados sobre a parede do museu e\, conectados uns aos outros\, atingem uma escala que conflita com o recuo disponível para sua visualização\, de certa forma indo contra propósitos e características de sua própria referência. \n\n\n\nPara isso\, Rodrigo Sassi idealizou uma nova pesquisa\, propondo-se a realizar um trabalho diferente do que já é conhecido de sua produção\, pensando nas especificidades do espaço onde ele será montado. “Esta é uma proposta que foge dos padrões do meu trabalho\, que deixa um caminho em aberto para novos desdobramentos\, inclusive”\, ele comenta. \n\n\n\nA obra é composta por peças de alvenaria extraídas de fôrmas feitas com madeiras reaproveitadas do descarte da construção civil. Em decorrência da utilização de moldes para a tiragem das peças\, conforme o visitante for andando pelo corredor\, irá perceber um padrão que se repete em sua composição\, ditando um ritmo que é constantemente quebrado ao longo do percurso. Aos olhares mais atentos\, são percebidas características de sua manufatura e processo artesanal\, vestígios do uso das fôrmas\, pequenas diferenças de cores entre as peças\, rastros de processo como riscos e marcações deixados pelo próprio artista durante seu fazer. \n\n\n\nPara esta instalação\, Rodrigo Sassi agrega referências arquitetônicas muralistas à sua poética e prática de trabalho. O artista traz a ideia de azulejos de Bulcão que têm continuações\, apesar de serem diferentes um do outro\, onde até nas rupturas existem composições que funcionam entre si. O projeto é desdobramento de uma intervenção que o artista realizou no o Museu da Inconfidência\, em Ouro Preto (MG)\, instituição que é parceira do MAM nesta mostra. \n\n\n\nCurador-chefe do MAM São Paulo\, Cauê Alves pontua\, em texto que acompanha o trabalho\, que para esta obra Sassi fez uma espécie de atualização de noções sobre o barroco\, mas pensando a partir de uma perspectiva da arte contemporânea\, em diálogo com os modernistas. \n\n\n\n“É justamente do cruzamento entre arte moderna e arte colonial que seu trabalho se desenvolveu. Com referências aos painéis de Burle Marx e de Athos Bulcão\, típicos da arquitetura moderna de Rino Levi e Oscar Niemeyer\, o artista também explora contradições do projeto moderno. Entre elas está a ênfase no trabalho operário\, sempre pouco valorizado\, mas fundamental para qualquer construção. Por isso\, o artista produz artesanalmente módulos de concreto usando técnicas tradicionais”\, escreve o curador.
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LOCATION:MAM SP\, Av. Pedro Álvares Cabral\, s/n° - Parque Ibirapuera\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"George Love: além do tempo" no MAM SP
DESCRIPTION:George Love\, Ilha do Marajó\, 1971 – Imagem que fez parte dos livros Amazônia e Alma e Luz.\n\n\n\nNo despertar da cultura fotográfica brasileira na segunda metade do século XX\, um nome figura entre as maiores referências: George Love. Artista carismático\, ele sempre foi cercado por uma aura de mistério\, que beirava a lenda\, de tão conhecido quanto enigmático que era\, pelo tanto que ele foi exposto e como ficou escondido. \n\n\n\nAtuando em uma era de efervescência intelectual\, de questionamento comportamental e de transição de costumes\, George exibia um intenso brilho em suas realizações\, na interação profissional e no convívio particular. A luz que trazia ao ambiente extravasava paredes e repercutia na atmosfera e nas pessoas\, que vislumbravam as infinitas possibilidades de um marcante meio de expressão. Suas ações no meio cultural\, editorial e corporativo expandiam os horizontes da fotografia\, abrindo caminhos adiante do seu tempo. Conscientemente ou não\, gerações de fotógrafos brasileiros seguem sua inspiração e seu modelo\, que se realça entre as raízes de nossa contemporaneidade. \n\n\n\nChamá-lo de gênio também não é hipérbole. George Leary Love nasceu em 24 de maio de 1937\, em Charlotte\, Carolina do Norte\, Estados Unidos. Negro\, filho único em uma família simples e culta\, concluiu seus primeiros estudos superiores antes dos 20 anos. Adotou a câmera fotográfica também cedo\, vislumbrando a possibilidade profissional no segmento de fotografia de viagem\, representado por arquivos de imagens\, um mercado importante na época\, com o qual se manteria ligado por toda sua vida profissional. Fixando-se em Nova York para mais estudos\, logo passou a se dedicar à fotografia como criação autoral\, tendo suas primeiras mostras em galerias de Manhattan\, dando cursos e palestras. Assim\, foi aceito como um dos mais jovens participantes da Association of Heliographers\, um grupo restrito de expoentes da fotografia americana que promovia a arte\, propunha sua expansão e inovava no uso de impressões coloridas no meio expositivo. George Love se identificava com a proposta\, de forma que o ideário dessa associação é chave importante para compreender a obra que desenvolveu por toda a sua vida. Em pouco tempo\, o jovem fotógrafo se tornou vice-presidente e coordenador da galeria da associação. Foram dois anos intensos\, entre 1963 e o fim de 1965\, até o encerramento da entidade\, por carência de recursos. \n\n\n\nA perspectiva de um novo rumo lhe foi oferecida por uma rara heliógrafa estrangeira\, que o estimulou a se aventurar pelo continente sul-americano. Em janeiro de 1966\, George juntava-se a Claudia Andujar em Belém para uma inusitada expedição no interior da Amazônia\, verdadeira epopeia até a terra dos Xicrin. Voltaram para Belém\, subiram pelo rio até Iquitos\, depois Lima e Bolívia\, e entraram de volta no Brasil pelo famoso “trem da morte”. Fixaram-se em São Paulo\, no apartamento da Avenida Paulista\, casaram-se… e\, então\, o resto é história. \n\n\n\nZé De Boni (curador)
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SUMMARY:"Lygia Clark: Projeto para um planeta" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:Lygia Clark\, Projeto para um planeta\, 1960\n\n\n\nA Pinacoteca de São Paulo\, museu da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, apresenta Lygia Clark: Projeto para um planeta\, exposição panorâmica de uma das artistas brasileiras mais relevantes do século XX. A mostra ocupa as sete galerias expositivas da Pinacoteca Luz com mais de 150 obras que demonstram o legado dos mais de 30 anos de carreira da artista. Com curadoria de Ana Maria Maia e Pollyana Quintella\, a exposição comemora o centenário de Lygia Clark\, apresentando obras como Projeto para um planeta (1960) – da série Bichos\, que dá nome à exposição\, a instalaçãoA casa é o corpo\, feita para a Bienal de Veneza de 1968\, e Maquete para interior nº3\, reproduzida em grande escala especialmente para a Pinacoteca. \n\n\n\nLygia Clark foi uma das artistas responsáveis por reestruturar o vocabulário artístico brasileiro a partir da década de 1960\, desafiando as fronteiras entre o papel do artista e do público\, e propondo uma nova relação entre corpo e objeto. Na Pinacoteca\, a exposição estabelece uma conexão entre as diferentes fases da carreira de Clark\, apresentando suas pinturas iniciais\, a passagem pelo movimento neoconcreto\, proposições participativas e projetos arquitetônicos. A mostra reúne uma grande seleção de obras históricas vistas poucas vezes nos últimos anos. \n\n\n\n“Lygia Clark tem um lugar fundamental na formação de repertório sobre formas de produzir e experimentar arte. Passados 18 anos desde a última mostra dedicada à artista no museu\, é preciso assegurar que públicos das mais variadas origens e idades\, sobretudo estudantes\, possam não apenas ler sobre as obras e proposições da artista\, mas acessá-las e vivenciá-las presencialmente”\, contam as curadoras.
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SUMMARY:Exposição de longa duração no MAC USP
DESCRIPTION:Walter Ufer\, Construtores do Deserto\, 1923 (detalhe)\n\n\n\nO Museu de Arte Contemporânea da USP apresenta a exposição Galeria de Pesquisa – Aspectos da coleção da Terra Foundation for American Art através do programa Terra Collection-in-Residence\, com 36 obras selecionadas em diálogo com a pesquisa e as disciplinas de graduação e pós-graduação do MAC USP e sua atuação no Programa Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA USP). A parceria entre a Terra Foundation for American Art e o MAC USP envolve também a linha de pesquisa em História da Arte e da Cultura do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e o Departamento de História da Arte da Unifesp. Nos próximos dois anos as obras em exposição permitirão criar pontes de interpretação com obras do acervo do MAC USP e apoiar atividades didáticas e de pesquisa. \n\n\n\nA Terra Collection for American Art é uma associação sem fins lucrativos\, com sede em Chicago (EUA)\, que desde os anos 1980 coleciona obras de arte do país e fomenta a pesquisa sobre sua arte.  Algumas das obras já integraram outras parcerias com o Brasil\, presentes em exposições de pesquisa realizadas no MAC USP – Atelier 17 e a gravura moderna nas Américas (2019)\, e na Pinacoteca de São Paulo – Paisagem nas Américas (2016) e Pelas ruas: vida moderna e experiências urbanas na arte dos Estados Unidos\, 1893-1976 (2022). A exposição traz obras de Thomas Hart Benton\, Eugene Benson\, James McNeill Whistler\, Louis Lozowick\, James Edward Allen\, Ralston Crawford\, George Bellows\, Bolton Brown\, Winslow Homer\, C. Klackner. Clare Leighton\, Arnold Ronnebeck\, William Zorach\, Emil Bisttram\, Menton Murdoch Spruance\, John Ferren\, Mary Nimmo Moran\, Eanger Irving Couse\, George Josimovich\, George de Forest Brush\, Walter Ufer\, Edward Hooper\, John Marin\, Stanley Willian Hayter\, Stuart Davis\, Arshile Gorky\, Lyonel Feininger\, Armin Landeck e Thomas Moran. \n\n\n\nPor fim\, as obras se articulam na parceria da disciplina de pós-graduação Arte dos Estados Unidos e suas conexões\, com o apoio da fundação e ofertada conjuntamente com a Unicamp e a Unifesp\, que vem abordando estudos comparativos entre a arte produzida nos Estados Unidos e no Brasil\, trazendo temáticas como arte indígena\, diáspora africana nas Américas\, e imigrações italianas nas Américas. Através do Programa Collection- in-Residence\, o MAC USP se insere em uma rede de doze museus universitários internacionais de arte em um olhar crítico sobre a história da arte dos Estados Unidos e suas possíveis articulações com outros países.
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LOCATION:MAC USP\, Av. Pedro Álvares Cabral\, 1301 - Vila Mariana\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Sallisa Rosa: topografia da memória" na Pinacoteca Contemporânea
DESCRIPTION:Sallisa Rosa\, vista da instalação Topografia da Memória na rotunda do Collins Park\, Miami\, 2023. Cortesia da artista.\n\n\n\nA instalação de cerâmica em grande escala\, intitulada Topografia da Memória\, estará em exposição na Pinacoteca de São Paulo\, de 16 de março até 28 de julho de 2024\, marcando a primeira vez que a Audemars Piguet Contemporary trará uma de suas obras comissionadas para o Brasil. Antes de viajar para São Paulo\, a obra foi inaugurada na Rotunda do Collins Park\, em Miami\, durante a Art Basel Miami Beach em dezembro de 2023. Essa foi a primeira vez que a artista fez uma exposição individual nos Estados Unidos. A exposição Topografia da Memória na Pinacoteca coincidirá com a SP-Arte\, que acontece de 3 a 7 de abril de 2024. \n\n\n\nTopografia da Memória é composta por mais de 100 peças de cerâmica feitas à mão\, produzidas a partir de barro coletado\, criando um ambiente a ser explorado pelo público. A obra foi comissionada pela Audemars Piguet Contemporary\, cuja equipe curatorial trabalhou em estreita colaboração com o curador convidado Thiago de Paula Souza para apoiar a visão de Sallisa e o desenvolvimento do projeto. \n\n\n\nCom Topografia da Memória\, Sallisa Rosa (nascida em Goiânia em 1986) criou uma paisagem imersiva que nos convida à contemplação e a um encontro físico com a matéria. Fazendo referência às flutuações do nosso ambiente natural\, a obra modular evoluiu desde sua primeira versão em Miami para ativar o espaço singular da recém-inaugurada ala da Pinacoteca que é dedicada à arte contemporânea: a Pina Contemporânea. Instalada em uma galeria com grandes janelas\, a instalação incorpora a luz natural e vistas da paisagem circundante\, conectando as cerâmicas à terra e aos elementos dos quais foram feitas. As esculturas no chão têm a forma de estalagmites e lembram uma caverna\, enquanto as esculturas penduradas no teto são esféricas\, com sua disposição lembrando um planetário\, abraçando simbolicamente tanto o mundo subterrâneo quanto o cosmos infinito. \n\n\n\nCompostas de barro coletado à mão na área metropolitana do Rio de Janeiro\, cada escultura foi queimada a 800 graus Celsius em um forno a lenha situado em uma vala subterrânea\, proporcionando uma materialidade precisa que se conecta diretamente à terra. O processo de Sallisa convida os visitantes a reconsiderar sua relação com a memória\, a terra e o ambiente como locais de cultura e identidades. \n\n\n\nCom este trabalho\, o objetivo de Sallisa é explorar formas coletivas de recordação\, estabelecendo uma conexão entre a erosão da terra e a erosão da memória. Seu uso de barro coletado\, que valoriza o saber tradicional e preserva métodos de trabalho não industriais\, desempenha um papel fundamental em sua produção\, pois a artista acredita que a cerâmica tem a capacidade simbólica de armazenar a memória e nos ajudar a recordar. \n\n\n\nComo muitos brasileiros de sua geração\, Sallisa enfrenta desafios e incertezas ao tentar compreender sua própria ancestralidade. A progressiva perda de memória de sua avó\, uma figura central na união dos fios que tecem sua história familiar fragmentada\, é uma das principais inspirações de Topografia da Memória.
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SUMMARY:"Direito à memória: arte afro-brasileira e indígena em debate com o modernismo" na Casa Zalszupin
DESCRIPTION:Créditos: Ruy Barbosa.\n\n\n\nDe 16 de março a 22 de junho\, a Casa Zalszupin\, localizada no bairro do Jardim Paulistano\, em São Paulo\, receberá obras selecionadas pela curadora Lilia Moritz Schwarcz para a exposição Direito à memória: arte afro-brasileira e indígena em debate com o modernismo. Dentre eles estão: Agnaldo dos Santos\, Artur Pereira\, Aurelino dos Santos\, Ayrson Heráclito\, Daiara Tukano\, Flavio Cerqueira\, Gê Viana\, Genaro de Carvalho\, Gustavo Caboco\, Heitor dos Prazeres\, Iêda Jardim\, J. Cunha\, JaiderEsbell\, Jayme Figura\, José Adário dos Santos\, Lidia Lisbôa\, Madalena dos Santos Reinbolt\, Márcio Vasconcelos\, Maria Auxiliadora\, Mestre Didi\, Miguel dos Santos\, Nadia Taquary\, Paulo Pires\, Rubem Valentim\, Sidney Amaral\, Silvana Mendes\, Sonia Gomes e Zimar. \n\n\n\nO objetivo é “colocar em diálogo a tradição e o contemporâneo\, afastando classificações próprias docânone artístico ainda muito eurocêntrico\, que jogou para o lugar do “artesanato”\, ou da “arte popular e naîve”\, toda uma produção que explode na sua brasilidade e qualidade\, desafiando o conceito mais estabilizado de modernismo. Ela pede pelo plural: modernismos”\, diz a curadora. \n\n\n\nNo ano em que se completam 200 anos da primeira Constituição Brasileira\, a mostra reflexa e tensiona a própria gênese de um país historicamente socializado por uma ordem colonial\, branca\, masculina\, europeia e\, por demais\, vinculada às elites econômicas\, e que\, reservou às populações negras\, indígena e às artistas mulheres um lugar de silêncio: secundário. \n\n\n\nEsta exposição pretende\, assim\, homenagear artistas que durante muito tempo ficaram fora dos espaços consagrados dos museus e das grandes exposições\, e trazer para uma casa modernista\, icônica e simbólica\, como esta\, do arquiteto e designer polonês radicado no Brasil\, Jorge Zalszupin\, uma produção que dialoga com o local – com suas formas\, seus materiais\, seu jardim – assim como faz uma referência à decoração original do imóvel. \n\n\n\nZalszupin viveu durante 60 anos nesse endereço\, que foi decorado e projetado por ele\, com uma arquitetura modernista que dá lugar a espaços que acolhem\, e a um jardim que invade a casa\, sendo difícil separar o dentro do fora: o externo do interno. “Nela vemos se estabelecer uma conversa equilibrada entre o piso de cerâmica rústica\, com a parede rugosa\, uma superfície de pedra em diálogo com a escada vazada pelos degraus de jacarandá\, vidros coloridos nas janelas disputando espaço com o concreto\, o qual\, por sua vez\, resolve e estrutura tudo”\, escreve a curadora. \n\n\n\nE ainda complementa: “Pois bem\, inspirada por esse ambiente modernista proponho incluir outros modernismos para habitar provisoriamente esta Casa. Os modernismos de raiz afro-brasileira e indígena. Nessa refundação\, o áspero do concreto disputará espaço com o traçado forte da arte inspirada nos orixás; as pedras com os monumentos feitos com o mesmo material ou terminados com a cerâmica\, o barro e o bronze; as formas que descrevem uma reta tensa em bate papo com os motivos mais arredondados das artes indígenas e de seus encantados”.
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LOCATION:Casa Zalszupin\, R. Dr. Antônio Carlos de Assunção\, 138 - Jardim America\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"A realidade máxima das coisas" na Galeria Frente
DESCRIPTION:Manabu Mabe\, sem título. Foto: Luan Torres Galeria Frente\n\n\n\nDedicada à importante presença de artistas nipo-brasileiros e a mostrar suas diferentes criações frente às individuais percepções de cada um em contato com a nova cultura dos trópicos\, a Galeria Frente apresenta a exposição A realidade máxima das coisas\, de 16 de março a 1 de junho. Com cerca de 70 obras\, a mostra tem curadoria de Jacob Klintowitz e celebra a arte de onze artistas que deixaram o país do Sol Nascente e dedicaram suas vidas e suas criações nas artes no Brasil. \n\n\n\nAs diferentes nuances\, traços\, formas e tons impregnados nas obras de Jorge Mori\, Flávio Shiró\, Kazuo Wakabayashi\, Manabu Mabe\, Megumi Yuasa\, Takashi Fukushima\, Tikashi Fukushima\, Tomie Ohtake\, Tomoshige Kusuno\, Yutaka Toyota e Tsugouharu Foujita que compõem o elenco da exposição\, retratam a forma como esses artistas dialogaram com o Novo Mundo. “De que maneira os artistas oriundos do Japão responderam ao desafio de um país solar como o Brasil?” questiona o curador ao pontuar que “a proposta foi a de uma arte de realidade máxima das coisas. Cada um na sua linguagem\, nos seus símbolos\, nas suas vivências\, tornaram presente a presença da luz e da possível percepção. Vindos de uma tradição na qual a arte e a linguagem foram sensíveis\, mas matizadas\, eles produziram uma arte notável que pode ser definida como a realidade máxima das coisas onde realizaram uma arte que contribuiu muito para o amadurecimento da arte brasileira”\, explica Jacob. \n\n\n\nUm dos destaques\, e em celebração ao seu centésimo aniversário – o artista faria 100 anos esse ano – Manabu Mabe (1924-1997) tem forte presença nessa mostra. Entre o total das 14 obras que serão exibidas na exposição\, está um óleo sobre tela de 1994 que retrata uma aventura no espaço\, uma intervenção no imaginário espacial\, e uma referência à sensibilidade humana. “Por vezes\, quase sentimos o artista respirar. O seu delicado pincel\, percorre a tela como uma anotação do sentimento. Os elementos dialogam entre si\, mas o diálogo maior se dá entre a respiração e o gesto\, entre a criação e o sentimento”\, detalha Klintowitz. \n\n\n\nAssim como Mabe\, Yutaka Toyota (1931) reflete sobre a energia e o espaço em seus trabalhos. Dele\, o curador destaca a obra Espaço Negativo. “Nesta escultura\, ele assinala vetores de energia\, uma conversa com o invisível.” É um artista cuja sensível pesquisa do invisível\, do espaço sideral e do que se sente dele\, produziu uma obra de grande percepção manifestada numa geometria sagrada. É um mestre silencioso\, um visionário\, e um dos escultores mais importantes do país. Da peça de pequeno formato\, às peças de grande formato\, nas palavras do curador\, Toyota produziu um universo de formas totêmicas cuja essência é a relação sutil com o universo e a percepção humana. É um mestre do silêncio. \n\n\n\nÚnica artista mulher da mostra e uma das artistas mais emblemáticas\, Tomie Ohtake (1913-2015) é tida como uma das grandes damas da arte brasileira\, tem seis trabalhos selecionados para essa mostra\, todos pinturas sobre tela. Destaque para uma tela de 1968 na qual nota-se a relação da forma e gestos em formas rigorosamente elaboradas empregadas pela artista que explora suas espacialidades de modo preciso. Sua pintura sempre dignifica a sua linguagem já que a pintura\, nesse contexto\, é o único discurso possível. \n\n\n\nE\, não há como não citar a presença de T. Foujita\, um artista japonês que esteve ‘temporariamente’ entre nós na década de 1930 e que se relacionou com fortes presenças da nossa cultura como Manuel Bandeira\, Candido Portinari e Emiliano Di Cavalcanti. Foujita\, que produziu ‘entre nós’\, foi um viajante\, um transgressor e\, de tanta expressividade na Escola de Paris\, é considerado um precursor ao representar para sua época\, uma possibilidade de prazer e sonho. Um artista antológico\, de grande domínio expressivo e senhor de uma técnica soberba\, a obra Nú deitado é um precioso desenho e cuja figura feminina\, é representativa do seu percurso. “A presença feminina percorreu todas as fases do artista. E ela é sempre significativa\, pois sinaliza a sua capacidade de amar e a suavidade de sua concepção da realidade”\, pontua Jacob. \n\n\n\nAcacio Lisboa\, à frente da galeria\, enfatiza que é uma exposição que estimula a refletir sobre a cultura nipo-brasileira. “Essa mostra nos faz trazer à tona e homenagear legados estéticos de relevância\, que tenham consistência histórica e um valor inestimável para a cultura artística Nacional e Internacional. Acreditamos que a difusão dessa exposição promove a atualização do debate\, cria uma atmosfera de encontros e favorece novas discussões sobre a criação dos artistas\, tão relevantes para nossa história”\, finaliza.
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LOCATION:Galeria Frente\, R. Dr. Melo Alves\, 400 - Cerqueira César\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Paisagem e Poder: construções do Brasil na ditadura" no Centro MariAntonia da USP
DESCRIPTION: Fotografia externa COHAB Itaquera\, São Paulo\, SP\, 1980 / Foto: Silvio Macedo\, Acervo Biblioteca FAUUSP\n\n\n\nO Centro MariAntonia da USP inaugura\, no dia 19 de março\, às 19 horas\, a exposição Paisagem e Poder: construções do Brasil na ditadura\, mostra documental que utiliza diversos suportes\, e tem o objetivo de pensar o ambiente construído no período da ditadura brasileira\, que durou 21 anos. A curadoria é dos arquitetos Paula Dedecca\, Victor Próspero\, João Fiammenghi\, Magaly Pulhez\, e José Lira. A entrada é gratuita. \n\n\n\nA mostra procura refletir sobre as complexas e intensas transformações do território nacional em suas diversas escalas entre 1964 e 1985\, a partir de documentação da época e material audiovisual. Para os curadores\, muito do que vemos ao nosso redor foi construído durante o regime militar. O espaço se transformou profundamente de conjuntos residenciais à expansão das periferias urbanas\, das estradas e barragens construídas nos quatro cantos do país a viadutos e avenidas presentes nas metrópoles\, de edifícios modernos icônicos a estruturas espaciais ordinárias\, da destruição das marcas da história à construção das cidades novas pelo território nacional. A exposição busca apresentar um panorama de transformações radicais na paisagem brasileira durante o período\, refletindo sobre suas contradições e seus impactos sociais e ambientais. \n\n\n\nPromovida com recursos do Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAc) do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura e Economia Criativa\, a mostra se apoia sobretudo em registros audiovisuais de época\, como reportagens\, fotografias\, filmes\, desenhos e diapositivos\, contando também com documentos e cadernos técnicos de planos do período. Este vasto material resulta de pesquisas em diversos Arquivos Públicos e coleções institucionais e privadas.  \n\n\n\nOs eixos principais da temática exposta conformam um percurso por planos de dimensão territorial\, práticas extrativistas\, grandes empreendimentos hidrelétricos\, obras de infraestruturas metropolitanas e rodoviárias\, assim como pelo processo de urbanização massiva pelo qual passaram as capitais em todo o país. Os curadores compreendem tais eixos como dinâmicas entrelaçadas\, e testemunhos de um elemento fundamental da construção e reprodução daquele regime autoritário. A reflexão sobre o ambiente construído em que vivemos enquanto documento da história política recente vem a somar com os esforços de luta por memória\, verdade e justiça\, adicionando camadas para a compreensão de um período sombrio do país. \n\n\n\nTexto | Sandra Lima
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SUMMARY:"Francis Bacon: a beleza da carne" no MASP
DESCRIPTION:Francis Bacon\, Two Figures with a Monkey [Duas figuras com um macaco]\, 1973. © The Estate of Francis Bacon. Todos os direitos reservados. AUTVIS\, Brasil / DACS/Artimage\, Londres 2024\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 22 de março a 28 de julho de 2024\, Francis Bacon: a beleza da carne\, que ocupa o espaço expositivo no 1o andar do museu. Com curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, Laura Cosendey\, curadora assistente\, MASP\, e assistência de Isabela Ferreira Loures\, assistente curatorial\, MASP\, a exposição pretende evidenciar como o artista\, com sua pintura inovadora e impactante\, abriu caminhos para a presença queer na cultura visual. \n\n\n\nCobrindo mais de quatro décadas de trabalho do britânico\, a mostra\, com patrocínio master do Nubank e patrocínio da Vivo\, reúne mais de vinte obras de Bacon\, desde as décadas iniciais de sua produção até os anos 1980\, e é acompanhada de um catálogo com ensaios inéditos. As obras provêm de empréstimos de museus como Tate (Inglaterra)\, MoMA (Nova York)\, Metropolitan Museum (Nova York)\, Museum Boijmans van Beuningen (Países Baixos)\, Museu Tamayo (México)\, Fondation Beyeler (Suíça)\, Stedelijk Museum (Países Baixos)\, entre inúmeras outras instituições de renome internacional e coleções particulares.  \n\n\n\nFrancis Bacon (Dublin\, Irlanda\, 1909—1992\, Madrid\, Espanha) é considerado um dos mais importantes pintores da arte do século 20\, com mais de seis décadas de produção. Filho de pais ingleses\, teve uma infância difícil\, em um ambiente familiar violento. Aos dezesseis anos\, foi expulso de casa por seu pai e\, após passar um período em Berlim e em Paris\, fixou-se em Londres a partir dos anos 1930\, onde iniciaria sua carreira como artista. Bacon construiu uma obra contundente e marcante\, tornando-se um nome fundamental para a renovação da pintura figurativa. \n\n\n\nO artista voltou-se especialmente para as figuras masculinas\, seu objeto de desejo\, em retratos e nus. A exposição apresenta retratos de homens com quem ele teve relacionamentos marcantes\, como Peter Lacy (1916-1962) e George Dyer (1934-1971)\, além de outras figuras importantes em sua vida\, como seu companheiro próximo John Edwards.  \n\n\n\nO título da mostra\, A beleza da carne\, faz referência a um relato do artista em uma das entrevistas conduzidas pelo crítico de arte e importante interlocutor ao longo de sua carreira\, David Sylvester. Bacon conta que\, ao se deparar com a vitrine de um açougue\, refletiu: “[…] enquanto pintor\, devemos lembrar que há essa grande beleza na cor da carne. […] Nós\, obviamente\, somos carne\, somos carcaças em potencial. Quando vou a um açougue\, sempre penso que é surpreendente que eu não esteja lá no lugar do animal”.  \n\n\n\nA fisicalidade do corpo é traduzida pelo artista em texturas espessas e oleosas\, conferindo às figuras formas quase abstratas. As pinturas de Bacon reúnem em si uma grande variedade de fontes iconográficas\, revisitando temas canônicos e combinando referências da história da arte com suas experiências pessoais e percepções sobre o corpo masculino. \n\n\n\n“Seja em suas obras iniciais\, que muitas vezes transgrediam símbolos da cristandade\, ou naquelas que retratavam nus masculinos\, a fisicalidade do corpo também é matéria central de sua obra”\, analisa a curadora Laura Cosendey. “Essa simbologia da carne por Bacon condensa em si extremos: o espiritual e o animal\, o frescor e a putrefação. Ela é a própria materialidade de nossa existência ‘em carne e osso’\, mas também é ícone do desejo carnal\, do instinto natural do corpo”\, finaliza.
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LOCATION:MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand\, Avenida Paulista\, 1578 - Bela Vista\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Lygia Pape: Ação-dentro" na Almeida & Dale
DESCRIPTION:Lygia Pape\, Volante\, 1999. Foto: Almeida & Dale\n\n\n\nFigura central do movimento artístico de fins da década de 1950 conhecido como Neoconcretismo\, Lygia Pape (1927-2004) trabalhou com uma variedade de mídias\, incluindo pintura\, escultura\, gravura\, performance\, instalação e vídeo. Sua obra explora conceitos de espaço\, tempo\, movimento e a ideia de participação do espectador. Embora suas contribuições para a arte contemporânea sejam hoje reconhecidas internacionalmente\, ainda há poucas exposições de sua obra que aprofundam suas especificidades dentro e fora do movimento neoconcreto.  \n\n\n\nCom abertura marcada para o dia 23 de março\, a individual de Lygia Pape: ação-dentro propõe três eixos baseados na observação da obra e das ideias da artista ao longo de sua trajetória: construção\, corpo e sentidos. Estes elementos norteiam a reflexão proposta pela curadora Ana Avelar e pela curadora assistente Laura Rago\, enfatizando a conexão entre formas\, técnicas\, experiências sensoriais\, exploração cromática e espacial\, bem como o pensamento que une aspectos construtivos e sensíveis.   \n\n\n\n“A exposição convida para olhar as complexidades subjacentes à obra de Lygia Pape\, que permeiam sua prática artística ao longo da vida. A partir de sua produção\, queremos entender como as emoções\, sensações corporais e sentidos são apresentados utilizando formas\, construções e signos como veículos para as experiências humanas”\, diz a curadora.         \n\n\n\nA filósofa Susanne Langer e o crítico Mario Pedrosa\, pensadores citados pela artista em seus escritos\, indicam caminhos para esta narrativa. “Entendemos que esses teóricos auxiliaram Pape a conceber sua compreensão sobre uma arte sensível ao mesmo tempo construtiva\, demonstrando um pensamento artístico que se mantém fiel à sua base conceitual\, mas acompanha as atualizações da prática artística na contemporaneidade”\, completa Avelar.       \n\n\n\nA exposição conta com cerca de 50 obras\, entre instalações\, tridimensionais e papeis\, produzidas entre os anos 1950 e 2000. Contando com uma expografia que provoca o deslocamento dos visitantes e aguça a percepção sensível\, a mostra foca no experimentalismo de Pape. Sem um percurso cronológico\, esta individual é um recorte da obra da artista\, atentando para a compreensão da singularidade do seu trabalho e pensamento. 
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LOCATION:Almeida & Dale\, Rua Fradique Coutinho\, 1360 – Pinheiros\, São Paulo\, SP
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SUMMARY:"Gervane de Paula: como é bom viver em Mato Grosso" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:Gervane de Paula\, Arte aqui eu mato (detalhe)\, 2014. Foto: Jaime Acioli\n\n\n\nAs problemáticas socioambientais e sociopolíticas do Centro-Oeste brasileiro ocupam as trêssalas do segundo andar da Pinacoteca Luz\, com a mostra Como é bom viver em Mato Grosso do cuiabano Gervane de Paula. Sob a curadoria de Thierry Freitas\, 58 obras pontuam os mais de 40 anos da carreira desse artista ativista e multifacetado. São fotografias\, pinturas\, esculturas e instalações que traduzem a potência de um criador em constante ebulição. A mostra segue em cartaz até 1 de setembro. \n\n\n\nSuas primeiras telas\, realizadas entre os anos de 1976 a 1980\, parte delas exibidas nessa individual\, fixam imagens de um Mato Grosso recém-dividido. Thierry observa: “O artista nos apresenta sensíveis interpretações da paisagem cuiabana: o Bairro do Araés – local onde o artista nasceu e reside ainda hoje -\, com suas ladeiras ensolaradas e sua população multiétnica\, está representado em cenas de convívio e festa. Há diversas cenas com mangueiras e cajueiros\, árvores muito comuns nessas ruas naquela época. Não escapa\, também\, o registro social da economia local. São frequentes as cenas de pesca e de mineração\, mas\, principalmente\, as cenas nas quais o gado aparece em profusão\, já evidenciando a potência motriz que o agronegócio viria a tomar nos anos seguintes.” \n\n\n\nEm uma clara demonstração das imbricadas relações entre humanos e bichos na região\, destaca-se As filhas do fazendeiro\, uma tela em que dois jacarés figuram sobre a cama e\, ao fundo\, duas moças observam atordoadas. Como é bom viver em Mato Grosso reflete o aspecto crítico e o humor corrosivo de Gervane que\, inspirado no artista canadense-americano Philip Guston (Montreal\, CA\, 1913 – Nova York\, EUA\, 1980) cujas obras teve contato na 16ª Bienal de São Paulo\, em 1981\, usa\, em algumas de suas criações\, as figuras supremacistas da Ku Klux Klan\, colocando-as num passeio de carro ao Pantanal mato-grossense. \n\n\n\nO artista destaca a relevância da mostra. “Essa exposição é uma das mais importantes da minha trajetória artística\, talvez a mais importante até o momento. Porque é uma mostra individual abrigada em uma das instituições culturais mais importantes do Brasil\, a Pinacoteca de São Paulo. Segundo\, porque a mostra reúne obras de períodos diversos\, algumas inéditas\, jamais exibidas ao público\, compreendendo desde o início da minha carreira artística até a atualidade. Um momento especial\, que permite um breve balanço de quatro décadas de intenso trabalho dedicado à arte.”
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SUMMARY:"José Bento: Caminho de Guaré" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:José Bento\, vista da obra Ar\, 2021. Imagem: Thiele Elissa\n\n\n\nA partir de 23 de março\, a Pinacoteca de São Paulo\, museu da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, recebe mostra de José Bento. A instalação Caminho de Guaré apresenta três grandes gestos de José Bento\, dois dos quais inéditos e feitos especificamente para ocupar o Octógono\, com curadoria de Lorraine Mendes e Jochen Volz. \n\n\n\nSOBRE A INSTALAÇÃO \n\n\n\nApresentados pela primeira vez\, a escultura Morrotes (2024) é feita do que o artista chama de matéria desintegrada. Trata-se de madeiras de diversas espécies cujas serragens serviram para Bento apresentar massas topográficas diferentes entre si\, seja no tamanho\, cor ou no formato que a madeira toma ao ser partida. Sobretudo na obra Morrotes\, a exposição acaba se tornando uma experiência sensorial e de lembranças. Os visitantes vão perceber nuances aromáticas das diferentes madeiras ali expostas: amarelinho\, bálsamo\, braúna\, caixeta\, itapicuru\, pau-brasil\, pau-pereira\, peroba\, roxinho e vinhático. \n\n\n\nDe qualquer local do Octógono o visitante conseguirá também vislumbrar a obra de maior altura exposta; Arco Íris (2024)\, também inédita é composta por feijões esculpidos de diferentes tipos de madeiras\, densidades e características\, sobrepostas uma a uma\, que saem do chão da Pinacoteca em direção ao céu – uma ponte entre a terra e o cosmos. É um diálogo com a natureza\, tão presente na obra de Bento\, onde o grão é ao mesmo tempo alimento\, cultura\, semente e caminho. Por fim\, a obra Ar (2021) traz esculturas no formato de cilindros de oxigênio\, feitos de madeiras diversas em escala real. Apresentado pela primeira vez na 13ª Bienal do Mercosul em 2022\, o conjunto escultórico traz a ideia de ar represado e da dificuldade de respiração em um mundo que assiste a graves e urgentes mudanças climáticas. Apesar da Bienal ter acontecido em um momento pós-pandêmico\, a obra foi concebida já antes da pandemia. No entanto\, sua apresentação naquele contexto ganhou mais uma camada de significado. \n\n\n\nAs obras expostas – Ar\, Morrotes e Arco Íris – representam\, em si\, um ciclo de vida\, que é a proposta de José Bento para o Octógono. O título que ele deu à exposição\, é o nome pelo qual já foi conhecido justamente o local onde hoje encontra-se a Pinacoteca: O Caminho de Guaré passava pela região da Luz\, é um caminho estabelecido pelos indígenas habitantes de São Paulo antes da chegada dos europeus. Esta escolha mostra como Bento procura localizar sua produção no território em que se situa. “Percorrer o Caminho de Guaré é compreender o espaço em que estamos como lugar de consciência\, reconhecer a presença indígena nesse território e se entender também como parte dessa intrincada trama histórica”\, afirma Lorraine Mendes\, curadora da exposição. \n\n\n\nÉ impossível falar de José Bento sem mencionar sua profunda ligação com a madeira\, que é elemento central de seu estudo e repertório artístico desde os anos 80. Segundo Lorraine Mendes\, Bento tem “uma familiaridade vital com essa matéria”. Uma característica da prática artística de José Bento é a busca por estar sempre ligado ao território\, o que significa estreita relação com o local de origem de sua matéria prima e com pessoas e comunidades que têm em seu ofício a lida com a madeira. O artista constantemente reafirma seu compromisso com a natureza ao utilizar em seus trabalhos apenas madeiras legalizadas\, de origem controlada. “José Bento é um artista profundamente comprometido com a forma\, com método e também matéria – e tudo isso vem como veículo para a sua própria narrativa poética”\, afirma Lorraine Mendes. \n\n\n\nA instalação José Bento: Caminho de Guaré tem o patrocínio de Cescon Barrieu\, na cota Prata.
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SUMMARY:"Que país é este? A câmera de Jorge Bodanzky durante a ditadura brasileira\, 1964-1985" no IMS Paulista
DESCRIPTION:Jorge Bodanzky\, Incêndio em ônibus\, MG\, c. 1970. Acervo Instituto Moreira Salles.\n\n\n\nFotógrafo\, repórter e cineasta\, Jorge Bodanzky (1942) é autor de ampla produção visual\, dedicada a investigar a cultura popular e os conflitos do país. Ao longo de sua carreira\, percorreu o Brasil para registrar histórias\, personagens e lutas sociais\, principalmente as que aconteciam fora dos centros urbanos. Durante o período da ditadura militar\, viajou sobretudo para as regiões Norte e Nordeste\, retratando a violência no campo e a devastação ambiental causadas pelas políticas desenvolvimentistas dos governos autoritários. Enfrentando a censura e a falta de financiamento nacional\, concebeu obras que questionavam a ideia do progresso propagandeada pela ditadura e mostravam a realidade do país\, além de tensionarem os limites entre o documentário e a ficção. \n\n\n\nReunida pela primeira vez\, a produção do cineasta feita nesse período é o tema da exposição que o IMS Paulista inaugura no próximo sábado (23 de março). Intitulada Que país é este? A câmera de Jorge Bodanzky durante a ditadura brasileira\, 1964-1985\, a mostra exibe trechos dos sete filmes dirigidos pelo cineasta no período\, comoIracema: uma transa amazônica(1974)\, codireção de Orlando Senna\, Jari (1979)e Terceiro milênio (1980)\, dirigidos em parceria com Wolf Gauer. A seleção apresenta ainda fotografias e projeções em super-8 feitas por Bodanzky\, que integram o acervo do IMS\, entre outros materiais. A curadoria é de Thyago Nogueira\, coordenador do departamento de fotografia contemporânea do IMS\, com assistência de Horrana de Kássia Santoz e pesquisa de Ângelo Manjabosco e Mariana Baumgaertner. No dia da abertura (23/3)\, às 11h\, haverá um debate com Bodanzky e a equipe de curadoria. O evento tem entrada gratuita e interpretação em Libras. Em abril\, o cinema do IMS Paulista exibe uma programação de filmes de Bodanzky\, em diálogo com a exposição (detalhes abaixo).
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SUMMARY:"Quase Circo" de Carmela Gross no Sesc Pompeia
DESCRIPTION:Carmela Gross\, vista da exposição Quase Circo © Everton Ballardin\n\n\n\nA partir de 27 de março\, a Área de Convivência do Sesc Pompeia recebe a exposição Quase Circo – Carmela Gross. Sob a curadoria de Paulo Miyada\, a mostra da artista visual paulistana proporciona uma leitura abrangente de suas obras\, evidenciando a diversidade de sua produção e sua contribuição para a arquitetura\, história urbana e o panorama artístico contemporâneo. \n\n\n\nA exposição destaca a convergência entre as criações de Gross e a arquitetura visionária de Lina Bo Bardi\, oferecendo aos visitantes uma imersão nas obras da artista. Sem aderir a rótulos ou convenções\, a narrativa visual apresentada por Carmela Gross desafia expectativas e convida os espectadores a explorar novas perspectivas. \n\n\n\nA mostra reúne 13 obras\, exibidas em grande escala\, como a instalação “RODA GIGANTE” (2019)\, “ESCADAS VERMELHAS” (2012/2024)\, “O FOTÓGRAFO” (2001)\, “UMA CASA” (2007)\,” LUZ DEL FUEGO” (2018/2024)\, “FIGURANTES” (2016)\, “BANDO” (2016/2024)\, “ROUGE” (2018)\, “A NEGRA VERMELHA” (1997/2024)\, “BANDEIRA PIVÔ” (2024). \n\n\n\nAlém disso\, os visitantes terão acesso a painéis luminosos\, vídeos e desenhos na Área de Convivência\, junto com duas obras anteriormente expostas no Sesc Pompeia: “RIO MADEIRA” (1990) e “ESTANDARTE VERMELHO” (1999). Destaca-se também a obra “GATO”\, criada especialmente para a exposição e instalada nas passarelas do complexo esportivo\, inspirada em um desenho de Lina Bo Bardi. \n\n\n\n“Esta exposição é uma convergência. De um lado\, a obra peculiar de Carmela Gross\, que\, ao longo de quase seis décadas\, produz arte como uma forma singular de observar\, deslocar e recombinar elementos do mundo\, frequentemente utilizando os restos do crescimento urbano como matéria-prima. De outro lado\, a arquitetura de Lina Bo Bardi\, que encontrou no Brasil lições sobre trabalho\, arquitetura e design populares\, incorporando-as em sua própria arquitetura fundamentada em princípios modernistas”\, destaca o curador. \n\n\n\nPara o diretor regional do Sesc São Paulo\, Luiz Deoclécio Massaro Galina\, a iniciativa integra uma série de projetos expositivos sediados no Sesc Pompeia em anos recentes\, com o intuito de revisitar produções históricas de nomes decisivos para a compreensão da arte brasileira. \n\n\n\n“A obra de Carmela Gross se conecta com mais uma dimensão valorizada pela entidade\, a saber\, a sensibilidade aos espaços arquitetônicos e a seus usos múltiplos\, inclusive no sentido de desafiá-los. Uma fábrica refundada enquanto centro de lazer e difusão artístico-cultural\, em um período histórico de perda de função dos complexos industriais urbanos\, é particularmente propícia paraisso”\, destaca. \n\n\n\nA exposição fica aberta para visitação do público até o dia 25 de agosto de 2024 e conta com ações educativas ao longo deste período.
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SUMMARY:"Santídio Pereira: paisagens férteis" no MAM SP
DESCRIPTION:Santídio Pereira\, Objeto III [detalhe]\, 2022. Foto: João Liberato\n\n\n\nO Museu de Arte Moderna de São Paulo apresentará entre 2 de abril e 1 de setembro uma exposição inédita do artista Santídio Pereira. Com curadoria de Cauê Alves\, curador-chefe do MAM\, a exposição Santídio Pereira: paisagens férteis reúne na Sala Paulo Figueiredo mais de 30 obras – algumas\, inéditas -\, entre gravuras\, pinturas e objetos produzidos pelo artista em um período entre 2017 e 2024. \n\n\n\nNascido em Isaías Coelho\, no interior do Piauí\, Santídio Pereira se mudou com a família para São Paulo ainda criança e\, aos oito anos de idade\, foi matriculado pela mãe no Instituto Acaia\, uma organização criada pela artista Elisa Bracher. Lá\, ele entrou em contato com uma grande variedade de técnicas artísticas e\, mais tarde\, aprofundou-se na gravura no Xiloceasa\, idealizado pelos artistas Fabrício Lopez e Flávio Capi. \n\n\n\nCom uma trajetória profícua em instituições brasileiras e mundo afora\, Santídio apresenta em Paisagens férteis sua pesquisa em torno das imagens de biomas brasileiros\, da Amazônia à Mata Atlântica\, passando por paisagens que fizeram parte de suas vivências e carregando especialmente as observações que faz em meio à natureza. \n\n\n\nO curador Cauê Alves selecionou gravuras\, objetos e pinturas de Santídio que trazem imagens de paisagens montanhosas e de plantas como bromélias e mandacarus. Esses motivos nas obras do artista derivam de suas experiências imersivas nos biomas brasileiros\, durante viagens em que se dispõe a observar a geografia e a vegetação com atenção. Parte delas também são fruto das memórias da infância no Piauí que ele carrega consigo. \n\n\n\nAs imagens\, porém\, não são apenas reproduções do que Santídio enxerga\, mas criações. O curador explica que “a referência a uma espécie de planta específica\, que está disponível aos seus olhos\, não se opõe à imaginação\, ou seja\, à mentalização de algo que não está presente. É como se ele interpretasse o que viu e o que lembra do que viu\, mas de modo diferente\, novo\, já que vai além do que se passou e do que se recorda”. \n\n\n\nConhecido inicialmente por seus trabalhos com xilogravura\, Santídio começou a se dedicar também à pintura com guache e à feitura de objetos nos últimos anos. A exposição no MAM será a primeira a exibir\, no Brasil\,  esses objetos e as guaches. Santídio comenta que\, a partir dessas experimentações\, passou a criar objetos que podem ser impressos\, e não mais matrizes. \n\n\n\nJá as pinturas surgem a partir da vontade que ele teve em trabalhar com a materialidade do guache. “São trabalhos relativamente menores que as xilogravuras\, mas são trabalhos que levam para um lugar completamente distinto. Não pelo tema\, mas pela materialidade\, porque a materialidade da tinta da gravura é um tanto brilhante\, é um pouco oleosa\, enquanto a materialidade da guache\, do jeito que trabalho\, é mais opaca”\, explica o artista. Para ele\, essa característica opaca da pintura à guache transmite uma maior profundidade no trabalho\, “como se o trabalho em guache abraçasse e o trabalho em gravura tomasse uma certa distância”. \n\n\n\nEm seu texto curatorial\, Cauê Alves destaca o olhar atento e a sensibilidade rara de Santídio Pereira\, enfatizando o modo com que ele se relaciona com o mundo. “Sua história de vida é uma exceção\, e a visibilidade que seu trabalho alcançou é atípica no meio da arte. Ele soube relacionar sua liberdade com aquilo que era\, de fato\, necessário para ele\, apostando na invenção\, mas sem renunciar ao trabalho ou abandonar suas origens”\, comenta o curador.
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SUMMARY:"Emmanuel Nassar: Lataria Espacial" na Sala de Vidro do MAM SP
DESCRIPTION:Emmanuel Nassar\, Lataria Espacial\, 2022. Foto: Mario Grisolli\n\n\n\nA Sala de Vidro do Museu de Arte Moderna de São Paulo apresentará uma nova obra entre 02 de abril e 01 de setembro de 2024: Lataria Espacial (2022)\, uma instalação do artista paraense Emmanuel Nassar. Aberta à interação do público\, a  obra remete aos trabalhos que o artista desenvolve desde os anos 1980\, usando a geometria e cores de tons fortes. \n\n\n\nDesde Recepcôr (1981)\, Nassar foi se afastando da pintura figurativa e passou a trazer para seus trabalhos uma discussão sobre a precariedade e sobre o sonho de novas tecnologias. O trabalho que inaugura essa pesquisa é uma espécie de aparelho de alta tecnologia que receberia tudo aquilo que rondava a cabeça do artista. Recepcôr é uma obra que não tinha apenas uma solução estética\, mas também era funcional. \n\n\n\nEssa ligação com uma suposta tecnologia tratada de uma forma irônica\, em geringonças com chapas velha de metal\, passa por todo o conjunto da obra do artista desde então. Essa relação aparece especialmente em motivos que remetem à corrida espacial\, à conquista dos ares\, expressados em coisas como foguetes\, lunetas\, pontos cardeais e estrelas. \n\n\n\nO artista conta que o interesse por busca interplanetária vem de uma memória afetiva. Nascido em 1949 na cidade interiorana de Capanema\, no nordeste do Pará\, Nassar é filho de um comerciante simples e de uma professora primária. Ele cresceu estimulado por diversas curiosidades sobre a conquista espacial\, uma fixação de seu pai. “Ele era apaixonado pelas novidades do desenvolvimento do Brasil\, pelos avanços tecnológicos. Essa coisa no meu trabalho é uma espécie de homenagem à memória do meu pai\, pois eu sou filho dessa herança”\, explica. \n\n\n\nEm Lataria Espacial\, Emmanuel Nassar constrói um jatinho particular inspirado no Phenom 300\, um avião nacional de alta performance\, um dos mais vendidos do mundo\, desenvolvido e fabricado pela Embraer. Na obra\, toda essa modernização representada por esse avião é contrastada pela precariedade de uma instalação construída em pedaços\, ligando chapas de zinco galvanizadas que são pintadas com esmalte sintético. \n\n\n\nFeito com uma solução simples de dois planos e suspenso por dois cabos\, o trabalho aproxima dois opostos\, “a lataria envelhecida e com sinais de desgaste\, o que há de primitivo e popular nas funilarias do subúrbio” e as “missões espaciais e altamente tecnológicas que colaboraram para o desenvolvimento das comunicações via satélite”\, aponta Cauê Alves\, curador-chefe do MAM\, em texto que acompanha a obra. \n\n\n\nO curador ainda avalia que “se o voo está ligado à imagem da liberdade que tanto aviões quanto pássaros evocam\, uma das asas de Lataria Espacial está decepada\, como se estivesse incrustada na parede”. Desta forma\, estando dentro da Sala de Vidro\, “a obra parece tratar mais da impossibilidade de levantar voos do que da completa realização do desejo de liberdade”.
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SUMMARY:"Claudia Andujar – cosmovisão" no Itaú Cultural
DESCRIPTION:Claudia Andujar\, da série Sônia\, 1970-71\n\n\n\nQuando o nome da fotógrafa é mencionado\, automaticamente ele é ligado a seu grandioso e mundialmente conhecido trabalho sobre a nação Yanomami. Sem perder de vista essa produção\, que se tornou um patrimônio iconográfico\, a mostra Claudia Andujar – cosmovisão joga outras luzes sobre o percurso fotográfico seguido por ela entre as décadas de 1960 e 1970\, até seu encontro definitivo com esse povo indígena. \n\n\n\nA exposição entra em cartaz em 3 de abril e segue até 30 de junho nos pisos -1 e -2 do Itaú Cultural\, com curadoria de Eder Chiodetto. Ela reúne mais de 130 trabalhos de Claudia\, realizados durante seis décadas\, desde que\, fugindo do nazismo partiu da Hungria para os Estados Unidos. Depois de uma temporada naquele país\, em 1955 ela desembarcou em São Paulo para encontrar a sua mãe e aqui viver até hoje (acompanhe a sua bio-cronologia aqui). \n\n\n\nEntre os destaques da mostra\, um novo trabalho seu: uma releitura colorida de O voo de Watupari\, resultado da travessia que fez em 1976\, ao lado do missionário Carlo Zacquini. Eles viajaram de São Paulo até a Amazônia a bordo de um fusca preto que os levou até os Yanomami. Também merece atenção especial\, a instalação A Sônia\, apresentada por ela em 1971 no Masp\, em uma subversão do uso da projeção de slides – uma novidade na época. Aqui\, a obra é exibida em releitura do artista Leandro Lima\, parceiro de Claudia em outros projetos. \n\n\n\n“Quando o Itaú Cultural me chamou para fazer essa mostra logo pensei em encontrar um recorte novo\, já que convivo com Claudia faz tempo e conheço bem outras faces de sua obra”\, conta Chiodetto. Segundo o curador\, ao investigar a produção da artista mais a fundo\, desde que ela chegou em São Paulo em 1955\, ele se deu conta do seu importante papel para a experimentação e a expansão da linguagem fotográfica. “Ela teve forte influência\, por exemplo\, para que a fotografia entrasse nos museus como arte nos anos de 1970”\, diz. \n\n\n\n“Esta é uma exposição inédita. Tem foco nesse alto grau de experimentação pelo qual ela fez a fotografia passar. Fica claro que\, como filha da geração de 68\, rebelde e que repensa o mundo\, Claudia sente necessidade de recriar a linguagem fotográfica para pode ser expressar”\, continua ele. “Em nenhum momento de sua trajetória\, nem quando trabalhou na revista Realidade\, ela fotografou em um padrão documental tradicional”\, completa. \n\n\n\nClaudia fazia uso de filmes fotográficos infravermelhos\, cromos riscados\, filtros monocromáticos\, imagens refotografadas com distorções e mutações de luzes e cores\, justaposições e duplas exposições. Para Chiodetto\, estas eram  estratégias para chegar à representação da percepção sensorial. “Isso permitiu que\, anos mais tarde\, a artista pudesse materializar em imagens a espiritualidade\, a relação dos indígenas com as entidades e guardiões da floresta”\, diz o curador. “Ela precisava que a fotografia atravessasse a superfície do real para representar de forma potente o lado de lá\, o não visível. Só conseguiu isso justamente por essa experiência anterior de expansão da linguagem e possibilidades fotográficas.”
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SUMMARY:"Sol Fulgurante: arquivos de vida e resistência" na Pinacoteca Estação
DESCRIPTION:Marcela Cantuária\, Fantasmas da esperança\, 2018\n\n\n\nNa efeméride de 60 anos do Golpe Militar brasileiro (1964–1985)\, a Pinacoteca\, em realização conjunta com o Memorial da Resistência de São Paulo\, constrói diálogos sobre o estado de exceção a partir dos acervos artísticos e documentais de ambas as instituições. A exposição conjunta ocupa o 2º andar da Pina Estação. \n\n\n\nA mostra acontece no edifício da Pina Estação\, que sediou até 1983 o Deops/SP — Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo —\, que atuava como aparelho de repressão política do Estado e onde inúmeras pessoas foram presas e torturadas durante a Ditadura Civil-Militar (1964–1985)\, e hoje é ocupado pelo Memorial da Resistência de São Paulo e a Pinacoteca de São Paulo. \n\n\n\nA exposição parte da Coleção Alípio Freire\, doada ao Memorial da Resistência em 2023. Será a primeira vez que o conjunto\, composto por trabalhos de ex-presos políticos dos presídios de São Paulo durante o período ditatorial e reunidos por Alípio Freire e Rita Sipahi\, será mostrado ao público na Pinacoteca. \n\n\n\nEntre os destaques da mostra\, está a obra do acervo da Pinacoteca Fantasmas da Esperança (2018)\, de Marcela Cantuária\, que traz elementos simbólicos que a exposição propõe discutir.
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SUMMARY:"Eleonore Koch: Em Cena" no MAC USP
DESCRIPTION:Eleonore Koch\, Sem título [detalhe]\, 1976\n\n\n\nO Museu de Arte Contemporânea da USP inaugura no sábado\, 6 de abril\, a partir das 11 horas\, a exposição Eleonore Koch: Em Cena\, reunindo 190 obras da artista alemã de origem judaica\, refugiada no Brasil com a família aos doze anos de idade. A exposição conta com obras de coleções públicas\, como sete trabalhos do acervo do MAC USP\, além de obras da Pinacoteca de São Paulo\, MASP e MAM SP e uma grande parte de obras inéditas pertencentes a coleções privadas\, o que permite uma visão única da produção da artista. A exposição também apresenta fotografias\, cartões-postais e estudos que fazem parte do arquivo da artista\, recentemente doado ao MAC USP. Os documentos demonstram o processo de criação de Koch e suas indagações sobre a natureza da imagem\, da perspectiva e do enquadramento. \n\n\n\nEleonore Koch (1926-2018) abordou gêneros tradicionais da pintura – como paisagens\, interiores e naturezas-mortas – e uma técnica antiga\, a têmpera a ovo\, para representar questões contemporâneas e de sua própria experiência de vida. “Sua pintura remete ao exílio\, à desterritorialização\, a um senso de estar no mundo\, ciente de privilégios e das consequências das próprias escolhas”\, comenta Fernanda Pitta\, curadora da exposição. A metáfora do título da exposição remete ao cinema. Muitas das obras parecem cenários para acontecimentos que acabaram de se dar ou ainda estão por se realizar. A quase total ausência da figura humana é contradita pela presença reiterada de objetos carregados de afetividade\, que a artista manteve consigo durante boa parte da vida\, personagens de um enredo silencioso. \n\n\n\nA analogia cinematográfica também estrutura a exposição\, organizada em quatro núcleos – A Cena\, A Importância do Objeto\, O Método e Interiores – a partir dos gêneros pictóricos em relação aos tipos de enquadramento. “O público é convidado para um travelling sem percurso predeterminado\, um mergulho numa narrativa aberta”\, conta a curadora. Eleonore Koch sempre acreditou que seus trabalhos deveriam manter um espaço aberto às sensações e aos significados construídos pelo público\, que por eles se deixa afetar. A exposição permanece no MAC USP até 17 de julho. Visitas para grupos podem ser agendadas no Serviço Educativo – edumac@usp.br.
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SUMMARY:"Diante do outro" de Alberto Pitta\, Mônica Nador e JAMAC na Casa de Cultura do Parque
DESCRIPTION:Mônica Nador + JAMAC\, Pleaser\, 2022. Foto: Filiper Berndt. Cortesia Galeria Vermelho\n\n\n\nCom curadoria de Claudio Cretti\, diretor artístico da Casa de Cultura do Parque\, Diante do outro traz o encontro de obras de Alberto Pitta\, Mônica Nador\, o coletivo que Nador fundou e do qual faz parte\, o JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube)\, e texto da curadora e crítica Thais Rivitti. Com produções que partem de movimentos comunitários\, tanto culturais quanto sociais\, esses artistas têm o tecido e a serigrafia como base conectora de suas práticas. Apresentada na sala expositiva Galeria do Parque\, a mostra retoma pinturas de Nador produzidas desde os anos 1990 em conversa com produção recente realizada junto ao JAMAC e pinturas de Pitta. \n\n\n\n“Num primeiro momento\, o encontro se faz no olho. Colocados face a face\, os trabalhos de Nador + JAMAC e os de Pitta falam a língua da pintura. Mais especificamente\, uma pintura que\, ao menos em parte\, se estrutura como estampa\, fortemente apoiada na técnica da serigrafia\, na repetição de motivos que se espalham na superfície da pintura criando ali uma área pulsante.” – trecho do texto de Thais Rivitti para a exposição Diante do outro. \n\n\n\nA trajetória de Mônica Nador teve início com sua participação na exposição Como vai você\, Geração 80?\, realizada há 40 anos no Parque Lage\, no Rio de Janeiro. Ao longo do tempo\, Nador voltou-se para uma prática mais coletiva\, envolvida socialmente\, ao contribuir para o JAMAC\, sem abandonar seu espaço no circuito institucional. \n\n\n\n“Enquanto o JAMAC vem formando\, ao longo dos anos\, uma verdadeira coleção de estampas baseadas nas histórias de vida de seus frequentadores\, Pitta coloca em seu trabalho elementos da cultura popular\, os orixás\, as ferramentas de cada um deles\, os objetos ritualísticos\, cores vibrantes\, frases políticas e sociais. Ambos olham para suas produções como canais para se recontar histórias que foram deixadas de lado na narrativa oficial.” – trecho do texto de Thais Rivitti para a exposição Diante do outro. \n\n\n\nArtista\, designer e carnavalesco\, Alberto Pitta resgata valores estéticos em suas estamparias afro-baianas. Utilizando símbolos\, ferramentas indumentárias e adereços dos orixás como fonte de inspiração\, sua produção é resultado de sua vivência nos terreiros de candomblé e envolvimento no carnaval de Salvador\, onde iniciou-se há cerca de 40 anos atrás. \n\n\n\nO JAMAC teve como ponto de partida o projeto Mônica Nador\, Paredes Pinturas (1999)\, no qual a artista realizava pinturas murais em comunidades em conjunto com seus moradores. Desde 2004\, localizado na periferia da zona sul de São Paulo\, o espaço promove oficinas de stencil e serigrafia\, entre outras atividades. São frutos desse projeto também as bandeiras hasteadas na fachada da Casa de Cultura do Parque\, na segunda edição do projeto Dando Bandeira\, criadas a partir de oficinas na Casa organizadas pelos artistas da exposição Diante do outro – Alberto Pitta\, Mônica Nador + JAMAC – e em colaboração com o núcleo educativo da Casa e instituições parceiras.
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LOCATION:Casa de Cultura do Parque\, Av. Professor Fonseca Rodrigues\, 1300 Alto de Pinheiros\, São Paulo\, São Paulo\, Brasil
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SUMMARY:"Corpo-Casa: Diálogos entre Carolee Schneemann\, Diego Bianchi e Márcia Falcão" no Pivô
DESCRIPTION:Crédito da imagem: Carolee Schneemann em sua casa em New Paltz\, NY\, 1996. Fotografia de Joan Barker. Foto © Joan Barker.\n\n\n\nApresentando uma variedade de vídeos e documentos de Carolee Schneemann (EUA)\, a exposição destaca suas contribuições aos debates contemporâneos sobre imagem em movimento\, explorando temas como identidade\, gênero e sexualidade. Além de celebrar o legado de Carolee\, a mostra propõe um diálogo entre dois artistas contemporâneos: Diego Bianchi e Márcia Falcão. \n\n\n\nBianchi (AR) apresenta uma instalação inédita no Pivô\, integrada à arquitetura do edifício Copan. Destacando a fragilidade da subsistência urbana e desafiando conceitos convencionais de identidade\, sua intervenção promove uma reflexão crítica sobre a cultura do consumo. A instalação arquitetônica permite aos espectadores transitar entre os trabalhos de Schneemann e Falcão. \n\n\n\nFalcão (BR)\, por sua vez\, explora a relação entre o corpo feminino e a matéria pictórica\, inspirada pelo subúrbio carioca. Sua obra retrata a exuberância do corpo feminino em tons terrosos e vermelhos\, expressando tanto a violência sistemática enfrentada por mulheres\, especialmente as negras e periféricas\, quanto momentos de êxtase. Juntos\, esses artistas convidam o público a repensar conceitos convencionais por meio de suas perspectivas individuais\, criando um espaço para um posicionamento crítico em relação à sociedade contemporânea.
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SUMMARY:"Amelia Toledo: Paisagem Cromática" no MuBE
DESCRIPTION:Amelia Toledo\, Mina de Rosa\n\n\n\nO MuBE – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia inaugura\, no dia 06 de abril\, a exposição Amelia Toledo: Paisagem Cromática\, que parte de uma sugestão de Paulo Mendes da Rocha\, arquiteto responsável pelo premiado edifício-sede do museu\, dada em 2019. Esta mostra traz para o público um novo recorte da obra produzida ao longo de toda a extensa e proficua carreira da artista\, cuja poética aborda\, entre outros temas\, os principais assuntos de interesse do MuBE: a escultura e a natureza. Com entrada gratuita\, a exposição conta com mais de 100 obras\, muitas das quais interativas\, e estará em cartaz no MuBE até 04 de agosto de 2024. \n\n\n\n“Percebemos\, na arquitetura do MuBE\, muitas referências metafóricas à ideia de construção primordial: a galeria subterrânea como gruta\, o pórtico de concreto como releitura de Stonehenge… Já no trabalho plástico de Amelia Toledo\, justamente\, a força mineral da natureza comparece como elemento decisivo\, tanto na materialidade quanto na lógica de ordenamento das coisas. Mas se combina\, ao mesmo tempo\, a uma trama artesanal do fazer que dota suas pedras de afeto e fantasia\, convertendo-as em moléculas estranhas\, colmeias\, conchas\, bolhas de sabão e energia”\, afirma Guilherme Wisnick\, consultor curatorial do MuBE\, responsável pela indicação dos curadores da mostra Daniela Gomes Pinto e Fernando Limberger. \n\n\n\nAlgumas das obras presentes nesta exposição serão vistas pelo público pela primeira vez\, como é o caso de Cachoeira de Amor e Praça do Céu\, instalações criadas originalmente para uma residência em São Paulo. Com de 3 metros de altura e 9 metros de diâmetro\, a obra Marco para a cidade de São Paulo”\, que será apresentada na área externa do MuBE\, é também inédita.A expografia\, assinada por Anna Helena Villela\, contribui para ressaltar a questão dos elementos da natureza presentes na obra de Amelia Toledo\, ao cobrir o piso do museu temporariamente com areia. \n\n\n\n“Se a matemática é a linguagem fundamental da natureza\, a natureza\, para Amelia Toledo\, precede a matemática\, se sobrepõe a ela\, a ultrapassa. São a inteligência e a intuição da pedra que orientam os materiais\, as estruturas\, as cores\, as coisas\, e até os seres humanos”\, comentam os curadores da mostra.
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SUMMARY:“Dois Indígenas da Amazônia – Vida e Arte” na CAIXA Cultural São Paulo
DESCRIPTION:Obra de Dhiani Pa’saro. Imagem: Divulgação\n\n\n\nA CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição “Dois Indígenas da Amazônia – Vida e Arte”\, com os trabalhos artísticos de Dhiani Pa’saro e Duhigó​\, dois artistas indígenas que\, por meio das técnicas de marchetaria e pintura\, expressam a poética do cotidiano vivido nas aldeias e suas tradições\, dos mitos e das lendas ambientados nas fascinantes fauna e flora amazônicas.   \n\n\n\nAmbos nascidos em São Gabriel da Cachoeira\, na região do Alto Rio Negro\, Estado do Amazonas\, Dhiani Pa’saro\, da etnia Wanano\, e a pintora Duhigó\, da etnia Tukano\, também têm em comum a produção de obras de grande apuro técnico\, aprimorado nos estudos\, bem como a utilização de materiais de excelência extraídos da floresta.  \n\n\n\nPa’saro domina a pintura e a marchetaria (produção de elementos em madeira\, como móveis e obras de arte). Seus trabalhos\, realizados no coração da selva amazônica\, abordam o cotidiano\, a fauna e flora\, expressos por meio de imagens de trançados indígenas elaborados em uma refinada marchetaria. Já as pinturas da artista Duhigó trazem forte componente inspirado na cultura vivenciada nas aldeias Tukano\, Barassano e Tuyuca e revelam o universo dos povos originários da Amazônia\, representados por cenas do cotidiano\, artefatos e elementos mitológicos.​
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SUMMARY:"Rubem Dario: o Poeta das Cores" na Passado Composto Século XX
DESCRIPTION:Rubem Dario\, Tapeçaria em lã\, c. 1965\, tear manual\, PC SÉC. XX. Foto: Mariana Chama\n\n\n\nDepois de integrar 11 exposições coletivas na Galeria Passado Composto Século XX em 2013 e 2014\, o artista mineiro-carioca Rubem Dario Horta Bittencourt (1941 – 1978) ganha sua primeira individual nesta galeria que é referência nacional em tapeçaria artística e decorativa\, “Rubem Dario: o Poeta das Cores”\, que será aberta ao público em 13/4 e poderá ser vista até 29/6. \n\n\n\nA mostra\, que tem curadoria da proprietária da galeria\, Graça Bueno\, e colaboração especial do historiador Paulo César Garcez Marins\, resgata a memória de Dario a partir de documentos históricos e uma coleção de obras que estiveram desde 1978 sob os cuidados da irmã dele\, Anna Lúcia Bittencourt. No total\, a exposição cobre um período de 1963 a 1978 e reúne 67 obras únicas\, sendo 56 cartões modelo\, 6 tapeçarias\, 3 desenhos e 2 estudos de projetos. Sobre esse acervo reunido\, a maioria dos guaches no papel nunca foi exposta e estes trabalhos podem ser considerados inéditos. Como destaque\, Graça elege uma tapeçaria em lã de porte monumental (2\,91m x 2\,16m) de 1965 produzida pelo Artesanato Guanabara em tear manual. \n\n\n\nFã confessa do artista\, a galerista relembra quando e como conheceu a arte de Dario. “Em 2013\, adquiri uma tapeçaria monumental e de excepcional beleza com temas tropicais. Na época comprei de uma família e eu não sabia mais sobre o artista. Simplesmente me apaixonei pela obra. Anos mais tarde\, em 2016\, ao conhecer e me encontrar pessoalmente com a irmã dele\, Anna Lúcia\, descobri\, por meio do vasto arquivo histórico abrigado em sua residência no Rio de Janeiro\, que esta magnífica tapeçaria havia sido encomendada em 1968 pelo Colégio Santo Inácio e foi executada pelo Ateliê da Penitenciária de Bangu\, que por anos foi uma referência em obra social”\, afirma. \n\n\n\nEm relação à importância do artista\, ela contextualiza: “Ele não vivia sem a paisagem ou sem a visão da natureza. Criou tapeçarias com temas da vegetação tropical e com a junção dos opostos\, máquina e natureza\, simbolizando o homem da cidade e do campo. Iniciado em pintura e com vocação muralista\, produziu obras únicas em guache como base para as suas tapeçarias\, pelas quais obteve sucesso\, reconhecimento e o título de o mágico das cores”. Graça ainda afirma que a produção de Dario é marcante para a tapeçaria artística nacional pela sua originalidade e maestria mágica das cores nos diversos temas de natureza\, desde natureza tropical a abstratos-geométricos e figurativos do período de 1963 a 1978. “Embora sua carreira tenha sido curta e meteórica\, seu legado poético e consistente se concretizou pelo sucesso de sua participação em mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior\, em especial na na I Bienal de Artes Aplicadas del Uruguay em Punta Del Este\, em março de 1965”\, cita. \n\n\n\nTrecho de texto do historiador Paulo César Garcez Marins
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SUMMARY:"Infravermelho" de Tomie Ohtake na Nara Roesler
DESCRIPTION:Tomie Ohtake\, Sem título [detalhe]\, 1995\n\n\n\nA Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar\, em parceria com o Instituto Tomie Ohtake\, “Infravermelho”\, com mais de quinze pinturas de Tomie Ohtake (1913-2015)\, artista nipo-brasileira\, considerada um dos grandes nomes da arte. A curadoria é de Paulo Miyada\, diretor artístico do Instituto\, e a exposição terá ainda uma escultura da artista\, em tubo metálico pintado de branco\, e um conjunto nunca mostrado ao público de pinturas de 30cm x 30cm\, estudos de suas obras. Oarquiteto e designer Rodrigo Ohtake\, neto da artista e vice-presidente do Instituto Tomie Ohtake\, fará uma intervenção expográfica\, criando uma segunda pele nas paredes das duas primeiras salas\, com um painel de chapas metálicas perfuradas\, em um plano sinuoso que envolverá esses espaços. “Infravermelho” oferece uma oportunidade de aprofundar o olhar sobre uma importante etapa do trabalho da artista.  \n\n\n\nTomie Ohtake é uma das artistas integrantes da 60ª Bienal de Veneza\, “Stranieri Ovunque/Foreigners Everywhere” – 20 de abril a 24 de novembro de 2024 – \, que tem como curador o brasileiro Adriano Pedrosa. Seu trabalho irá compor o núcleo histórico modernista latino-americano e diaspórico. \n\n\n\n“Infravermelho” reúne trabalhos majoritariamente desenvolvidos ao longo da década de 1990\, quando a artista consolida a transição\, iniciada dez anos antes\, do uso de tinta acrílica em detrimento da tinta a óleo. O uso dos pigmentos diluídos em água permitiu Tomie explorar as transparências\, as veladuras\, a fluidez\, de uma forma que não teria sido possível com a tinta óleo\, em que os solventes são mais espessos\, além de altamente tóxicos. “A água é a própria noção de fluidez\, e isso permitiu com que Tomie lidasse com texturas que são menos controladas\, do que as da pintura a óleo”\, observa Paulo Miyada. “Uma pincelada muda a cor e a densidade\, e as obras caminham para uma composição mais sintética”. Ele explica que nos anos 1960 as obras de Tomie tinham o fundo mais claro\, onde “flutuavam retângulos\, quadrados de cor. Nos anos 1970 e 80\, o fundo foi sumindo e os planos coloridos se expandiram\, com bordas bem definidas”.
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SUMMARY:“As Vidas da Natureza-Morta” no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
DESCRIPTION:Obra de Yêdamaria. Foto: Joao Liberato\n\n\n\nO Museu Afro Brasil Emanoel Araujo\, instituição da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, inaugura neste sábado\, 13 de abril\, a partir das 11h\, a exposição “As Vidas da Natureza-Morta”\, que possui o objetivo de provocar uma reflexão extensa e contemporânea sobre as artes plásticas\, a partir do gênero artístico natureza-morta\, que retrata objetos inanimados. \n\n\n\nCom  mais de 300 obras e entrada grátis na inauguração\, a mostra aborda diversas referências de natureza-morta\, a partir da produção de artistas brasileiros e estrangeiros do século XIX até a atualidade. O curador Claudinei Roberto da Silva partiu do acervo da instituição\, contando com obras de outras instituições culturais do país\, além de contribuições de artistas e colecionadores. \n\n\n\nSegundo o curador\, “desvelando os entrelaçamentos entre estética\, política e a vida cotidiana\, o gênero natureza-morta\, presente na história da arte do Ocidente desde pelo menos o século XVII\, continua relevante\, servindo de ensejo para as especulações artísticas contemporâneas.”  \n\n\n\nA mostra é composta por  61 artistas acadêmicos\, populares\, modernos e contemporâneos. Dentre eles\, cabe mencionar o artista negro Estevão Silva\, que morreu no Rio de Janeiro em 1891 e conferiu expressão ao gênero. Também estão presentes nas obras os artistas Aldemir Martins\, Alina Okinaka\, Ana Luiza Dias Batista\, Anita Malfatti\, Antonio Pulquério\, Carlos Scliar\, Yêdamaria\, Juniara Alburquerque e Mariana Martins.  \n\n\n\nAlém da abertura da exposição\, o público poderá acompanhar\, a partir das 14h\, uma oficina gratuita intitulada ‘Imagens Que Contam Histórias’\, conduzida por Mafuane Oliveira\, e que incluirá atividades como ‘Observação Lúdica’\, ‘Reprodução de Desenhos’ e ‘Roda de Partilha’. No encontro\, a contadora de histórias terá como ponto de partida o acervo da mostra ‘As Vidas da Natureza-Morta’ para explorar artistas e suas obras\, desde os clássicos até os contemporâneos\, além de mergulhar no fascinante mundo da natureza-morta\, que retrata objetos inanimados\, como frutas\, flores e utensílios.
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SUMMARY:"Novo Poder: passabilidade" de Maxwell Alexandre no Sesc Avenida Paulista
DESCRIPTION:Com um conjunto de cerca de 56 obras\, a mostra Novo Poder: passabilidade\, do artista carioca\, Maxwell Alexandre\, oferece uma experiência reflexiva sobre a interseção entre identidade\, poder e passagem. Sua produção desafia estereótipos e narrativas dominantes\, propondo provocações sobre as realidades sociais e culturais do Brasil. \n\n\n\nA exposição individual da série\, que foi realizada em fevereiro de 2023\, em Madrid (Espanha)\, e que ganhou desdobramento no 1º Pavilhão Maxwell Alexandre\, localizado no bairro de São Cristóvão (Rio de Janeiro)\, ocupará o espaço Arte I (5º andar)\, no Sesc Avenida Paulista\, entre 19 de abril e 29 de setembro de 2024. \n\n\n\nVencedor do prêmio Pipa 2021\, Maxwell\, na série Novo Poder: passabilidade\, trata da ideia da comunidade preta dentro de galerias\, museus\, centros culturais e fundações. \n\n\n\nEm suas obras\, o artista dá ênfase a três signos base: as cores preta\, branca e parda. A cor preta é manifestada pela representação dos personagens; a cor branca aponta para o espaço expositivo\, assim como o conhecimento acadêmico\, e a cor parda representa a obra de arte e também faz referência ao próprio papel\, que é o suporte principal da série. \n\n\n\n“A Moda e a Arte são dois campos da cultura hegemônica ocidental que se consolidaram a partir da modernidade\, cada um com suas especificidades\, tendo como ponto em comum a forte influência que ambos exercem na construção de distinções sociais”\, conta Maxwell.
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SUMMARY:A Quadra apresenta individuais de Gilson Plano e Yasmin Guimarães
DESCRIPTION:Yasmin Guimarães\, Sem título\, 2022\n\n\n\nAmarrar um laço entre os dedos para lembrar o que não deve ser esquecido. A força do nó desacelera o fluxo sanguíneo\, vasos se contraem e se espremem na esperança de que o segredo confiado ao elemento físico que envolve o corpo nos encontre no futuro. Se a história é um grande laço de lembrança\, podemos imaginar uma teia de fios e nós — complexos e em constante expansão —\, cujas pontas soltas e linhas aparentes desafiam a perspectiva de um trajeto único\, fazendo de tais nós cegos menos um desafio da descoberta do percurso do que a contemplação do emaranhado geral. Esse parece ter sido um dos maiores desafios contemporâneos para a revisão da relação do humano com a história\, com a natureza\, com a vida e com as epistemes. \n\n\n\nEm “Misterioso Laço”\, Gilson afirma seu desejo de habitar a abstração fundamentado em uma relação ampla e direta com o mundo e seus materiais. Parte de uma nova geração de artistas que busca revisitar a história brasileira e trabalhá-la segundo uma ordem da experiência fenomenológica da diferença. \n\n\n\nSua prática orienta novas configurações de sentido que ultrapassam a mera exposição crítica das mazelas sociais\, em seu lugar tomam forma proposições de experimentação artísticas orientadas sobre o respeito às sabedorias e tecnologias ancestrais\, capazes não só de re-encantar o nosso mundo\, mas de criar outros. \n\n\n\nA artista Yasmin Guimarães constrói paisagens que ora flutuam por horizontes instáveis e movediços\, ora fazem pouco caso de uma verosimilhança com o natural. Mais interessada no aspecto fenomenológico da impressão retiniana da cor em um relevo imaginário\, Yasmin faz da dureza da luz tropical o tônus de sua pintura. Refletindo sobre as cores que banham os trópicos em que vive e por onde habitam suas primeiras lembranças de paisagem\, a paulistana substitui os tons alaranjados e quentes por uma paleta de cores fria\, e assim estabelece com o espectador um encontro honesto\, indispensável para a sua obra. \n\n\n\nAtraída pelo vazio\, suas elaborações pictóricas parecem mais afeitas à construção da natureza sob um cânone visual oriental que\, sob a influência do taoísmo\, reflete sobre o entorno com a representação da vitalidade das formas e seu movimento rítmico demarcado pelo contorno do pincel\, na busca por abstrações que sugiram o extrafísico. A criação surge como possibilidade de revelar o vazio. Contrasta\, assim\, com os ideais ocidentais\, cuja perseguição por uma forma plástica orgânica ainda retém vestígios em nossa maneira de vivenciar o mundo\, tanto na pintura como no regime de imagens técnicas\, em um completo horror ao vazio. \n\n\n\nTexto curatorial de Lucas Albuquerque
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LOCATION:Galeria Quadra\, Rua Barão de Tatuí\, 521\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"O Pernambuco Cósmico de Suanê" de Lúcia Suanê no MAC USP
DESCRIPTION:Lúcia Suanê\, Barraca com Romãs [detalhe]\, 1963\n\n\n\nO Museu de Arte Contemporânea da USP inaugura no sábado\, 20 de abril\, a partir das 11 horas\, a exposição O Pernambuco Cósmico de Suanê\, reunindo 62 pinturas da artista pernambucana Lúcia de Barros Carvalho (1922-2020). Com curadoria de Tálisson Melo\, a exposição inédita traz uma retrospectiva da produção de Suanê entre 1946 e 2019\, evidenciando a ligação da artista com a cultura nordestina\, em especial a pernambucana\, através de símbolos\, formas e cores. “Suanê foi uma artista que se recusava a perder suas raízes. Seus costumes\, as celebrações populares\, a passagem dos cangaceiros por sua região\, a convivência com os Fulni-ô\, o catolicismo e todos os aspectos culturais que a formaram\, são características fortes e presentes em todas as suas obras”\, afirma o curador. \n\n\n\nO nome Suanê foi adotado desde a adolescência\, quando recebeu do pajé na aldeia do povo indígena Fulni-ô\, ao redor da vila de Águas Belas\, interior pernambucano\, onde conviveu com a cultura e tradições desta comunidade. Depois de itinerar com a família por outras vilas da região\, até as cidades de Recife e Olinda\, chega à São Paulo em 1940. Suanê deu início a sua produção artística Incentivada pelo marido Nelson Nóbrega a tornar visível tudo o que cantava e contava\, e instigada também por rezas\, lendas e suas memórias de infância. Conhecida por trazer em seu trabalho o regionalismo e as raízes pernambucanas que moldaram seu estilo único\, Suanê construiu uma trajetória artística multifacetada\, incorporando elementos de várias proposições estéticas\, em diferentes momentos de sua carreira. \n\n\n\nAs pinturas produzidas durante as décadas de 1980 e 1990\, chamadas de “cósmicas” pela própria artista mostram a capacidade e desejo de Suanê em se reinventar constantemente. Entre linhas\, formas e cores\, a obra da artista está conectada às figurações da festa\, do culto ao divino\, da artesania\, o imaginário\, a memória\, a identidade. “Mesmo em se tratando de um contexto também caracterizado pela fome\, seca e desigualdade históricas\, sua arte explorava temas relacionados à identidade\, memória\, natureza e sociedade\, refletindo suas próprias experiências e observações do mundo ao seu redor”\, afirma o curador e completa: “O trabalho e a trajetória de Suanê também instigam a reflexão sobre os limites da história da arte entre os séculos XIX e XXI”. \n\n\n\nA exposição\, que conta com financiamento do Programas Unidades de Fomento à Cultura (PROAC-SP)\, da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo\, permanece no MAC USP até 21 de julho. Visitas para grupos podem ser agendadas no Serviço Educativo – edumac@usp.br.
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